08 de abril, de 2012 | 00:00
Jesus venceu, mas sofreu na cruz”
Com encenação da Paixão de Cristo católicos lembram martírio e sacrifício da cruz
IPATINGA Nem mesmo o sol forte e o calor desanimaram o público que foi ao Parque Ipanema, para assistir à encenação da Paixão de Cristo. Produzido pelas Paróquias da Igreja Católica de Ipatinga, o evento ocorreu na última sexta-feira (6). Para driblar o tempo quente, as populares sombrinhas se destacaram em meio à multidão postada às margens da lagoa.
A programação da Sexta-Feira Santa foi iniciada por volta da 8h30, com caminhada saindo do trevo do bairro Jardim Panorama em direção ao Parque Ipanema. Todos os anos, o trajeto é feito antes da encenação, em sinal de misericórdia. Para trabalhar o tema da Campanha da Fraternidade 2012 entre os jovens, os fieis traziam o lema Vida sim, Drogas não!”.
Com objetivo de enfatizar o lema durante toda a marcha, os participantes faziam declarações e protestos sobre o estado de abandono dos jovens mergulhados nas drogas. Em seguida, após a concentração de atores e expectadores nas proximidades da lagoa, teve início o momento mais esperado do dia: o teatro da Paixão de Cristo. Com baseada nos relatos bíblicos, a peça é centrada na Via Sacra, que divide a caminhada de Jesus rumo à crucificação em 15 estações.
A ressurreição, lembrada neste Domingo de Páscoa, será apresentada hoje, no Santuário São Judas Tadeu, no bairro Canaã, às 19h30. Segundo a coordenação do evento, o ator que representará Jesus fará uma levitação de oito metros, usando técnicas da arte, para mostrar a ascensão de Jesus ao céu.
Celebração
O padre Geraldo Ildeo, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, destaca que, desde o início da sua história, a igreja celebra toda a caminhada do Messias, do seu nascimento até a morte e ressurreição, enfatizando a cruz como encontro de toda a burrice e sujeira humana com a infinita misericórdia de Deus. Então, a igreja como mãe e mestra, procura incentivar os católicos e cristãos do mundo inteiro a estar por dentro do que aconteceu porque, Jesus venceu, mas sofreu na cruz”, afirmou.
Trabalho para preservar a tradição
A preparação para a encenação de Cristo é iniciada três meses antes, e cerca de 200 pessoas são envolvidas na organização e produção da representação. Todo o planejamento estratégico é feito com o envolvimento de 10 paróquias de Ipatinga, somando a participação direta e indireta de 80 igrejas.
Segundo um dos coordenadores do evento, Milton Lacerda, esta foi a sétima encenação da crucificação de Cristo realizada pelo grupo. A caminhada, porém, completou sua 17ª edição. O objetivo é criar entre a comunidade a cultura de celebração da história bíblica. Nas cidades pequenas a encenação da crucificação já é uma tradição, mas como Ipatinga ainda é um município relativamente novo, essa tradição vai se formando aos poucos”, ressaltou.
E para dar realismo às passagens narradas pelos evangelistas e recontadas há mais de dois mil anos, os atores iniciam a preparação com 90 dias de antecedência. Os ensaios são realizados de duas a três vezes por semana e mesmo assim minutos antes da apresentação é grande a emoção e ansiedade dos atores.
Patrick Silva, de 22 anos, participou pelo terceiro ano representando o personagem Pôncio Pilatos, que é um dos principais responsáveis pela crucificação. Para ele, representar um inimigo do Príncipe da Paz” não é tarefa fácil. É uma responsabilidade muito grande porque em uma mensagem de bem, você, na verdade, está representando o mal”, resumiu.
Conforme Patrick, muito além da arte, é possível motivar os jovens a fazer mais pelo evangelho. Esse teatro, além de renovar a cultura, pode mostrar aos jovens que eles são capazes de evangelizar da forma mais simples”, defendeu.
Outro papel, não muito querido pelos religiosos, é representado por Vinícius Castro. Com apenas 17 anos, ele atuou como Satanás que, até o fim da história, atormenta o Filho de Deus”. Embora amigos e familiares acreditem que ele possa receber uma carga pesada devido ao seu papel de inimigo” do salvador da humanidade, Vinicius Castro só se preocupa mesmo é com a responsabilidade de apresentar uma saga universal. É uma história conhecida no mundo inteiro e, por isso, somos muito mais cobrados do que em outra encenação”, pontua.
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