11 de março, de 2012 | 00:00

“É preciso reinventar a indústria mineira”

Vice-presidente da Fiemg analisa cenário e afirma necessidade de evolução

Bruna Lage


AUDITÓRIO INDÚSTRIA MINEIRA

IPATINGA – A indústria mineira, conhecida entre outros motivos pelo agronegócio, pela produção de minério e siderurgia, tem nas regiões litorâneas um forte concorrente com a crescente exploração do petróleo.
Especialistas apontam há algum tempo, a necessidade da reinvenção do setor industrial, que pode perder investimentos por questões como a distância dos portos e limitação dos meios viários para escoamento da produção, como rodovias e ferrovias. O assunto foi tema de entrevista, ao DIÁRIO DO AÇO, do vice-presidente do Conselho de Sustentabilidade e Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Cavalieri.
Estados como o Rio de Janeiro, onde a MMX, mineradora do empresário Eike Batista, anunciou forte investimento no projeto de construção do Porto Sudeste, em Itaguaí, tem na exploração do petróleo um atrativo para investimentos. Mas não é só isso. A facilidade no escoamento da produção pelo transporte naval é um dos principais fatores que atraem investimentos.
No caso de Itaguaí, o projeto original dá conta de que o porto teria capacidade para embarcar 50 milhões de toneladas de minério de ferro, a partir do primeiro trimestre de 2013. Mas a LLX (empresa de logística do grupo EBX), já pensa em expandir esse volume para 100 milhões de toneladas. O valor investido será algo em torno de R$ 2,4 bilhões, de acordo com o presidente da companhia, Guilherme Escalhão.
Minas Gerais, sem portos, com estradas precárias e ferrovias limitadas – está fora do rol de mega investimentos. Sérgio Cavalieri admite que a reinvenção da indústria mineira e da própria economia é necessária e representa um grande desafio. Para ele, o estado se baseia muito na exploração e exportação de commodities (minério de ferro, por exemplo), por isso a economia precisa ser mais diversificada. “É necessário que a gente evolua ainda mais no sentido de agregar valor e isso acontecerá de médio a longo prazo”, disse.
Bruna Lage


Sérgio Cavalieri

Expansão
Na opinião de Sérgio Cavalieri, a mudança passa pela questão da inovação, da tecnologia, da educação e formação. Segundo o executivo, existem projetos em andamento como o da Companhia Brasileira de Silício, que anunciou recentemente a instalação de uma indústria próxima a Belo Horizonte, para produzir waffles, que são componentes primários da indústria eletrônica.
Além disso, há a expectativa da instalação da empresa Foxconn, que produz componentes para a fabricação de tablets. “São algumas iniciativas que vão transformar sem duvida nenhuma a economia de Minas, para que fique menos dependente da parte de commodities”, pondera.
O secretário extraordinário de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira, disse acompanhar de perto a discussão sobre os tablets e trabalha para criar condições para que Minas seja mais competitiva. “Buscamos ordenar o território da Região Metropolitana de Belo Horizonte, mais especificamente da região norte, a fim de criarmos as condições de ampliarmos nossa base econômica tendo também como fronteira a tecnologia, competindo com outros Estados para trazer para cá investimentos dessa indústria”, destacou Silveira.
Carga tributária
Um dos problemas recorrentes, explica Sérgio Cavalieri, é a questão tributária. Entretanto, Sérgio vai mais longe ao afirmar que o problema está ligado também ao emaranhado tributário. Sérgio destaca que a complexidade da tributação é muito grande, as empresas gastam recursos e funcionários fazendo esse controle da tributação, e mesmo assim não conseguem fazer corretamente. “Então é normal que as empresas sejam multadas, autuadas, porque a complexidade é tão grande, que é muito difícil conseguir que elas atendam 100% as regras, que mudam a todo o momento”, observou.
Um dos pontos apontados pelo representante da Fiemg para a melhoria da economia mineira seria a parceria do Estado com a iniciativa privada por um sistema tributário mais eficiente, com menor carga tributária sobre as cadeias produtivas e com respostas mais rápidas quando for observada concorrência predatória nos estados limítrofes.
Gargalo
A inexistência de litoral, e consequentemente de portos em Minas Gerais, faz com que sua demanda em relação ao transporte seja feito por meio das rodovias. A infraestrutura rodoviária preocupa. Para Sérgio Cavalieri o caso da BR-381 é um escândalo nacional, por se tratar de uma rodovia federal, que jamais poderia ter chegado à situação atual, totalmente saturada, com histórico de mortes e um traçado arcaico.
Entretanto, ele explica que um trabalho muito consistente de todas as entidades empresariais junto com a bancada mineira de todos os partidos, além do governo de Minas, tem se mobilizado para obras relacionadas à para a parte de estrutura, para que aconteçam efetivamente no segundo ano do governo Dilma.
Foi elaborada uma agenda com 15 itens de reivindicação e o primeiro da lista é a BR-381. “Não é possível que essa questão se estenda por mais tempo. É preciso resolver essa pendência e a região tenha uma estrada decente em condições de tráfego seguro”, pontuou.
Para Alexandre Silveira essa é a obra mais importante do Estado, por ter um custo alto e problemas de segurança, além de atravancar o desenvolvimento de uma das regiões mais importantes do ponto de vista do desenvolvimento, que é o leste de mineiro. “A celulose da Cenibra, o aço plano da Usiminas, e o aço inox da Aperam poderão ser manufaturadas aqui, se tivermos um acesso rodoviário mais decente, mais digno e mais seguro”, concluiu o secretário.
MAIS: 
Aprendendo com a força da Econômica de Cidades Paulistas - 11/03/2012
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