12 de janeiro, de 2012 | 00:00
Chuva deixa hortifruti mais caros
Hortaliças sofreram aumento de até 70% nos preços com o período chuvoso
IPATINGA A chuva persistente das últimas semanas está prejudicando a produção e o repasse de verduras e legumes aos estabelecimentos. A consequência disso é que os preços dispararam e as hortaliças já pesam no bolso do consumidor. Como a temporada de chuva continua, comerciantes esperam mais reajustes até que a situação se restabeleça.
A escassez de produtos nessa época do ano é comum, uma vez que muitas hortaliças estão no período de entressafra. Porém, as chuvas que assolam o Estado, com precipitação acima do estimado, reduziram a oferta de mercadorias na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas).
Segundo o pesquisador de mercado Marco Antônio Reis, 54 anos, dentre os principais hortigranjeiros que integram a cesta básica do consumidor, ocorreu uma média de aumento de 11,04% nos preços, em levantamento realizado pela CeasaMinas, comparando os dez primeiros dias de dezembro com o início deste mês.
Para alguns produtos, a elevação nos preços foi ainda maior. A abobrinha italiana sofreu 59,1% de reajuste. O jiló teve aumento de 50,05%. O tomate, que é bastante afetado com a situação climática ficou 72,8% mais caro. A mandioca teve aumento menor: 20,04%. Já para a cenoura e a beterraba, os percentuais de aumento foram, respectivamente, 44,06% e 32,05%.
O excesso de chuva também afeta demais o processo (de colheita até a chegada do produto na mesa do consumidor). Além de reduzir a produção e piorar a qualidade das hortaliças, as chuvas dificultam o transporte dos produtos e posterior repasse aos locais de venda”, pondera Marco Antônio.
Comércio
Com a escassez no abastecimento dos hortifrútis, o comércio amarga prejuízos. O fornecimento de todas as hortaliças que vendemos foi afetado. A escassez e a baixa qualidade dos produtos deixaram o preço de muitos cerca de 50% mais caro. Aqui na banca, o tomate custava R$ 1,99, e agora, com os danos causados pela chuva, subimos para R$ 3,50. O inhame vendíamos a R$ 1,99 e ficou R$ 1 caro. Isto sem falar nas outras mercadorias. Banana, abobrinha e pimentão estão em falta. Para os próximos meses, a previsão é de mais reajustes nos preços”, afirma a feirante Sirlene Fernanda, 31 anos.
Maria do Rosário, 49 anos, está frustrada com a perda do lucro em sua banca de verduras nesse período. A chuva está demais e a mercadoria está em falta. O consumidor reclama do preço e da qualidade. Estamos trabalhando sem retorno, pois não estamos aumentando muito os preços para não perder os clientes”, desabafa.
Produtor e feirante, Patrício Campos, 36 anos, sofreu perdas altas nas plantações e também nas vendas. O abastecimento está fraco. Nossa produção está muito afetada, há muitos produtos estragando com toda essa chuva. Estou perdendo acima de 50% na produção e no lucro das mercadorias. Aumentamos o preço das verduras de 20% a 40% para conseguirmos nos manter”, explicou.
Consumidor
A aposentada Edenir de Souza, 60 anos, está sentindo no bolso o impacto da alta dos preços. O preço aumentou muito. Eu fazia sacolão por R$ 1,69 o quilo, e agora o preço subiu para cerca de R$ 3 reais. Não dá pra faltar, mas pesa e muito no bolso do consumidor. Se venho fazer feira com R$ 50 reais, o dinheiro vai todo embora”, reclama Edenir.
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