23 de junho, de 2012 | 00:00

Qual o futuro que queremos?

Papel da sociedade civil é cada vez mais relevante no mundo globalizado

Milma Lanes Salles


Naoito

RIO - A Rio+20 terminou, mas a busca de soluções efetivas para as questões ambientais debatidas nesta conferência continuam. A posição diluída dos Chefes de Estado, levou os representantes das organizações não-governamentais (ONGs) a criticar e a recusar endosso ao documento final apresentado. Eles o consideraram sem visão e sem comprometimento.
Portanto, num balanço final da Rio+20, ouvindo as vozes do mundo presentes nesta conferência, sobressai uma certeza: O papel da sociedade civil planetária encontra-se cada vez mais relevante. Para tanto, a mensagem de Gandhi, “seja você a mudança que espera ver no mundo” permanece atual e necessária. E da mesma forma, os valores de solidariedade e cooperação entre os povos, se quisermos salvar a terra e todos que nela habitam.
Marcia Antonia Salsa de Aguiar é filósofa, mas nesta semana ela caminhou pelo Aterro do Flamengo como cidadã do mundo. Marcia cumprimentava os passantes e oferecia convite para um dos muitos encontros na Cúpula dos Povos, evento da sociedade civil que ocorreu paralelamente à Rio+20. O encontro, organizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, teve o objetivo de “participar do enfrentamento ao desperdício e de garantir o processo de inovação”.
“Hoje temos que pensar o que posso fazer, não apenas para mim, mas também para os outros. E a filosofia ajuda a pensar com consciência e a entender que, o extra é demais; que podemos viver só com o necessário”, afirmou Marcia.
Pastor de gado
Ela acrescentou que, tanto o conhecimento acadêmico, quanto o conhecimento das populações tradicionais, podem contribuir para um mundo sustentável. E, como exemplo, ela citou as técnicas de bioconstrução feitas com bambu e taipa no interior de Minas Gerais, e a palma de mandacaru, utilizada nas construções do Mordeste.
Já Abdul Nimon, um “pastor de gado”, como se apresenta, viajou desde o Níger, localizado nas planícies desérticas do Saara Africano e considerado um dos países mais pobres do mundo. Apesar das críticas sobre os resultados finais da conferência, Nimon disse que valeu a pena participar da Rio+20. O motivo, ele apontou, foi a oportunidade para pessoas de todos os países do mundo poderem compartilhar os seus problemas. E o que mais o impressionou? “A participação ativa das mulheres na solução dos problemas ambientais”, reconheceu.
Milma Lanes Salles


jornalista nigeriana

Saberes
Para outra africana, Sa’ad Albashir, proveniente de um país com nome parecido, a Nigéria, mas com uma situação bem diferente, pois a sua economia é uma das que mais crescem no mundo, a Rio+20 serviu de alerta. “Nenhum governante sabe mais do que os cidadãos que vivem em contato direto com a realidade do dia a dia”, ensinou.
E como a África pode contribuir para as soluções sustentáveis buscadas pelo mundo? Segundo Albashir, que é jornalista da Rádio Nigéria, os saberes tradicionais do povo africano, que estão em harmonia com a natureza, são uma contribuição importante do seu continente para o mundo.

Hibakusha
Em frente a uma das tendas erguidas no Aterro do Flamengo, um casal de japoneses segura, em silêncio, fotografias em preto e branco, mas que chamam a atenção pelo apelo eloquente das imagens. Naoto Anzai e Miho Morishita, ambos do Japão, realizaram, com este ato, a “Exposição Hibakusha”.
Eles explicam que “hibaku” significa expor-se à radioatividade nuclear e “sha” significa pessoa.
Portanto, segundo Anzai, eles vieram à Rio+20 denunciar os perigos das usinas nucleares, não apenas quando ocorre um acidente, ele explica, referindo-se à recente tragédia da explosão na usina nuclear de Fukushima, mas também, os riscos à saúde causados durante a fase de operação. A solução, para Anzai, encontra-se nas formas renováveis de energia, como a solar, eólica e a limpa, proveniente das ondas do mar.
Tempo
A Rio+20 foi concluída e os chefes de governos não conseguiram definir, com consenso e a contento, “O Futuro que Queremos”, como é intitulado o criticado documento final da conferência das Nações Unidas. E, se o nosso tempo é escasso, o que pensam os jovens sobre o futuro e como querem construí-lo?
Da Escola do Bosque, na Ilha de Caratatéua, no Pará, vieram dois jovens compartilhar os seus saberes e a sua visão para um mundo sustentável. Segundo Daniele Santiago, estudante de 18 anos, a educação ambiental é o que precisamos para saber cuidar da natureza e para viver no mundo de forma sustentável. E para Raimundo Alex, 22 anos, a consciência ambiental deve ser formada, desde criança, e a escola tem um papel fundamental, na sua opinião. “O futuro que Queremos”, Raimundo responde: “é um mundo aonde exista mata e pássaros e crianças felizes.”
 
O QUE JÁ FOI PUBLICADO:

A quem atende o documento final da Rio+20? - 21/06/2012

Rio+20 - 20/06/2012
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