09 de maio, de 2012 | 00:06
Só esforço conjunto ampliará segurança”
Comandante do 14º BPM aponta, na Aciapi, as dificuldades para o combate ao crime no Vale do Aço
IPATINGA O crescimento dos casos de violência em Ipatinga levou os diretores da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Ipatinga (Aciapi), e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a promover, na manhã dessa terça-feira (8), uma reunião com o tenente-coronel Francisco Assis de Oliveira, comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar.
O presidente da Aciapi, Gustavo Souza, afirmou que cresce, a cada dia, o número de reclamações que chegam à entidade relatando casos de assalto a estabelecimentos comerciais dos mais diferentes setores. Nossa entidade tem 46 anos de história e compromisso não apenas com os seus associados, mas também com toda a comunidade ipatinguense, daí estarmos buscando alternativas para tentar amenizar ou solucionar o problema”, justificou Gustavo, com o apoio de quatro ex-presidentes da Aciapi que participaram do encontro: Helvécio Thomaz Martins, Walter Sales, José Oliveira e Maurício Andrade Guerra.
Os questionamentos abrangem, ainda, o deslocamento das ações criminosas para bairros até então tidos como tranquilos, como a recente onda de assaltos cometidos contra estabelecimentos comerciais no Cidade Nobre e a explosão de caixas eletrônicos, além da inoperância dos equipamentos do programa Olho Vivo, após a troca dos operadores.
De acordo com Márcio Caldeira de Souza Penna, presidente da CDL, as entidades não se furtam ao papel de liderança nos momentos decisivos. Queremos que a população tenha mais segurança no seu dia a dia. E nos perguntamos se, entre outros motivos, o aumento da criminalidade não está ligado também à falta de investimentos no setor de construção civil, engessado por um TAC do Ministério Público e a falta de leis complementares ao Plano Diretor de Ipatinga?”, questionou.
Fazendo o que pode
Para o tenente-coronel Assis, é preciso envolver mais pessoas e outras entidades no debate. O fato é que, sozinhos, não podemos tudo, então, fazemos o que podemos com os recursos e o efetivo que temos”, declarou, ao relatar dados estatísticos que apontam para a diminuição no número de homicídios em Ipatinga. E explicou que a Polícia Militar age preventivamente, identificando os pontos de violência, ao mesmo tempo em que atua na repressão aos criminosos.
Mas é preciso mais. É preciso que a prevenção primária seja feita pelos setores públicos no que diz respeito à saúde, geração de empregos e renda e educação em tempo integral para as futuras gerações. Se soubermos ocupar os espaços necessários, estaremos, automaticamente, diminuindo a possibilidade da violência em todas as suas manifestações, particularmente no que diz respeito aos crimes envolvendo menores de idade, que hoje são detidos pela manhã e soltos à tarde”, afirma o militar.
Entre os fatores que impedem uma ação mais efetiva da PM, o oficial relata a troca dos operadores do programa Olho Vivo em Ipatinga, agora sob os cuidados de funcionários públicos municipais. O Olho Vivo, hoje, é quase inócuo. Antes, de 8 a 10 ocorrências diárias de destaque eram apuradas com base nas imagens registradas pelo programa, o que acabou. Quem cuida hoje dos monitores não tem treinamento necessário e, muitas vezes, não tem interesse no exercício da função. E o policial que os acompanha não pode fazer nada mais senão elaborar um relatório”, alerta.
O comandante aponta a falta de uma sede definitiva para a 138ª Cia. de Polícia Militar, no Centro da cidade, e a ausência de um Centro de Internação de Adolescentes Infratores, ainda que de forma provisória, como empecilhos à boa atuação policial. O centro provisório depende da liberação, pelo município, do prédio onde funciona uma escola, ao lado da prefeitura de Ipatinga.
É preciso trazer para este debate o Poder Judiciário, o Ministério Público, os governos municipal e estadual, as entidades de classe, e juntos elaborarmos uma política de parceria que permita uma efetiva redução nos números da violência. A prevenção é tão importante quanto a repressão ao crime. É preciso que cuidemos dos nossos menores, que saibamos reeducá-los, ao mesmo tempo em que os infratores envolvidos em casos de porte de arma e assaltos sejam punidos com fianças mais pesadas, que sejam julgados e condenados”, assegura o oficial.
Ao fim da reunião, os diretores da Aciapi e CDL de Ipatinga se comprometeram a levar todas as reivindicações surgidas no encontro até a administração municipal e demais instâncias de poder, além de organizar um novo evento, a fim de ouvir e colher sugestões de outros setores da comunidade.
A administração municipal, procurada para responder aos questionamentos, deverá se pronunciar nesta quarta-feira sobre o assunto.
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