10 de agosto, de 2012 | 00:10

Márcio Cunha com sobrecarga de pacientes

Caos na saúde pública regional aumenta número de atendimentos em hospital de Ipatinga

IPATINGA – A saúde do Vale do Aço é motivo de preocupação. E não é de hoje. Com a crise enfrentada pelo Hospital Municipal de Ipatinga, e o fechamento do Hospital Siderúrgica, em Coronel Fabriciano, além da paralisação do setor de ortopedia do Hospital e Maternidade Vital Brazil, em Timóteo, o número de pacientes atendidos pelo Hospital Márcio Cunha vem aumentando de forma considerável. Entre janeiro e junho deste ano, foram atendidas, no Pronto Socorro, 52.728 pessoas, um aumento de 4.746 pacientes, se comparado ao mesmo período de 2011.
De acordo com o gerente de assistência e médico do Hospital Márcio Cunha, Mauro Oscar Soares, a unidade está prestando atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), além da sua capacidade. Segundo ele, existem alguns leitos pactuados com o SUS, que são utilizados em sua plenitude.
“O que ocorre é que quando se faz esse contrato existe uma reserva técnica para situações de emergência, para casos de acidentes muito graves, como no caso de um acidente em Inhapim, em que vieram 28 pessoas, sendo 14 para cirurgia por fratura exposta. Entretanto, agora nem essa reserva nós temos mais”, explicou.
Mauro Oscar relata que o HMC está superlotado, o que forçou a adoção de uma medida extrema - suspender as cirurgias eletivas para o SUS -, por causa da sobrecarga e da falta de leitos. No Pronto Socorro, que não é uma unidade de internação, há 44 pacientes internados em macas, local onde não era para ter nenhum usuário.
Transtorno
“De julho para cá, tivemos esse extrapolamento. Houve uma expectativa na reabertura no (antigo) Hospital Siderúrgica, somado à paralisação do atendimento ortopédico do Vital Brazil, e na nossa região temos muitas motos e muitos casos de trauma, então é um movimento considerável, o que culminou com a crise do Hospital Municipal, ponto onde o ‘caldo entornou’”, avaliou.
Segundo a gerente do Pronto Socorro do HMC, Ana Rosa dos Santos, a sobrecarga de pacientes, além de incomodar o usuário do plano de saúde, causa interferência, embora a equipe procure prestar atendimento equivalente. Ela observa que a interferência existe em algum momento, haja vista a situação do Pronto Socorro neste momento, onde as salas de observação estão lotadas e misturadas.
Cancelamentos
O número de cancelamento dos planos de saúde aumentou em decorrência da situação. “Temos um número mensal de cancelamentos, que nunca ultrapassou a 10%, percentual já superado. Do início de julho pra cá, passou de 68 para 114 cancelamentos. Geralmente, no mês de julho temos uma queda no volume de atendimento do Pronto Socorro, por causa das férias escolares. Mas com a crise do atendimento municipal, tivemos um aumento da demanda e isso impactou em todas as clínicas”, pontuou Ana Rosa.
O primeiro impacto registrado diz respeito ao tempo que o paciente leva para fazer a marcação na classificação de risco e consulta. Houve aumento também do tempo entre a classificação e a consulta; entre a consulta e a medicação; e também no tempo de espera nas clínicas pediátricas, ortopédicas e na emergência, que tiveram aumento considerável. “Além disso, tivemos um percentual de atendimento maior na clínica médica de 25,3%, na clínica pediátrica 25,8% e na ortopedia de 29,8%, todas no Pronto Socorro,”, detalhou Ana Rosa.
Complexidade
Sobre a classificação de risco, que determina, por meio de cores, a situação do paciente, os médicos do HMC pontuam que essa norma é utilizada para todos que são atendidos no Pronto Socorro. “Essa classificação é extremamente importante porque a vocação do hospital é para atendimento de alta complexidade, e o que foi pactuado com a rede pública é que o Hospital Municipal vai atender amarelo, vermelho, laranja, e o HMC as classificações vermelho e laranja. Os verdes e azuis ficariam nas unidades básicas de saúde, conforme nos disse o secretário municipal de Saúde, Wagner Barbalho”, frisou Mauro Oscar.
O médico observou, ainda, que é importante que a população entenda essa divisão, porque o HMC está carregando um fardo maior do que consegue atender. Ana Rosa dos Santos lembra, por sua vez, que o hospital é referência em alta complexidade, setor comprometido porque as vagas estão sendo utilizadas por pacientes de baixa e média complexidade, que não estão sendo atendidos onde deveriam.
Rede
Mauro Oscar relata que a expectativa de uma solução está em uma reunião que será realizada no próximo dia 17, entre Ministério Público, Estado e município, onde a Saúde da região será novamente discutida. “É preciso entender que o problema vai além da reabertura do Siderúrgica e da reabertura do setor ortopédico do Vital Brazil; é um problema de rede. Hoje recebemos pessoas que foram procurar atendimento nos outros lugares e não conseguiram, o que acaba gerando transtorno por não se encaixar na classificação que teríamos que atender. Essa pessoa tem que buscar seu direito onde não está sendo atendida, não aqui”, concluiu Mauro Oscar Soares.
 
O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE A CRISE NA SAÚDE PÚBLICA:

“Regionalização do HMI é necessária” - 25/07/2012

Gerenciamento de crise no HMI - 24/07/2012

“Vital Brazil não é 100% SUS” - 04/07/2012

Médicos do Vital Brazil lançam manifesto contra superlotação - 03/07/2012
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