28 de abril, de 2012 | 00:06
Crack: desafio clínico e social”
Evento debate estratégias no combate à droga que representa um dilema social
FABRICIANO Na noite de quinta-feira (26), o Centro de Estudos de Pesquisa em Psicanálise do Vale do Aço (Cepp), em conjunto com a Prefeitura de Coronel Fabricano e o Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste), promoveu um debate para discutir o impacto social do uso do crack. O encontro ocorreu no Teatro João Paulo II, no Unileste, e reuniu cerca de 250 participantes, dentre alunos de psicologia, e cursos de pós-graduação em dependências de drogas e clínica psicanalítica.Dentre os destaques do evento, foi discutida a política nacional sobre álcool e drogas e a atuação da clínica psicológica de toxicomania. O encontro contou com a participação de Regina Medeiros, autora do livro Crack: um desafio social”, que apresenta uma pesquisa realizada pela doutora em Antropologia Social com dependentes químicos em Belo Horizonte.
Integrante da Comissão Organizadora e gerente de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde de Fabriciano, Patrícia Guedes destacou que o dilema da dependência do crack não é somente um problema local, mas de Minas, do Brasil e do Mundo. Ela defende a importância de se debater estratégias de combate à droga. O que queremos é fomentar essa discussão - que ela não parta só do poder público e das instituições que trabalham com os usuários, e sim que envolva toda a sociedade. É um problema que precisa da ação de todos nós”, enfatizou.
Sobre o cenário atual do consumo de crack no Vale do Aço, Patrícia Guedes avalia que a situação é preocupante. Penso que devemos discutir mais essa questão para que possamos, conjuntamente, encontrar soluções”, aponta a docente.
Reinserção
Palestrante do evento, Regina Medeiros apresentou ao público a pesquisa com dependentes químicos que deu origem ao livro Crack: um desafio social”. Docente da pós-graduação de Ciências Sociais da PUC Minas, ela entende que o consumo de crack é um desafio clínico e social.
No âmbito clínico, Regina esclarece que, para tratar o indivíduo dependente da substância, é importante encaminhá-lo para psicólogos, médicos e centros de saúde. No âmbito social, entretanto, é preciso implantar políticas como viabilizar a reinserção social por meio do trabalho. Sem trabalho, o indivíduo não consegue pagar suas contas, ser um cidadão normal. Para essa pessoa ter trabalho, ela não pode carregar essa marca, esse estigma que o crack confere”, ressalta.
A pesquisadora conclui que, para dar suporte ao usuário de drogas, é preciso mobilizar toda a sociedade. E discriminar esse sujeito é negar sua participação no papel de cidadão, como acontece na sociedade contemporânea”, enfatizou.
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