03 de maio, de 2012 | 00:00

Venda de medicamentos fora de farmácias

Associação critica decisão e alerta para riscos que projeto pode acarretar

Bruna Lage


REMÉDIOS

IPATINGA – A aprovação de um projeto de lei pelo Senado, que autoriza a venda de remédios em supermercados, armazéns e lojas de conveniência sem a apresentação de receita médica é um erro, critica a Associação de Farmacêuticos do Vale do Aço (AFVA). Os senadores aprovaram o Projeto de Lei de Conversão 7/2002, que torna a medida provisória em lei. A relatoria do projeto foi do senador Romero Jucá (PMDB-RR).
De acordo com um artigo do projeto, os medicamentos poderão ser expostos em prateleiras, como qualquer outro produto vendido nos estabelecimentos, sem qualquer restrição quanto ao local e sem a necessidade da presença de um farmacêutico. Para o presidente da Associação dos Farmacêuticos do Vale do Aço (AFVA), Leandro Leal, a decisão é um equívoco. Leandro explica que o trabalho realizado atualmente é para que a saúde da população alcance um nível elevado. Para ele, a venda de remédios em qualquer outro estabelecimento que não as drogarias e farmácias é um retrocesso.
“O farmacêutico é a referencia dentro da drogaria, o primeiro contato com o usuário. O medicamento não pode ser utilizado de qualquer maneira, muito menos ser indicado por vizinhos, mas sim ser vendido mediante prescrição médica e com orientação de uso”, ponderou o presidente da AFVA. Leandro Leal alerta que, com a venda indiscriminada, o medicamento poderá ser vendido a qualquer preço, além de causar possíveis complicações, como doenças pelo uso inadequado.
Surpresa
Para a Associação Brasileira de Redes de Farmácias de Drogarias (Abrafarma), a comercialização de remédios em supermercados e outros locais semelhantes pode estimular o uso irracional. Outro questionamento é em relação ao condicionamento adequado e o prazo de validade. “Vamos permitir a venda de medicamentos isentos de prescrição em estabelecimentos que não são correlatos à saúde, sem farmacêuticos e o devido controle sanitário?”, questiona nota da entidade.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição Médica (Abimip), a aprovação do projeto foi uma surpresa. “Não temos posição definida. Nunca fizemos um debate ou estudo sobre esse tema. Fomos pegos de surpresa”, informou o diretor de relações públicas da associação, Aurélio Saez.
Bruna Lage


leandro leal

Risco
Alguns medicamentos possuem grande consumo, como a dipirona, e podem ser adquiridos em drogarias sem o receituário médico. “O paracetamol, por exemplo, faz muito mal para quem já possui uma deficiência hepática. Se a pessoa vai ao supermercado e encontra uma promoção ‘leve três e pague duas’, vai utilizar esse medicamento sem qualquer orientação, prejudicando a sua saúde”, alertou Leandro.
Não há definição no texto sobre a venda ser feita em pequenas farmácias, como ocorre hoje em alguns supermercados. “Essa exposição não é boa, uma vez que os medicamentos poderão ser expostos com alimentos, material de limpeza, preservativos e outros itens, de forma errada, o que prejudica sua conservação”, explicou o presidente da AFVA.
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