26 de abril, de 2012 | 00:02
Amvaço quer ampliar representação
Presidente da Associação Médica aponta desafios que terá à frente da entidade e relata quadro preocupante na sobrecarga de trabalho dos médicos
IPATINGA O médico cardiologista Norberto de Sá Neto é o novo presidente da Associação Médica do Vale do Aço (Amvaço). Ele acaba de tomar posse, com a missão de ampliar a representatividade da Amvaço. A entidade existe há aproximadamente 22 anos. Foi criada no começo da década de 1980, pelo médico Jeferson Miranda, atual presidente da Unimed Vale do Aço. Trata-se de uma afiliada da Associação Médica de Minas Gerais, coligada à Associação Médica Brasileira.
Todas as regionais do Estado e do país têm afiliadas das respectivas associações estaduais, por sua vez, afiliadas à Associação Médica Brasileira”, explica Norberto de Sá Neto.
A entidade visa congregar os profissionais médicos em todos os sentidos, tanto para estudos, atividades científicas, capacitação até o lazer, mas principalmente para a defesa do profissional nas questões administrativas, técnicas, remuneração e estrutura do trabalho médico.
No Vale do Aço, a Associação Médica nunca esteve parada e, mesmo com uma taxa muito baixa de adesão, sempre atuou. A nossa proposta é ampliar a atuação da Amvaço”, explicou.
Norberto de Sá também esclareceu que o papel da Associação Médica difere, em muito, das prerrogativas do Conselho Regional de Medicina, que é um órgão regulador e fiscalizador da atividade profissional. O CRM tem poderes, por exemplo, para avaliar e punir um profissional, se for o caso. A atuação do CRM é afinada com o Código de Ética Médica, dos deveres e direitos dos profissionais. Já a associação, vai além. O campo de atuação é muito maior”, observa.
Atualmente, de uma estimativa de 700 médicos em atividade nos municípios do Vale do Aço, em torno de 20% estão ligados à Associação Médica. Uma das ações da nova gestão da entidade, em curto prazo, será uma campanha para adesão de mais profissionais, esclarece Norberto de Sá.
É claro que uma classe fortalecida precisa de união e representatividade. Até para que os representantes pleiteiem e discutam com maior respaldo as questões que interessarem à classe”, enfatizou.
Norberto acrescentou que, entre os meses de maio e junho, a entidade trará ao Vale do Aço o presidente da Associação Médica de Minas Gerais, Lincoln Lopes Ferreira, para falar sobre a carreira profissional, perspectivas do ensino e do trabalho médico.
O médico enfrenta uma piora crescente na sua valorização”
Na entrevista a seguir, o presidente da Amvaço, Norberto de Sá Neto, trata de outros aspectos da atuação do médico.
DIÁRIO DO AÇO - Já houve reclamações de médicos, em relação à sobrecarga de trabalho. Isso é fato?
NORBERTO DE SÁ NETO É uma situação generalizada. São pouquíssimas as especialidades em que os médicos trabalham menos do que 60 horas semanais.
DA Na lei, qual a carga horária para o profissional?
NORBERTO DE SÁ A lei fala em 40 horas, mas acredito que isso é quase zero em termos de cumprimento da jornada.
DA No serviço público e privado, esse limite é de 40 horas?
NORBERTO DE SÁ Tanto no público quanto no privado. Mas estamos acostumados à sobrecarga, desde a residência médica, e alguns chegam a 80 horas semanais.
DA Ou seja, é prejudicial?
NORBERTO DE SÁ Lesivo, tanto para o paciente quanto para o profissional. Imagine um paciente que chega com uma dor no peito, ao Pronto Socorro, e é atendido por um médico que vem de uma carga de 48 horas de plantão direto, sem dormir, sem ir em casa?
DA Não são raras reclamações de mau humor de alguns profissionais, seria um dos efeitos da sobrecarga?
NORBERTO DE SÁ Não tenho dúvidas. A sobrecarga piora a relação do médico com o paciente e aumenta a chance de erro médico.
DA Mas sabemos que muitos médicos trabalham em mais de um emprego, por que isso?
NORBERTO DE SÁ O médico enfrenta uma piora crescente na valorização do seu trabalho. Muitos, para compensar, arrumam mais de uma ocupação.
DA Não há alternativa?
NORBERTO DE SÁ Sem querer comparar profissões, mas exemplificando: um engenheiro contratado de uma grande empresa, se tem uma queda na remuneração, ele se adapta ou sai do emprego. Ele não consegue aumentar a carga de trabalho para receber mais. O médico, não. A demanda é grande pelo trabalho médico. Quando nós acordamos, chegamos à situação do Vale do Aço hoje, onde um médico costuma ter de três a quatro empregos, em clínicas, hospitais, postos de saúde e emergências.
DA Mas é uma situação localizada no Vale do Aço? Como é nas outras regiões de mesmo porte e nas capitais?
NORBERTO DE SÁ É até pior. O Vale do Aço ainda apresenta um quadro melhor, mas já vive situações em que o profissional trabalha, no mesmo dia, em cidades diferentes. As capitais ainda têm os grandes hospitais em que o médico consegue trabalhar em um hospital só. Aí, pega acúmulo de funções em setores diferentes: Pronto Socorro, CTI, internação e consultório. Pelo menos nesses casos, o estresse é menor.
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