05 de maio, de 2012 | 00:00
Família reclama de contaminação de poço
Vazamento de esgoto prejudicou a água da cisterna que atende as necessidades de moradores
IPATINGA Moradores do bairro Bom Jardim reclamam de condições precárias de saneamento básico. Na rua Oscar Gonçalves, a rede de esgoto estourou, contaminando a cisterna da casa de Josiane Batista de Melo e Welington de Souza Lobo, no número 330. Segundo o casal, o poço artesiano atende as necessidades da família há mais de 20 anos.
Josiane e Welington contam que, há cerca de duas semanas, passaram a perceber o mau cheiro que vinha da cisterna e o gosto ruim da água. Minha menina foi tomar banho e saiu do banheiro com mau cheiro de esgoto. Depois disso, ela foi tomar um suco e sentiu o gosto ruim do líquido. Então, abrimos a tampa e vimos que o poço está muito sujo e com uma camada grossa de gordura”, conta a dona de casa. Eles mostraram o Boletim de Ocorrência registrado na 12º Departamento de Polícia Civil.
Técnicos da Copasa, concessionária do serviço público de água e esgoto no município, foram até o endereço, mas nada foi feito, de acordo com o casal. Por isso, decidiram pagar um laboratório particular para analisar amostras de água do poço. Os três laudos realizados comprovam que a água da cisterna não pode ser consumida. Além disso, o consumo da água contaminada, antes de descoberta a irregularidade, prejudicou a saúde dos familiares. Minha filha de 14 anos ficou quatro dias acamada com diarréia. Meu neto teve diarréia e infecção estomacal”, lembra Josiane, mostrando os atestados médicos.
Devido ao problema, a bomba do poço artesanal já não funciona. Para não ficar sem água, a família utiliza os serviços da Copasa. Para se adequar às exigências dos serviços de saneamento, a família conta que, há alguns meses, fizeram um acordo com a concessionária, que cobraria apenas o esgoto e a taxa mínima de consumo de água, com retroativos. Meu marido está desempregado, sou manicure e pensionista com filhos e netos pra cuidar. Trocar o poço pela água da Copasa é inviável, diante de uma conta tão cara. Pedimos soluções urgentes para a limpeza do poço”, reivindica Josiane.
Resposta
A Copasa esclareceu, por meio de nota, que o uso de cisternas no perímetro urbano não é uma fonte segura de abastecimento de água para o consumo humano. A Portaria 2914, do Ministério da Saúde, não permite o uso de fontes alternativas em logradouros onde existe a rede pública de abastecimento de água tratada.
Ainda de acordo com a Copasa, a cisterna de Josiane e Welington não tem registro no Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), e nunca foi realizado um controle da qualidade e potabilidade da água captada do poço. Embora possível, não há comprovação de que uma infiltração de esgotos no solo, proveniente da rede de esgotos, seja a causa, ou a única causa, da contaminação alegada.
A concessionária orienta a moradora a utilizar somente água tratada para o consumo, em face dos riscos do consumo de água que não tenha tratamento e monitoramento da qualidade bacteriológica e físico-química.
Igam
Por sua vez, o Igam explica que, para regularizar uma cisterna, é preciso verificar se a estrutura é passível de outorga ou uso insignificante de recurso hídrico, que será definido de acordo com a captação de volume de água. Um técnico do órgão avalia, ainda, se a captação no local é permitida.
Para pleitear a regularização da cisterna, o cidadão deve procurar a Superintendência Regional de Regularização Ambiental do Sistema Estadual de Meio Ambiente, localizado na rua 28, nº 100, bairro Ilha dos Araújos, em Governador Valadares. O órgão pode ser consultado por meio do telefone (33) 3271-4988.
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