25 de março, de 2012 | 00:00

Como investir a “bolada” da Mega

Especialistas dão dicas sobre rendimentos e aplicações financeiras

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Dinheiro

DA REDAÇÃO – Na semana que passou, a Mega-Sena, loteria federal que oferece as maiores premiações no país, fez um felizardo em Ipatinga. Decidir como investir todos os milhões ganhos pode ser uma tarefa difícil. Sem planejamento, o então milionário pode ver, em pouco tempo, o dinheiro descer rio abaixo e voltar à “estaca zero”. Para apontar as melhores aplicações para a “bolada” sorteada pela Caixa Econômica Federal, o DIÁRIO DO AÇO consultou profissionais de finanças e investimentos para orientar o sortudo ou outro futuro apostador que tire a sorte grande em sua “fezinha” a destinar bem a fortuna do bilhete premiado.
Para o contador e professor universitário Fernando César Lemos Morais, quando se ganha um prêmio desse porte, é comum a pessoa ter atitudes extravagantes de consumo. “Esse comportamento existe, principalmente, nas faixas de renda menos favorecidas em nossa sociedade. Quem não quer ter um carro bom, uma morada confortável ou bens de consumo de última geração (celular, computador, televisão, etc.)?”, indaga o docente do Centro Universitário do Leste de Minas (Unileste).
Fernando explica que o vencedor do prêmio lotérico deve, primeiramente, fazer um planejamento financeiro, buscando adquirir somente o que for necessário. Para ele, “o maior perigo para o ganhador acaba sendo ele mesmo com seus desejos de consumo”. “Por que ter um carro de R$ 100 mil se eu faço a mesma coisa com um carro de R$ 40 mil? Nossa sociedade tem por hábito valorizar as pessoas pelo que elas possuem visivelmente, e isso provoca uma gastança desenfreada em busca de afirmação”, pondera.
Por sua vez, Bernardo Coelho Vidigal Martins, administrador de empresas e também professor universitário, aponta que os três maiores erros cometidos por ganhadores, são: não realizar um planejamento financeiro de longo prazo; desprezar a inflação e não buscar conhecimento sobre modalidades de investimentos. “Investimento é sempre algo muito pessoal e delicado. A maneira mais adequada para começar a investir é identificar os objetivos e perfil do investidor junto a um profissional”, destaca Bernardo, que leciona na Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac) e Faculdade Pitágoras.
Aplicações
Existem várias aplicações possíveis para o dinheiro recebido com características próprias. Segundo Bernardo Martins, há muitas modalidades de aplicações financeiras que atualmente têm apresentado mais rentabilidade que a poupança, como alguns CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários), LCIs (Letra de Crédito Imobiliário), Debêntures, CDBs (Certificado de Deposito Bancário), LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio), Títulos Públicos, dentre outros.
Porém, de acordo com Fernando Morais, “a Caderneta de Poupança é a mais básica e tranquila forma de aplicação, adequada a pessoas com pouco conhecimento em investimentos, e gera rendimentos isentos em relação ao Imposto de Renda”. O contador alerta que outras aplicações como CDB e Fundos de Investimentos - que possuem várias modalidades em função do risco - devem ser analisadas com cautela, pois existem fundos que prometem um rendimento maior, mas oferecem um alto risco de perdas.
Wôlmer Ezequiel


Jogo mega-sena

Fernando avalia que se o ganhador aplicasse o valor do prêmio recebido, R$ 8,5 milhões na Caderneta de Poupança, teria um rendimento mensal de R$ 49.485,02 (pela taxa média apurada dentro de fevereiro de 2012). Se o mesmo for aplicado em um CDB, o rendimento ficaria em R$ 56.514,14 (também apurado em função da taxa média de fevereiro). “O importante é lembrar que na remuneração do capital no CDB devemos sempre descontar a inflação para saber o que se pode gastar”, lembra.
Outra forma de investimento rentável é o Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE), modalidade de renda fixa do governo. O DPGE é uma aplicação onde existe a garantia de uma rentabilidade baseada em índices do governo (taxas CDI e Selic). A modalidade oferece uma rentabilidade mais próxima do CDB, porém com características de carência, ou seja, o dinheiro deve ficar por mais tempo depositado. Há também exigências quanto ao capital mínimo a ser investido.
Fernando esclarece que as garantias oferecidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), proporcionam tranquilidade ao investidor. Nessa modalidade, o agente de investimentos Bernardo Martins calcula que considerando a taxa Selic anual de 9,75%, equivalente a uma taxa de 0,778% ao mês, se o ganhador da Mega-Sena de Ipatinga aplicasse os R$ 8,5 milhões, ele teria um rendimento aproximado de R$ 66.286,75 por mês.
Bolsa de Valores
Fernando explica ainda que investir em ações pode ser um bom negócio, desde que o investidor possua um conhecimento básico da área financeira e não tenha pressa. “O mercado de ações não é para amadores e não existe perdão para uma atitude impensada”. O profissional reforça que é um investimento de risco elevado e sujeito aos humores do mercado, onde qualquer instabilidade na economia acaba afetando o rendimento das bolsas.
Bernardo Martins defende que aplicações financeiras em carteira de ações de empresas sólidas são viáveis, desde que esteja condizente com o perfil do investidor, e que seja uma parcela do recurso destinada a investimento de longo prazo. “Mas ressalto a importância de buscar a ajuda de especialistas para conseguir montar uma boa carteira de ações”, alerta o consultor.
Investimento em imóveis
O professor Fernando Morais enfatiza que investir em imóveis pode ser um bom negócio, quando adquiridos por valores coerentes e que tenham a perspectiva de geração de rendimentos futuros (aluguel ou incorporação). “Devemos lembrar que os imóveis na cidade de Ipatinga sofreram uma alta valorização em função de vários fatores. Construir para alugar ou vender já permite um rendimento diferente, podendo ser uma boa opção desde que observado algumas regras como a localização do imóvel e o padrão da construção”, conclui o professor.
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