12 de julho, de 2012 | 00:00
Palavra de ordem é reaproveitar”
Produtores conhecem, no Oikós, tecnologias que aliam sustentabilidade e redução de custos
TIMÓTEO - No Centro de Educação Ambiental Oikós, a palavra de ordem é reaproveitar”. Uma das iniciativas nesse sentido é o biodigestor, sistema utilizado para transformar esterco animal e restos de cultivo em biogás, um combustível gasoso de conteúdo energético similar ao do gás natural.
Por meio de uma câmara anaeróbica (sem oxigênio) instalada abaixo do nível do solo, o esterco é fermentado. O biogás liberado nesse processo é coletado para ser aproveitado na cozinha do Oikós.
As pessoas se espantam quando dizemos que não usamos botijão de gás”, conta a educadora ambiental Juliana Jácome. Graças ao biodigestor, o Oikós consegue disponibilizar gás para cozimento de alimentos e, caso necessário, parte da iluminação do Centro. Além disso, a matéria remanescente do processo de biodigestão é reaproveitada como adubo no cinturão verde da empresa.
Tomaz Antônio de Lima é um exemplo de pessoa que utiliza em sua propriedade o biodigestor transformando seu lixo rural em mais renda e mais energia. Muitos produtores lançam resíduos orgânicos, dejetos de animais, e esterco, nos rios ou em locais não apropriados, contaminando o meio ambiente, por uma falta de saneamento vegetal. Num espaço de seis metros cúbicos, implantei meu biodigestor. Por ele tenho, atualmente, uma plantação com mais de 30 variedades de hortaliças e legumes tratados com biofertilizante. Além disso, alimento uma chocadeira e a cozinha da casa com o gás gerado por essa tecnologia alternativa”, descreveu.
Adubo natural”
Somente neste primeiro semestre de 2012, mais de 30 produtores rurais de diversos municípios, além de estudantes e universitários, procuraram o projeto Oikós para obter informações sobre como instalar a tecnologia do biodigestor em suas propriedades e estudos.
Outro sistema utilizado para a produção de fertilizantes orgânicos é o minhocário”. Nessa estrutura, as minhocas são alimentadas com folhas secas e esterco e transformam essa dieta em húmus, uma espécie de adubo natural”. É uma tecnologia simples, que pode ser reproduzida em qualquer lugar. Já recebemos muitos produtores rurais interessados em replicá-la em suas propriedades”, informa Juliana.
Água reciclada
O Oikós também reaproveita a água da chuva, coletada por meio de calhas e usada em pias artesanais construídas pelos próprios empregados. A água das demais pias (cozinha e lavabos) é submetida a um tratamento alternativo de esgoto, que utiliza filtro de areia e brita. Ali, as impurezas são retiradas e a água pode ser novamente usada como nutriente para a vegetação.
Sistema parecido foi aplicado ao esgoto dos sanitários, que é transportado por tubulação até uma fossa impermeabilizada. Os resíduos passam pelo processo de fermentação e são transformados em adubo. A água não retida nessa etapa passa por uma série de camadas para perder as impurezas e, por fim, é absorvida pelas raízes das plantas.
Para o presidente da Fundação Aperam Acesita, Venilson Vitorino, as tecnologias alternativas do Oikós estão alinhadas à política de meio ambiente da empresa. São ideias altamente sustentáveis e de fácil aplicação, que garantem, por exemplo, a redução no impacto ambiental e a otimização dos custos operacionais, além de outros benefícios”, opina.
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