28 de fevereiro, de 2012 | 00:00

Usuária de crack agride conselheira

Mãe reagiu com violência ao recolhimento dos filhos em abrigo

Bruno Soares


Maria

IPATINGA – A consequência gerada pela dependência química do crack foi o pano de fundo de mais uma tragédia familiar registrada pelo Conselho Tutelar de Ipatinga. Por volta das 9h desta segunda-feira (27), uma equipe de conselheiros se deslocou até a residência de M.I.S., com o objetivo de apurar denúncias de maus tratos em relação aos seus filhos.
Segundo o órgão municipal, o caso desta família é acompanhado há seis anos devido ao envolvimento da mãe com o submundo das drogas. Além de ser dependente química, informações do Conselho dão conta de que ela se prostitui para bancar o consumo de crack. Por isso, chega a ficar dias sem comparecer à casa onde vive com o marido e seis filhos.
Durante a visita, as conselheiras confirmaram as informações que haviam recebido por meio de um telefonema anônimo. “Tudo estava completamente imundo, sem móveis, com muita roupa suja espalhada no chão. As crianças, mal alimentadas. A situação que nós deparamos foi de total abandono das crianças”, relatou a conselheira tutelar Maria das Graças.
O pai das crianças está afastado do trabalho por depressão. Após uma análise preliminar no imóvel, a equipe definiu que os menores seriam encaminhados ao abrigo municipal, para que a Justiça tome as providências cabíveis.
A decisão causou grande constrangimento em M. que, descontente, partiu para cima de uma das três conselheiras. “Ela pegou meu cabelo com muita força e começou a me empurrar contra a parede. Iniciamos um confronto, que foi amenizado por meio do marido dela, que intermediou a briga em meu favor”, relatou Maria das Graças.
O incidente foi presenciado por todos os seis filhos do casal. Entre gritos e ameaças, a PM foi chamada para registrar o Boletim de Ocorrência. Nesse meio tempo, M. deixou a casa e partiu para a rua com o intuito de fugir do flagrante. Mas não teve êxito. A PM chegou rapidamente e registrou o BO.
Desfecho
“No momento em que as conselheiras informavam à mulher sobre as providências que seriam tomadas quanto à guarda dos menores, a autora passou a agredir a vítima Maria das Graças, puxando-a pelos cabelos e empurrando-a contra a parede. Diante do exposto, a autora foi presa e conduzida para delegacia”, registrou a Polícia Militar ao detalhar que a presa estaria sob aparente efeito de drogas no momento e muito agressiva.
A reportagem do DIÁRIO DO AÇO entrou com contato com a delegacia da Polícia Civil para saber o desfecho do incidente. De acordo com o delegado plantonista que atendeu a ocorrência, a agressora assinou um Termo Circunstancial de Ocorrência por ter dificultado o trabalho dos Conselheiros Tutelares. Quanto à possível dependência química, o delegado informou que nada foi feito, pois não foi encontrada porção da droga em seu poder.
Para a conselheira vítima da agressão, a dificuldade enfrentada em sua rotina de trabalho impõe uma série de limitações, devido ao fato de uma constante exposição ao perigo. “Nosso trabalho é preservar pelo bem-estar das crianças. Essa é uma mãe vitimada pelo consumo do crack.
Não duvido do amor que ela sente pelos filhos mas, diante da situação que ela tem vivido, não nos restou outra saída a não ser tirarmos a guarda dos menores e encaminharmos o processo à Justiça. O ideal, agora, é que ela procure tratamento e consiga reaver seus filhos”, conclui Maria das Graças.
 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário