17 de março, de 2012 | 00:00

Greve tumultua agências bancárias

Vigilantes reivindicam melhores condições de trabalho e aumento salarial

Wôlmer Ezequiel


Greve
IPATINGA - A greve dos vigilantes, iniciada em Belo Horizonte há cinco dias, chegou a Ipatinga nessa sexta-feira (16). De acordo com o diretor regional do sindicato da categoria, Samuel Carlos Loures, a paralisação deve se intensificar de maneira gradativa no Vale do Aço.
“Trata-se de uma ação, orquestrada inicialmente na capital do Estado, e que se alastrou para o interior de forma crescente. Acredito que já nesta segunda-feira (19) mais agências serão atingidas, como consequência do desentendimento entre o sindicado dos vigilantes e a entidade patronal”, destacou ao DIÁRIO DO AÇO o representante dos profissionais que atuam no Vale do Aço.
Na tarde de ontem, conforme informações preliminares do movimento grevista, todas as agências dos Bancos Itaú e Bradesco, sediadas em Ipatinga, ficaram sem o serviço dos vigilantes. Já o Banco do Brasil enfrentou problemas em três unidades de atendimento. “Na semana que vem, a adesão irá compreender todas as agências do Banco do Brasil e também da Caixa Econômica Federal. A tendência é que este movimento só aumente com o decorrer dos dias”, completou o líder grevista.
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 16,8%, aumento do tíquete refeição para R$ 18 e risco de vida de 30%. Por sua vez, o Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância de Minas Gerais (Sindesp-MG) oferece reajuste de 7,12% no salário, 3% no risco de vida e R$ 6,50 no auxílio alimentação, proposta rejeitada em assembleia.
Ainda de acordo com os representantes da categoria, o Sindesp-MG propõe esses reajustes, desde que seja reduzido o adicional noturno de 40% para 28%, e retirada da convenção de uma cláusula que dá direito ao vigilante de receber multa pela Justiça caso a empresa contratante não cumpra algum item vigente na convenção coletiva.
“Não aceitamos o que é proposto porque é muito aquém da necessidade que nós temos. Colocamos nossas vidas em jogo diariamente para garantir a segurança dos clientes, e a ordem em instituições que faturam ano após ano milhões e milhões de reais. Estamos em luta por melhores condições de trabalho e um salário digno para o papel que executamos”, complementou Samuel Carlos Loures.
Ao todo, cerca de 200 trabalhadores cruzaram os braços durante o dia de ontem. Em Coronel Fabriciano, o número de grevistas foi de aproximadamente 50. Os demais municípios do Vale do Aço registraram baixa participação na greve até o momento.
Transtorno
Além de não comparecer ao trabalho, os vigilantes se organizaram em grupos, com o objetivo de barrar a entrada de clientes nas agências bancárias que insistiram em abrir as portas mesmo sem a presença do profissional, exigido por lei federal para prestação do serviço.
O DIÁRIO DO AÇO observou a manifestação dos grevistas por volta das 14h de ontem na unidade do Banco do Brasil e em outra do Itaú, ambas no Centro da cidade. Segundo uma gerente que pediu para não ser identificada, a expectativa é de que as divergências entre as partes se resolvam no início da próxima semana, o que contraria a posição do sindicato de trabalhadores. “Isso deve se resolver o mais rápido possível. Os bancos deverão atuar no sentido de que o entendimento seja alcançado para que o bom andamento dos trabalhos retorne o mais rápido possível”, espera a gerente.
Uma das prejudicadas com a greve dos vigilantes iniciada ontem foi a aposentada Maria dos Santos Guerra. Ela saiu de casa determinada a sacar uma quantia considerável para socorrer um familiar que passava por problemas de saúde. “Vim desesperada para pegar o dinheiro e me deparei com essa situação. No momento eu não sei o que vou fazer, já que estou numa situação de muita emergência”, finalizou a aposentada.
 
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