01 de maio, de 2012 | 00:00
Mobilização geral contra drogas
Fórum Intersetorial de Políticas Sobre Drogas estuda soluções para uma realidade cada vez mais preocupante
FABRICIANO Com grandes impactos na saúde e segurança pública, a problemática social do uso de drogas, como o crack, por exemplo, tem mobilizado profissionais de diversas áreas para atuar na busca de soluções. Exemplo disso é o Fórum Intersetorial de Políticas Sobre Drogas, resultado de um movimento de especialistas que, no dia a dia, lidam com essa situação. Oficializado há cerca de um ano, pela administração municipal, o fórum reúne profissionais como assistentes sociais, psicólogos, educadores físicos, professores e pedagogos.
O fórum é intersetorial porque não dá para falar sobre drogas de forma unilateral. É uma questão complexa que precisa envolver a comunidade, o Legislativo, a segurança pública”, explica Juliana Correa Andrade, coordenadora de Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde. Segundo a psicóloga e psicanalista, após encontros ao longo dos últimos três anos, o grupo percebeu a necessidade de levar adiante a iniciativa. Em função da urgência que o problema impõe, a administração municipal oficializou as ações do fórum.
O grupo se reúne na Secretaria de Governo e Comunicação Social. Além do fórum permanente de discussão, há um núcleo técnico, com o objetivo de efetivar políticas públicas sobre as drogas. Uma das ações do fórum é criar mecanismos de coleta de dados para entender, de fato, que realidade é essa”, esclarece Juliana.
Não temos um levantamento consolidado para dizer qual o panorama vivenciado pelo município em dados quantitativos. Mas temos a realidade que chega aos diversos setores como saúde, educação e assistência social. E é possível verificar que é uma realidade preocupante”, reitera a especialista.
Dentre as ações do fórum, será realizada uma pesquisa nas escolas de ensino fundamental do município para possibilitar o estudo da realidade do consumo de drogas entre as crianças e adolescentes. De acordo com Juliana, com esses dados é possível delimitar formas de prevenção mais eficazes.
Quanto à prevenção, a profissional entende que ações já realizadas no município têm impactos positivos. A escola de tempo integral, por exemplo, quando ela proporciona o acesso da criança às oficinas culturais, esportivas e pedagógicas, está possibilitando que esta criança busque outras saídas que não sejam as drogas”, afirma a psicóloga.
Iniciativas
Além da escola em tempo integral, modalidade de ensino aplicada em Coronel Fabriciano, outros programas como o ProJovem, e iniciativas de qualificação profissional são descritos por Juliana como ações que a administração tem tomado para enfrentar o dilema da dependência. A especialista pontua que esses programas estão bem localizados em áreas de vulnerabilidade social.
São formas de nós chegarmos mais rápidos a essa população que está mais vulnerável ao consumo de drogas. Não que sejam somente estas as ações a ser tomadas, mas a chance de envolvimento com drogas, tráfico e homicídio é menor”, destaca.
Para Juliana, o uso de drogas está associado à exigência de prazer. É um trabalho difícil. Trabalho que não tem uma fórmula ou uma saída. É um problema universal. Trabalhamos dentro da lógica da não segregação, do não preconceito, de construir saídas diversas, para que o sujeito possa ser respeitado em sua singularidade”, conclui a coordenadora.
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