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11 de abril, de 2012 | 00:00

Parkinsonianos celebram luta no enfrentamento da doença

Conscientização da família e do paciente ajuda no controle dos sintomas

Silvia Miranda


fisioterapia parkinson

TIMÓTEO – Faltam conhecimento, iniciativas públicas e entendimento da própria família em relação à doença de Parkinson. Embora existam relatos de casos há quase duzentos anos, pelo médico inglês James Parkinson, em 1817, o debate e recursos disponíveis para os portadores do Parkinson, ainda são bem tímidos. Mas o apoio e conhecimento da família sobre o assunto é apontado como um dos fatores mais importantes no tratamento.
No Vale do Aço, a psicóloga Kariny Oliveira Coelho Paiva explica que o primeiro passo a ser dado pela família e pelo paciente, é tentar entender o Parkinson. Isso porque, no entendimento da profissional, geralmente a primeira informação dada pelo médico é que a doença não tem cura. Entretanto, ela pondera que o tratamento existe.
Conforme Kariny, a atuação positiva da família e a busca pelas informações também ajudam a barrar o desenvolvimento dos efeitos da doença. “Além dos sintomas comuns, o Parkinson pode trazer outras patologias como a depressão, fobia e transtorno do sono”, explica. A conscientização do próprio paciente também é citada pela profissional como fator significativo nessa luta.
Alexandre Gonçalves, de 64 anos, autônomo, não sabia nada sobre o Parkinson até descobrir os sintomas, há dois anos. O diagnóstico precoce e a participação no grupo de apoio foram importantes para impedir o avanço rápido da doença. Sem condições para trabalhar, Alexandre agora aguarda pelo benefício da aposentadoria, para ajudar no tratamento.
Mas a grande dificuldade de Alexandre é hoje o deslocamento da sua residência, em Coronel Fabriciano, até a sede do Grupo de Apoio ao Parkinsoniano, localizada no bairro Novo Horizonte, em Timóteo. Ele frequenta a entidade duas vezes por semana para continuar o tratamento. “Eu, às vezes, me arrisco e venho sozinho de bicicleta porque não há outro jeito e preciso vir para seguir o tratamento”, contou.
Silvia Miranda


Alexandre Gonçalves

Sintomas
O Parkinson ou Mal de Parkinson, é uma doença degenerativa, crônica e progressiva. Ocorre pela perda de neurônios do Sistema Nervoso Central (SNC), em uma região conhecida como substância negra (ou nigra). Os neurônios dessa região sintetizam a neurotransmissora dopamina, cuja diminuição nessa área provoca sintomas, principalmente motores.
Entretanto, também podem ocorrer outros sintomas, como depressão, alterações do sono, diminuição da memória e distúrbios do sistema nervoso autônomo. Os principais sintomas motores se manifestam por tremor, rigidez muscular, diminuição da velocidade dos movimentos e distúrbios do equilíbrio e da marcha.
Raridade
Em geral, a doença de Parkinson se desenvolve em pessoas com idade a partir de 60 anos. Mas o comerciante timoteense Gervásio Pierre Araújo Fraga, 48 anos, descobriu o Parkinson aos 28 anos, quando ainda não existia nenhum tipo de tratamento ou apoio na região. “Eu fiquei me perguntando o que eu faria da minha vida sendo, à época, um rapaz solteiro e endividado”, relembra.

A luta contra a doença o levou a fundar a primeira casa de apoio aos Parkinsonianos em Minas Gerais, no ano de 2005, na igreja São José Operário, no centro-sul de Timóteo. “Eu não me entrego fácil. Sou movido a desafios e, com isso, aprendi que, ao invés de ficar fechado no meu próprio mundo, é preciso ampliar o leque de amigos para dividir a carga”, define o combativo Gervásio.
 
 
Silvia Miranda


sede gruparkinson

Única instituição de apoio em Minas
 
O Instituto Parkinsoniano de Minas Gerais (Gruparkinson) começou a funcionar com a participação de três pacientes e três cuidadores, em 2005. Hoje, a casa presta atendimento a 50 pessoas, disponibilizando psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista e fonoaudiólogo, duas vezes por semana. A casa vive exclusivamente de doações de parkinsonianos, amigos da entidade e da arrecadação de recursos na realização de eventos.
A partir deste ano, por meio de um projeto de lei aprovado na Câmara Municipal, o Gruparkinson passou a contar com um repasse mensal de R$ 5 mil do município. O diretor de relações sociais do Gruparkinson, Gervásio Fraga, explica que o recurso tem sido importante para manter as despesas com o quadro de funcionários e a manutenção da casa.
Ainda segundo Gervásio Pierre, as instalações têm capacidade para atender até 150 pacientes, mas falta apoio logístico para transporte dos portadores de Parkinson. Atualmente, a entidade atende pacientes dos municípios de Timóteo, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Jaguaraçu, Nova Era, Bela Vista de Minas, Governador Valadares, Marliéria, Dionísio e São Domingos do Prata.
O grupo também não possui sede própria, e gasta, atualmente, R$ 600 por mês com aluguel. O diretor sonha com um local apropriado para a criação do Centro de Apoio a Doenças Neurodegenerativas e Progressivas, como a doença de Parkinson, Alzheimer, distrofia muscular, esclerose múltipla e AVC com sequelas.
Interessados em conhecer ou colaborar com os parkinsonianos podem se dirigir à rua Maria Rodrigues Carvalho, 727, Novo Horizonte, em Timóteo, ou se informar pelo telefone (31) 3848-3931.
 
Parkinsonianos promovem eventos hoje e domingo
 
Nesta quarta-feira (11), Dia Mundial do Parkinsoniano, o grupo fará uma celebração na praça do bairro Olaria, a partir das 8h. Além de um café da manhã, haverá informações, atividades e reflexões sobre a causa da doença. No próximo domingo (15), às 10h, haverá um almoço de confraternização, no bairro Forquilha, em Ipatinga. Os interessados em participar do almoço devem entrar em contato com a sede do Gruparkinson, pelo 3848-3931 e pagar o valor de R$ 10.
 

 
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