17 de abril, de 2012 | 00:01
Ex-motorista denuncia chefe de gabinete do presidente da Câmara
Assessor de Douglas Willkys teria oferecido dinheiro para servidor demitido manter acusações contra vereador do PDT
TIMÓTEO A Comissão de Ética e Política Administrativa da Câmara de Vereadores reabriu as investigações, arquivadas em julho do ano passado, sobre as denúncias do ex-motorista da Casa, Wantuil José de Souza, de possíveis irregularidades cometidas por parlamentares timoteenses no trato com o dinheiro público.
A iniciativa da Comissão foi motivada por declarações comprometedoras apresentadas pelo ex-motorista, que afirma ter sido coagido pelo assessor parlamentar Geraldo Júnior, chefe de gabinete do presidente da Câmara, Douglas Willkys (PSB), a manter as acusações contra o vice-presidente da Casa, Marcílio Magalhães (PDT). Segundo Wantuil de Souza, o assessor da presidência, Geraldo Júnior, teria oferecido apoio político para ele se candidatar na eleição deste ano, e mais uma propina, fixada no valor de R$ 10 mil.
Eu iniciei as denúncias contra o vereador Marcílio porque era eu mesmo quem dirigia o carro em que ele realizava as suas viagens. Assim que comecei as denúncias, eu fui procurado pelo Geraldinho para que continuasse com isso. Na oportunidade, ele me ofereceu R$ 10 mil, e ainda me prometeu que o vereador Douglas Willkys me ajudaria financeiramente para me lançar candidato na eleição de 2102”, afirmou ao DIÁRIO DO AÇO, na tarde de ontem.
Histórico
No dia 16 de junho de 2011, Wantuil acusou, nominalmente, o vereador Marcílio Magalhães (PDT) de fazer uso de viagens oficiais para atender interesses particulares, sob o pretexto de conhecer programas sociais. As possíveis irregularidades teriam ocorrido entre os anos de 2009 e 2010. Após aberto procedimento interno para apurar as suspeitas levantadas, a mesma Comissão decidiu, no dia 12 de julho do ano passado, arquivar os trabalhos contra o vereador Marcílio Magalhães (PDT), uma vez que não houve indicações de provas” necessárias para a sua continuidade.
Assim que foi arquivado o processo, o vereador Marcílio chegou a afirmar à imprensa regional que não tinha nenhum tipo de mágoa em relação ao denunciante. Em sua avaliação, a ação teria sido motivada por questões políticas. Eu não tenho nenhuma mágoa desse cidadão, porque sei que ele não agiu de forma voluntária. Há, por trás dele, pessoas que o têm motivado de forma financeira”, complementou Marcílio Magalhães, assim que o procedimento de investigação foi anulado.
No dia 16 de dezembro de 2011, insatisfeito com o desfecho” de suas acusações contra o que considera ser uso indevido de recursos públicos, o ex-motorista da CMT, Wantuil José de Souza, fez uso da tribuna durante reunião ordinária, para tornar pública aos presentes a oferta de propina por parte do assessor direto da presidência da Casa, no intuito de prejudicar o vice-presidente, Marcílio Magalhães (PDT).
Diante dessas informações, Marcílio teria procurado o presidente da Comissão de Ética e Política Administrativa da Câmara Municipal de Timóteo, Geraldo Moreira (PSD), conhecido como Nanico, para que as investigações sobre o caso fossem retomadas.
Manipulação
Procurado pela reportagem na tarde de ontem (16), Nanico disse que o interesse em reabrir o processo partiu do próprio assessor do presidente, Geraldo Júnior. Entretanto, essa informação foi rechaçada por Marcílio Magalhães (PDT). O Nanico só pode querer manipular a informação verdadeira. A reabertura do processo foi consequência das declarações do ex-motorista, dando conta que ele teria sido coagido, financeiramente, para me prejudicar”, pontuou o vice-presidente Marcílio Magalhães.
O DIÁRIO DO AÇO também esteve na tarde de ontem com o assessor citado pelo ex-motorista. Questionado se ofereceu dinheiro para Wantuil manter as denúncias contra Marcílio Magalhães, Geraldo Júnior declarou que não iria se pronunciar enquanto não fosse intimado pela Comissão de Ética da CMT. Só irei falar algo sobre esse assunto quando for convocado, oficialmente, a prestar os esclarecimentos cabíveis”, resumiu.
Já o presidente da Câmara, Douglas Willkys, não atendeu aos telefonemas do jornal durante o fim da tarde de ontem (16) para se posicionar sobre o assunto.
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