01 de maio, de 2012 | 00:00

Discutir a cidade antes que ela pare

Arquitetos defendem envolvimento da população nos debates sobre o Plano Diretor de Fabriciano

Wôlmer Ezequiel


Prédio

FABRICIANO – O projeto do Plano Diretor que tramita na Câmara de Vereadores deu início a uma série de discussões em vários setores da sociedade. Para os representantes do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Núcleo Leste de Minas Gerais, o plano apresenta uma boa leitura, dos atuais problemas do município. Porém a participação popular deve ser ampliada mesmo que isso acarrete em atrasos na aprovação do projeto.
A proposta está prevista para ser votada neste mês de maio. O texto traz novas regras para o setor da construção civil e projetos para garantir um crescimento ordenado do município nos próximos 20 anos, com revisões agendadas a cada oito anos.
O arquiteto Roberto Caldeira, secretário geral do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Núcleo Leste de Minas Gerais, participou da primeira fase do Conselho do Plano Diretor, como representante da sociedade civil. Segundo ele a classe tem uma boa leitura do que vem ocorrendo na microrregião do Vale do Aço, e o instituto tem acompanhado esse processo.
Embora a grande preocupação no momento seja os parâmetros urbanísticos para o setor da construção civil, Roberto Caldeira destaca que discussão do Plano Diretor é muito mais ampla. “É preciso entender a cidade em relação à questão da mobilidade urbana, habitação, meio ambiente e por isso não podemos restringir a um segmento”, ressaltou.
Participação
Segundo Roberto Caldeira o diagnóstico do Plano Diretor foi muito fiel à realidade do município, revelando que Fabriciano é um município com muitos problemas e vários gargalos, viários e estruturais. Porém uma ampla participação popular é importante na finalização desse projeto, garantindo que a cidade será boa para todos.
Mesmo implicando no atraso da aprovação do plano, o arquiteto acredita que os questionamentos de empresários e construtores são essenciais para a concretização do Plano. Caldeira define também que o PD é a expressão da população do município e por isso a discussão deve ser ampla e participativa. “Isso é importante para acarretar na aprovação de um plano forte e realmente capaz de direcionar o desenvolvimento de Fabriciano de uma forma sustentável, equilibrada e boa para todos”, argumentou.
Integração
Para o presidente do IAB, Duílio Calais o plano diretor deve trazer uma análise detalhada, considerando a inserção do município dentro de uma região metropolitana. “Porque não é só Fabriciano que está na jogada e o município precisa de uma leitura que irá possibilitar o bom uso do espaço e uma boa relação entre os municípios vizinhos”, defendeu. “Fabriciano chegou em um ponto que ele vai parar porque o sistema viário e outros pontos estão complicados, tudo isso tem que ser tratado com bastante cuidado para que lá na frente a cidade não pague por isso”, alertou.

 
O mercado imobiliário não vai parar
 
Se para alguns a criação de regras na hora de construir significam problemas, para o arquiteto Duílio Calais a delimitação é ótima para permitir um crescimento favorável sem exclusão. “A gente não pode priorizar apenas alguns, tem que ser um crescimento igualitário onde todos poderão usufruir”, afirma.
As novas regras também não devem limitar o crescimento do mercado imobiliário ou do próprio município na opinião de Calais. “Essa é uma grande fantasia, pois o plano será um estímulo a mais para o profissional trabalhar de uma maneira mais criativa, com mais base técnica produzindo um espaço mais agradável”, definiu.
Para ele os construtores precisam mudar o atual conceito de edificação. “Será preciso arrumar terrenos maiores, pensar no entorno e não simplesmente subir um prédio nas duas divisas do lote”, criticou.
 
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