09 de junho, de 2012 | 00:00

Redução no IPI movimenta mercado automotivo regional

Produção de veículos cresceu; gerentes precisam lidar com falta de modelos

Bruna Lage


agência carros

IPATINGA – A produção de veículos cresceu 7,6% em maio na comparação com abril, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na prática, significa que a indústria nacional chegou a 280.768 unidades no mês passado, contra 260.825 unidades no período anterior. Mesmo assim, em relação a 2011, ainda há recuo de 7,7% na comparação com desempenho de maio de 2011. No contexto de 2012, trata-se de uma reação do setor após o chamado “efeito IPI”.
No dia 21 de maio, o governo federal anunciou a queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis zero quilômetro. A medida impulsionou as vendas, principalmente de carros novos, conforme explica o gerente de vendas da Auto Giro, Bruno Letieri. “Desde 25 de maio estamos vendendo bem. Com a redução do IPI, tivemos um crescimento significativo no fim do mês, que gira em torno de 12%. A perspectiva é de melhora, porque a taxa de financiamento também caiu”, declarou.
 
Bruno pontua que também há impacto no preço do usado, embora as taxas de financiamento sejam atrativas somente para modelos zero. A professora Aline Ferreira, de Caratinga, veio a Ipatinga para aproveitar a redução no preço, e adquiriu um Gol zero km. O modelo básico, antes cotado por R$ 34 mil, teve uma queda de R$ 4 mil. “Não tínhamos a intenção de comprar carro agora, mas a diferença é convidativa. Estamos muito satisfeitos”, comemorou.
Bruna Lage


aline ferreira

Completo
Para os próximos meses, o gerente de vendas da concessionária da Volks aposta que o crescimento deva girar em torno de 12%, podendo chegar a 20%, dependendo de como o mercado vai reagir. O modelo mais vendido na concessionária tem sido o Gol, seguido do Fox. O Gol completo, quatro portas, sai em torno de R$ 32,8 mil, modelo G5. Já o modelo G4 pode ser encontrado por R$ 30 mil. “O preço está bom e, para quem quer comprar, a hora é agora. O objetivo das montadoras é esvaziar os pátios, mas pelo meu sistema, que é ligado à montadora, observo que já faltam modelos. Acredito que o governo deve estender esse prazo, que a princípio se encerra em agosto”, pontuou.
Na Brasauto, representante Ford, o crescimento de vendas chega a 40%, o que é considerado como um aumento significativo pelo diretor da concessionária, Adriano Fortes. “Já estamos trabalhando com a administração da falta de veículos, haja vista que tivemos grande movimentação nos últimos dias. O Fiesta é o carro que mais temos vendido; é um modelo básico que está cerca de R$ 3 mil mais barato, chegando a R$ 24 mil”, disse.
Inadimplência
Para o diretor da Fenabrave, Flávio Antônio Meneghetti, a concessão de crédito está mais rigorosa agora e isso pode reduzir a inadimplência do setor, que é a maior em 12 anos. “É importante lembrar que o perfil do novo crédito que está sendo administrado é muito diferente daquele que provocou aqueles grandes volumes de vendas nos anos de 2010, 2009, onde você podia comprar um carro com 60 meses sem entrada. Esse financiamento não existe mais”, pontua.
Bruno Letieri acredita que não terá problemas com a inadimplência, exatament5e pelo rigor na aprovação do crédito. Ele explica que, há algum tempo, o cliente autônomo chegava à agência e financiava o carro em até 60 meses, o que não é possível hoje. “Vendemos para o autônomo, mas com 30% de entrada. Para quem não tem estrutura financeira, as exigências vão afunilando; para quem tem, o banco está aberto. Se você tem um contracheque com R$ 4 mil, o banco te quer, se é autônomo e ganha R$ 1 mil, o banco não te quer. Quem não tem nome continua na mesma situação”, simplifica o gerente de vendas.
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