21 de março, de 2012 | 00:00
Pelo fim de todo o preconceito
Dia de Combate ao Racismo é lembrado com a reflexão sobre a discriminação
DA REDAÇÃO É comemorado nesta quarta-feira (21) o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em memória ao Massacre de Shaperville em 1960, na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. A data também é lembrada como o dia em que Zumbi dos Palmares foi incluído na galeria de heróis nacionais, no ano de 1997.
No dia 21 de março de 1960, na capital sul-africana, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.
A data também faz referência à inserção de Zumbi dos Palmares no Livro dos Heróis da Pátria, exposto no salão principal do Panteão da Pátria Tancredo Neves, em Brasília. Morto em 20 de novembro de 1695, Francisco” - nome de batismo se tornou símbolo histórico da luta dos negros por dignidade e igualdade.
O Artigo I da Convenção Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial da ONU, diz que a "discriminação racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".
Presidente do Grupo de União e Consciência Negra de Ipatinga e Santana do Paraíso (Grucon-ISP), Algemiro de Oliveira Filho, acredita que o preconceito racial no Brasil persiste, e está velado e disfarçado”. Segundo ele, a participação do negro ainda é pequena em muitos segmentos sociais. Nas novelas, os personagens negros são, na grande maioria, subalternos. Há um estereótipo de que o favelado é negro, de que a empregada doméstica é negra, que o gari é negro, que é o pedreiro é negro”, pontua.
Algemiro argumenta que a conscientização e mobilização por grupos negros são importantes para lutar contra o racismo. O presidente do Grucon destaca que é preciso que os grupos afro-brasileiros se unifiquem para que sejam notados e respeitados. O grupo GLBT é um exemplo de um grupo que se uniu e alcançou maior participação na sociedade”, aponta.
O sindicalista também cobra maior atenção do poder público federal. Para Algemiro, é necessário maior assistência aos grupos sociais menos favorecidos. A atenção é necessária não somente ao negro, como aos indígenas, aos praticantes de religiões afro-brasileiras, aos homossexuais, dentre outros”, defende.
Em função disso, Algemiro Filho lembra que é preciso fazer valer a Lei 11.645, que determina o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas de ensino fundamental e médio. E considera um avanço as políticas de cotas na educação superior destinado aos negros, pardos e indígenas.
Se na prática essas populações tivessem os mesmos direitos de acesso à educação que outras populações, a política de cotas não seria necessária. Como isto não acontece é um avanço na atenção de políticas públicas voltadas à dignidade dessas pessoas”, conclui.
Atividades
Nesta quarta-feira, a partir das 19h30, o Grucon promove um debate cultural na Escola Estadual Selim José de Sales, no bairro Vila Militar. Já na quinta-feira (22), o grupo realizará um ato público a partir das 18h na área da feira livre do bairro Bethânia. As atividades propõem a reflexão sobre a data e o que tem sido feito para combater o preconceito de raça, cor ou etnia na sociedade.
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