18 de março, de 2012 | 00:00
Indústrias avaliam ida para o Sul
Incentivos podem atrair investimentos de US$ 50 milhões para Pelotas (RS)
IPATINGA Quatro empresas do Vale do Aço avaliam um projeto de expansão no setor naval, no Rio Grande do Sul. A doação de terreno e incentivos fiscais é um dos atrativos que podem levar as empresas a investir cerca de US$ 50 milhões no município de Pelotas. Trata-se de uma proposta de construção de um estaleiro para fabricação de navios, que atenderão à indústria de petróleo e gás no estado gaúcho.
Com o projeto, as empresas Viga Caldeiraria, Faceme, CMI Montagem e ATA Indústria Mecânica, que fabricam, no Vale do Aço, peças para a montagem de navios, e pretendem iniciar a fabricação de pequenas embarcações no litoral do Rio Grande do Sul. Um grupo formado por representantes das empresas esteve em Pelotas, no início deste mês, avaliando os terrenos oferecidos pela administração municipal. Uma área de 300 mil metros, escolhida pelos empresários, será doada pelo município gaúcho.
De acordo com Augusto César de Barros Moreira, gestor do Arranjo Produtivo Local (APL) Metal Mecânico do Vale do Aço, o terreno está localizado próximo ao canal do Rio Grande, que deságua na Lagoa dos Patos e tem um fácil acesso ao mar. É uma região cortada por rios navegáveis próximo ao porto de Rio Grande, onde há um polo naval e petrolífero muito importante, facilitando, também, a logística da produção”, ressaltou.
Em Timóteo, o diretor-presidente da ATA Indústria Mecânica, Anízio Tavares Filho, informou que o projeto está em fase de análise ambiental e a expectativa é que o negócio seja fechado até o mês de junho. Nos próximos dias 26, 27 e 28, as empresas receberão a visita de um grupo de trabalho do Rio Grande do Sul responsável pela viabilização da instalação do estaleiro.
Após o estudo de impactos ambientais, as próximas etapas serão estudo de mercado, desenvolvimento do projeto e execução. O estaleiro pode ser construído em três anos e, inicialmente, vai gerar entre 150 e 200 empregos diretos.
Fuga
O direcionamento de grandes investimentos por indústrias para áreas portuárias brasileiras, em detrimento ao território mineiro, tem sido amplamente debatido por especialistas. Na edição do DIÁRIO DO AÇO, em 11 de março, o vice-presidente do Conselho de Sustentabilidade e Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Cavalieri, admitiu que é preciso reinventar” a indústria mineira. Sem mar e com recursos viários precários, como a BR-381 Norte, não resta a Minas Gerais outra alternativa senão pensar em novos modelos de indústria, voltados para a tecnologia, e também uma mudança radical na lógica tributária.
Empresas de MG são atraídas para o RS com incentivos
A avaliação da expansão de indústrias do Vale do Aço no Sul do Brasil tem como um dos atrativos uma carga tributária mais branda. A Prefeitura de Pelotas e o Governo do Rio Grande do Sul (RS) oferecem às empresas mineiras terreno grátis e isenção praticamente total para Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), PIS/Cofins e Imposto Territorial, Predial e Urbano (IPTU).
Para o empresário timoteense Anízio Tavares, é difícil entender por que a extração do minério em Minas Gerais não possui incentivos semelhantes. Para todo o Brasil, o setor naval tem isenção de PIS/Cofins além da exigência de usar 70% dos produtos da produção de origem brasileira. Por que a extração de minério de ferro não tem”?, questiona.
Sociedade
O grupo de empresários ainda não definiu como se dará a junção das quatro empresas na concretização do projeto. Augusto César explica que seria uma espécie de expansão das empresas por meio dessa sociedade, de forma a aumentar a participação do grupo no setor naval e offshore (plataformas e navios plataformas para exploração de petróleo e gás).
Expansão
Em relação às plantas já instaladas no Vale do Aço, Anízio Tavares garante que elas continuarão em pleno funcionamento, dando continuidade à fabricação de peças para a indústria naval, o que hoje representa cerca de 25% do mercado das indústrias. O empresário acredita, ainda, que as indústrias do Vale do Aço terão grandes possibilidades de ampliações e geração de empregos, conforme reflexos gerados pela futura produção em Pelotas.
MAIS:
É preciso reinventar a indústria mineira” - 11/03/2012
Paraenses visitam Ipatinga nesta semana
Na próxima terça-feira, 20, Ipatinga receberá a visita de uma comitiva de empresários de Marabá, no estado do Pará. Segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva), Jeferson Bachour Coelho, a visita foi agendada pelos empresários, que vêm conhecer o Polo Metalmecânico do Vale do Aço.
A Vale tem feito investimentos consideráveis naquela região e eles querem conhecer três polos metalmecânicos: Vitória, Vale do Aço e Belo Horizonte, para implantar no Pará uma rede capaz de fornecer para a indústria mineradora”, explica Jeferson Bachour. Na agenda da comitiva de Marabá, constam visitas à Associação Comercial e CDL Ipatinga e ao Senai, entre 9h e 10h. Logo após, os empresários conhecerão algumas empresas do segmento metalmecânico.
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