15 de junho, de 2012 | 00:01

Rio+20: Limites e Expectativas

“Uma possível saída para a dualidade produção/consumo é a educação, como forma de mudar os padrões atuais”

..


logo rio +20

RIO – A Conferência das Nações Unidas sobre O Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que começou no dia 13 e vai até 22 junho no Rio de Janeiro promete ser um vento histórico entre nações, organizações não-governamentais e sociedade civil. O objetivo é debater e encontrar soluções práticas para o destino do nosso planeta.
Este evento dá continuidade a outras conferências de alto nível das Nações Unidas, como a ECO-92, realizada há 20 anos, e que criou acordos e estabeleceu práticas sobre o desenvolvimento sustentável.
Este megaevento, com sede oficial nos pavilhões do Riocentro, reúne 150 chefes de Estado e cerca de 50 mil participantes, entre diplomatas, políticos, empresários, acadêmicos, jornalistas e ativistas ambientais. O objetivo da ONU para tamanha mobilização é assegurar o comprometimento dos países para que a prática do desenvolvimento sustentável esteja ligada aos temas principais desta conferência: “A erradicação da pobreza” e a “Economia Verde”, o que pressupõe o uso de tecnologias limpas.
Mas um dos fatos marcantes da Rio+20 é a participação da sociedade civil planetária no evento paralelo, a Cúpula dos Povos, que ocorre no Parque do Flamengo, Centro, Barra da Tijuca e também na Aldeia Kari-Oca, em Jacarepaguá, aonde cerca de 1.600 representantes dos povos indígenas do Brasil e do mundo, preparam um documento a ser apresentado a ONU sobre as questões indígenas e o meio ambiente.
..


mapa rio +20

“Temos que ser ousados”
Diplomata Flávio Miragaia Perri defende visão realista para a criação de um mundo justo e sustentável
A ECO-92 foi um feito marcante, não só para o Brasil, como também para a humanidade, pois colocou na pauta das negociações internacionais a necessidade de se ampliar o conceito de desenvolvimento às práticas no âmbito econômico, ambiental e social.
Mas, 20 anos depois, na visão crítica e diversificada de alguns participantes daquele momento histórico, os avanços, as omissões e os desvios de percurso desta trajetória devem ser lembrados a fim de que as expectativas sobre a Rio+20 possam ser realistas quanto aos seus limites e potencialidades para se criar um mundo justo e sustentável.
Para o ex-embaixador Flávio Miragaia Perri, diplomata que atuou diretamente junto a ONU para que o Brasil fosse a sede da ECO-92 e que foi ainda secretário-executivo do grupo de trabalho nacional, responsável pela conferência, a imagem e atuação do Brasil, naquela época, eram bem diferentes: “O país vinha de um processo acelerado de desenvolvimento, mas sem nenhuma consideração pelo meio ambiente”. Depois da conferência, acrescenta o diplomata, o papel do Brasil alcançou um novo status nas negociações internacionais.
Quanto ao compromisso do Brasil com os princípios do desenvolvimento sustentável, Flávio Perri cita a criação do Programa Bolsa Família como uma ação positiva geradora de “um círculo virtuoso principalmente, no Nordeste, aonde as pequenas propriedades começaram a produzir e surgiram iniciativas do terceiro setor, o que antes, era quase totalmente inexistentes”.
Rótulo
Sobre tema “Economia Verde” da Rio+20, ele alerta quanto a possibilidade de esta expressão funcionar como “a new lable” (um novo rótulo), o que pode servir para “enfraquecer a ideia do desenvolvimento sustentável”. Segundo ele, o conceito de economia verde pode ser utilizado de forma vantajosa para que certos setores possam reduzir os seus impostos e negar empréstimos para outras empresas que não tenham o mesmo perfil.
Além disso, segundo ele, em nível internacional, a economia verde pode perpetuar um modelo de dependência, na qual, determinados países sejam favorecidos ao vedarem a sua tecnologia e impedir a entrada de produtos que não obedeçam aos critérios por eles estabelecidos.
..


mapa rio +20

Padrões
O diplomata faz também uma reflexão sobre causa do impasse na atual conjuntura das negociações internacionais sobre como alcançar o desenvolvimento sustentável. “Todos os interesses estão concentrados na dualidade: produção e consumo”, pontua.
Na opinião de Flávio Perri, assim como nenhum país quer mexer a sua produção, para não afetar a competitividade, geração de empregos e a sua própria governabilidade, resta uma possível saída que é a educação, como forma de mudar os padrões de consumo.
Sobre o “Rascunho Zero”, texto de base para as negociações na Rio+20, o ex-embaixador Flávio Perri questiona a sua eficácia devido ao número excessivo de contribuições e temas que dificultam o consenso.
“Temos mais de 600 contribuições diferentes, cada um querendo vender o seu peixe. O que precisamos é ter estadistas que saiam das decisões de curto prazo e da cultura dos relatórios trimestrais. Precisamos de estadistas com uma visão e estratégia a longo prazo”, pondera. E para a Rio+20 ter alguma relevância para humanidade, ele responde: “Temos que ser ousados”.
DIÁRIO DO AÇO NAS REDES SOCIAIS:
Curta o Diário do Aço no Facebook
ACOMPANHE O TWITTER
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário