26 de junho, de 2012 | 00:03

Gasolina pode ficar mais cara

Em Ipatinga, onde o preço médio da gasolina é de R$ 2,86, a possibilidade de um aumento deixa motoristas indignados

Agência Petrobras/Geraldo Mello


GASOLINA

IPATINGA – Com a elevação do dólar, vem pela frente um novo aumento no preço da gasolina. Com preços estáveis há aproximadamente um ano, agora, o aumento no preço do litro do combustível é uma questão de tempo, no entendimento de especialistas do mercado. A decisão já foi tomada pelo governo federal, pressionado pelo aumento do consumo e o valor mais alto da moeda norte-americana.
Sem capacidade para atender ao mercado interno, cada vez mais aquecido pela venda de veículos, a Petrobrás é obrigada a importar mais gasolina. Os dados da estatal mostram que, em abril, 33% do combustível consumido nos automóveis no Brasil, foram comprados no exterior. Com o dólar mais caro, a aquisição fica mais onerosa e o repasse é considerado inevitável.
Em Ipatinga, onde o preço médio da gasolina é de R$ 2,86, a possibilidade de um aumento deixa motoristas indignados. O taxista Paulo Rodrigues, 50 anos, acompanha as notícias sobre o assunto e considera o provável aumento um absurdo. “É uma péssima notícia, que poderá, futuramente, impactar no bolso também de quem utiliza o táxi”, avaliou. Mecânico, Edvaldo Pires, 47, também está insatisfeito. “Uso o carro todos os dias. Irá acertar diretamente no bolso”, lamenta.
Wôlmer Ezequiel


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Para o técnico em Segurança do Trabalho, Tales Tavares, 23 anos, o preço da gasolina em Ipatinga já é algo proibitivo quando comparado a grandes centros urbanos. “Aqui já é esse absurdo que é. Imagine se esse aumento for expressivo?”, indaga o motorista. Já Evandro da Silva, 30 anos, ficou surpreso: “Tá de brincadeira, ou tá falando sério? Isso não é noticia de se receber em uma segunda-feira”, brincou o maquinista, que utiliza o carro com menor frequência, na semana, para economizar.
Wôlmer Ezequiel


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Etanol
De olho no aumento do preço da gasolina, os produtores de álcool combustível querem recuperar o espaço perdido desde 2010, quando o preço de custo teria disparado e inviabilizou o uso do etanol. Entretanto, para abocanharem uma fatia do mercado defendem, mais uma vez, a redução nos impostos para que o álcool se torne mais competitivo.
O presidente da Associação da Indústria Sucro-Energética de Minas Gerais, Luiz Custódio Martins, afirma que, se quiser, o governo federal pode abaixar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e evitar repassar o aumento. “O que mais importa para o etanol é ter uma desindexação de imposto. Esse combustível só é viável em São Paulo, onde o ICMS é 12%. Para ser viável em Minas Gerais, o IMCS deveria estar, no máximo, em 14%. Hoje está em 19%. O governo já baixou por duas vezes, mas queremos que caia mais. Nós vendemos em Minas Gerais apenas 30% de nossa produção. O restante é vendido para outros estados, inclusive para ser usado como aditivo para a gasolina”, detalhou.
Inviável
O secretário adjunto da Fazenda em Minas Gerais, Pedro Meneguetti, afirma que o IMCS do etanol em Minas já é um dos menores. Segundo ele, a média nacional do imposto é de 25%, quando em Minas Gerais é de 19% e o impacto financeiro, segundo o secretário, impede nova redução. “É que existe a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nós estamos impedidos de fazer qualquer alteração”, enfatizou.
 
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