11 de abril, de 2012 | 00:00
Foi a última opção”
Moradores justificam invasão de áreas públicas em Timóteo para fugir do aluguel
TIMÓTEO Eles alegam que estão apenas em busca de um lugar para morar e, com isso, fugir do aluguel. As invasões de áreas públicas e privadas estão presentes em cerca de cinco áreas dos bairros Limoeiro, Recanto Verde e Macuco. A ocupação ocorreu há quase 20 dias e os moradores negam motivação política.
Na semana passada, a Justiça de Timóteo determinou a reintegração de posse das áreas invadidas, depois que a administração municipal entrou com agravo de instrumento. O cumprimento dessa ordem, durante o feriado da Semana Santa, acabou em protesto.
Uma das áreas invadidas está localizada no alto da rua Castanheira, bairro Limoeiro. O local, chamado pelos moradores de Morro do Casarão, foi ocupado por 30 famílias. Com barracas de lona e arames, cada família tenta garantir o seu espaço e passa dia e noite em vigília, conforme comprovou a reportagem do DIÁRIO DO AÇO.
Segundo a dona de casa Ione Aparecida Venância Mendes, 28, ainda não há nenhuma notificação para o grupo deixar o local. Até hoje nenhum fiscal ou representante da prefeitura veio aqui, só o dono do lote com a polícia, mas como ele não tinha documento, os policiais nada fizeram”, conta.
Os moradores alegam que a motivação da invasão é realmente a necessidade de um lugar para morar. Aos 61 anos, Maria Teotônia da Silva se instalou sozinha no local da invasão para fugir do aluguel. Foi a última alternativa, porque a gente já não tá aguentando mais sofrer pagando aluguel. E, morando de favor, então a gente toma essa decisão”, declarou.
Em outra área de invasão no bairro Recanto Verde, estima-se que mais de duzentas famílias se instalaram na tentativa de ganhar um lote. O pedreiro Wanderson Gonçalves Silva, 25, reafirma que o grupo está ali realmente por necessidade e descarta a existência de uma motivação política por trás do movimento.
Diagnóstico
Após uma reunião com o prefeito Sérgio Mendes (PSB) e um grupo de moradores, na segunda-feira (9), a administração municipal informou que fará um diagnóstico das famílias nas áreas de ocupação. O levantamento da situação estava previsto para ser iniciado ainda nessa terça-feira (10), no bairro Macuco.
De acordo com assessoria de Comunicação do governo, uma equipe das Secretarias de Obras e Habitação e Assistência Social irá às áreas ocupadas para colher informações das famílias. A partir deste levantamento será feito um cruzamento de dados do cadastro já existente no setor de habitação, com as informações do movimento.
O objetivo do governo é ter uma orientação quanto às ações que deverão ser tomadas, a curto e médio prazo, em relação aos programas habitacionais”, acrescenta a nota da assessoria.
Reintegração
O gerente da Defesa Civil, Marx Valgas, também acompanhou a reunião e lembrou aos ocupantes das áreas que o diagnóstico não impedirá o cumprimento da liminar de reintegração de posse dos terrenos. O próprio juiz advertiu que um prefeito não tem o direito de doar terras que são do município, e tem a obrigação de zelar por elas. Por isso, é preciso fazer esse levantamento. Existem critérios a serem respeitados e a ordem de despejo pode ter que ser cumprida a qualquer momento, sem intervenção da administração”, alertou.
LEIA O QUE JÁ FOI PUBLICADOFeriado tenso em Timóteo - 08/04/2012
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