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26 de abril, de 2012 | 00:04

Defesa quer isolar jurados em julgamento de ipabense

Brasileiro enfrenta o Tribunal de Júri em setembro, acusado de planejar morte de família em Omaha, EUA, e pode pegar pena de morte ou prisão perpétua

Reprodução / Álbum de Família


familia Szczepanik

DA REDAÇÃO – Os advogados que atuam na defesa de um ipabense acusado de planejar a morte de uma família de missionários brasileiros em Omaha, estado de Nebraska, fizeram um pedido incomum para o julgamento que pode levar o brasileiro à pena de morte ou à prisão perpétua. Os advogados Horacio Wheelock e Todd Lancaster pediram, à Justiça dos Estados Unidos, para isolar, durante quatro semanas, os escolhidos para a composição do júri.
O primeiro brasileiro a sentar no banco dos réus, no caso do assassinato da família Szczepanik, será o mestre de obras José Carlos Oliveira Coutinho. A defesa dele é feita pelos dois advogados, nomeados pelo Tribunal. É que o brasileiro não tem como arcar com honorários.
A argumentação dos advogados, ao pedir o isolamento do corpo de jurados por um mês, é evitar influências externas sobre as deliberações que o júri adotar a respeito do pedido de pena de morte ou prisão perpétua para Coutinho.
A reivindicação da defesa, além de incomum, implicaria em custos para os cofres públicos. Segundo o jornal “Omaha World Herald”, funcionários da Justiça estimam que o isolamento do corpo de jurados poderia custar ao município mais de US$ 100 mil (R$ 188 mil, na cotação dessa quarta-feira, 25), incluindo despesas para quartos de hotel e pagamento de horas extras para os assistentes da polícia no monitoramento dos jurados, e evitar que eles mantenham contato com outras pessoas.
Horacio Wheelock e Todd Lancaster disseram que a despesa não deve ser um fator na decisão do juiz. “Entendemos que o juiz deve considerar o dano potencial que a publicidade em torno do julgamento poderá causar, prejudicando um julgamento justo”, insistiram.
Mas a defesa quer também que o caso seja levado para o Tribunal em outro município, na tentativa de evitar a repercussão do caso em Omaha.
Reprodução


José Carlos Oliveira Coutinho

Promotoria
Representantes da promotoria, Jim Masteller e John Alagaban, discordaram do pedido da defesa. Os promotores argumentaram que o Tribunal em Omaha é o maior e mais diversificado do estado e, como tal, é capaz de lidar com a complexidade que o caso representa.
Quanto à repercussão do caso, um dos promotores foi irônico ao concluir que é natural a ampla divulgação que se faz sobre o assunto no estado de Nebraska. “A menos que você estiver vivendo sob uma rocha, você já ouviu falar sobre este caso”, reiterou a promotoria.
Eles citaram, também, a ocorrência de outros julgamentos, em Omaha, com grande repercussão, sem que houvesse a necessidade de remoção para outra comarca.
Julgamento
José Carlos Oliveira Coutinho deverá ser levado a julgamento no mês de setembro. Pesam contra ele três acusações de assassinato em primeiro grau. Os promotores afirmam que Coutinho orquestrou o assassinato da família Szczepanik, em dezembro de 2009. O crime ocorreu, segundo apurou a polícia, no Colégio Paulo VI, que os brasileiros adaptavam para sediar um centro missionário da Igreja Assembleia de Deus, que mantém uma ramificação nos EUA.
Segundo os promotores, José Carlos e dois outros trabalhadores bateram em Vanderlei Szczepanik (43 anos) até a morte, após um desentendimento sobre salários. José Carlos nutria uma mágoa antiga contra o patrão e teria induzido outros dois conterrâneos a ajudá-lo a praticar o crime. Depois da morte de Vanderlei, os ipabenses foram a um quarto da escola onde mantinham presos a mulher e o filho de Vanderlei. Mataram, então, Jaqueline Szczepanik, 43 anos, e o filho do casal, Christopher, de 7 anos. A família Szczepanik era de Santa Catarina e estava nos EUA há mais de 10 anos. Vanderlei atuava como empreiteiro de reforma de imóveis.
Busca
No começo da investigação, por falta de provas do seu envolvimento, a Justiça liberou Elias Lourenço dos Santos, que foi logo deportado para o Brasil. Ele chegou a Ipaba em abril de 2011. No mês de agosto de 2011, houve uma reviravolta no caso. Outro suspeito preso, Valdeir Gonçalves dos Santos, confessou o crime após entrar em acordo com a promotoria. Ele se livraria do pedido de pena de morte e pegaria 20 anos de prisão, dos quais poderia cumprir somente dez anos, e depois seria deportado.
As mulheres, de Valdeir, Vanderlúcia Oliveira Paiva, de 32 anos, e de José Carlos, Patrícia Oliveira Coutinho, 34 anos, foram levadas aos EUA para depor contra os maridos. Em audiência no tribunal, elas confessaram que ouviram deles, por telefone, a confissão da morte da família Szczepanik.
Com base na confissão de Valdeir, endossada pelas palavras das mulheres, a polícia recuperou o corpo de Christopher do fundo do rio Missouri, no outono de 2011. Os corpos de Jaqueline e Vanderlei nunca foram encontrados.
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