22 de junho, de 2012 | 00:00

Sindicato teme demissão em massa

Para a administração, racionalizar gastos não é sinônimo de demissão em massa

Bruno Soares


Gari

IPATINGA – O Sindicato dos Empregados nas Empresas de Turismo do Vale do Aço (Seethur), entidade de classe que também inclui a categoria dos profissionais de limpeza urbana, teme a demissão em massa de trabalhadores do setor. Segundo a entidade, a partir do dia 2 de julho, a Vital Engenharia Ambiental, concessionária do serviço de limpeza urbana, poderá demitir cerca de 600 funcionários de seu quadro de pessoal. O motivo é uma alegada dívida da administração municipal com a empresa que soma, atualmente, o valor de R$ 20.571.751,75.
Os débitos são de faturas dos serviços prestados pela concessionária que, desde março de 2011, não são pagas pela Prefeitura de Ipatinga.
No Rio de Janeiro, a assessoria da empresa não desmente a informação e promete se pronunciar, oficialmente, nesta sexta-feira sobre o assunto. Já na Prefeitura de Ipatinga, a informação é que o governo reestuda todos os contratos, entre eles o da limpeza urbana, que deverá ser ajustado a uma nova realidade econômica.
Wôlmer Ezequiel


Geraldo Julião

Enquanto isso, segundo os representantes dos trabalhadores da limpeza, a empresa já comunicou que a Prefeitura de Ipatinga tem até o fim da próxima semana para fechar um acordo com a prestadora de serviço. “Estávamos em negociação salarial e, nessa quarta-feira, tivemos uma desagradável resposta da Vital nos comunicando que se até o próximo dia 30 não tiver um acordo com prefeitura, serão dispensados de 80 a 100% de seus colaboradores”, afirma o presidente da Seethur, Geraldo Julião Magela.
O DIÁRIO DO AÇO teve acesso a um documento de 20 páginas entregue pela Vital à PMI, na terça-feira (20). Na conclusão está escrito que, “caso não sejam adotadas quaisquer providências para a liquidação de todo o débito, nos próximos dias, por absoluta inviabilidade, nos veremos compelidos a interromper, ainda que parcialmente, os serviços concedidos, que somente serão retomados de forma plena com a solução da dívida”.
O sindicato dos trabalhadores do setor confirma que já busca a mediação do Ministério Público para evitar demissões.
Em setembro de 2011, o governo municipal pediu que fosse reduzido em 25% o valor do contrato da limpeza em Ipatinga, o que levou a concessionária colocar 300 trabalhadores em aviso prévio no dia 23 de setembro do ano passado. Além disso, foi assinado um Termo Aditivo Contratual estabelecendo que o valor em atraso até então - de R$ 13.542.809,56 - seria pago em seis parcelas mensais, com o primeiro vencimento a partir do fim do mês de março de 2012.
Houve uma revisão na medida e cerca de 86% dos funcionários foram reintegrados à empresa e os serviços de limpeza restabelecidos. Mas segundo o Seethur a empresa alega que “há 16 meses opera no município sob pena de ocasionar sua própria ruína”.
Redução de gastos
Segundo o governo municipal, em função da crise econômica mundial, que atingiu vários setores em inúmeros municípios do Brasil, a Prefeitura de Ipatinga estuda os atuais contratos para reduzir gastos e aumentar a receita. Representantes de todas as secretarias têm se reunido semanalmente com representantes das empresas contratadas para pontuar questões sobre a prestação de serviço no município. O objetivo da administração é causar o menor impacto social possível com esta medida.
Entre os contratos analisados, acrescenta a nota, está o da Vital Engenharia Ambiental, concessionária responsável pela limpeza pública do município. A prestação de serviço é uma das mais importantes e onerosas para Ipatinga. A administração municipal enfatiza que a prestação de serviço será ajustada de forma a garantir a permanência do contrato sem prejudicar os trabalhadores e prestadores de serviço pela empresa. Para a administração, racionalizar gastos não é sinônimo de demissão em massa. A prefeitura garantiu que a coleta de lixo não será interrompida no município por se tratar de questão de saúde pública e um serviço essencial à população.
 
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