21 de agosto, de 2012 | 00:04

“O mensalão é fichinha”

Alexandre Silveira reclama de campanha orquestrada contra a sua pessoa e acha curioso Ferramenta se julgar “salvador do município”, onde deve R$ 35 milhões

IPATINGA - Munido com dois dossiês, o secretário de estado de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira, articulador político do governo estadual para o Leste de Minas Gerais na eleição municipal deste ano, recebeu a imprensa regional na tarde de ontem em uma sala do San Diego Suítes, no bairro Horto.
Silveira disse que é alvo de uma campanha sistemática de desconstrução de imagem; isentou-se de responsabilidade em relação à crise de governabilidade do prefeito Robson Gomes (PPS), mas atribuiu ao ex-prefeito de Ipatinga, Chico Ferramenta (PT), a crise política que se abateu sobre o município a partir da sua impugnação, em 2008, mesmo sabendo que estava sem condições de elegibilidade perante a Justiça Eleitoral.
Um dos dossiês entregue por Alexandre Silveira é composto por nove certidões de órgãos como Tribunal de Contas da União, Supremo Tribunal Federal, Justiça Federal e Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que apresentam o seu nome sem quaisquer registros de processos, de natureza criminal, cível ou eleitoral.
Em contrapartida, apresentou um segundo dossiê em que o ex-prefeito de Ipatinga, Francisco Carlos Chico Ferramenta Delfino aparece com 170 processos de primeira instância, em aberto no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, mais 356 processos em aberto em segunda instância.
Outros dois processos aparecem em destaque no dossiê, um deles, trata de uma Tomada de Contas Especial do Tribunal de Contas da União, cuja decisão foi publicada em 2006 e condena o ex-prefeito a devolver R$ 35 milhões aos cofres públicos. O processo, segundo o documento, versa sobre a aplicação financeira de recursos federais, oriundos de convênio, em desacordo com o previsto em lei.
“A prefeitura aplicou os recursos em instituição financeira não oficial e a movimentação da conta não foi efetuada mediante utilização de ordens bancárias ou cheques, impossibilitando o acompanhamento da destinação dos recursos sacados”, descreve a ação.
Execução
Segundo Alexandre Silveira, a condenação já foi executada, mas como não foram encontrados bens em nome do ex-prefeito, a ação está em aberto. Outro processo é relativo a uma ação por improbidade administrativa, de 2002, quando o ex-prefeito Chico Ferramenta exonerou o seu então secretário de Planejamento, Walter Teixeira dos Santos Júnior e, dias depois, sob argumento de dispensa de licitação por falta de exigência legal, o contratou como consultor na elaboração do Plano Diretor de Ipatinga.
O Ministério Público entendeu, à época, que a contratação era ilegal e ingressou com a ação, acatada pelo Juízo da primeira instância judicial. O TJMG negou provimento ao recurso e manteve a sentença, obrigando o ex-prefeito e o ex-secretário a devolverem aos cofres públicos R$ 138 mil pagos à empresa de seu ex-secretário e ainda a três anos de reclusão.
“Em tempos de julgamento do Mensalão, onde vejo o ex-presidente da Câmara Federal ser condenado porque a mulher dele recebeu R$ 50 mil no caixa bancário, supostamente entregues por Marcos Valério e Delúbio Soares, perto de quem é condenado a devolver R$ 35 milhões, o mensalão é fichinha. Se juntar todos os valores pelos quais os mensaleiros se tornaram alvos do maior julgamento da história desse país, é fichinha perto dos valores na ficha administrativa e criminal do ex-prefeito de Ipatinga, que hoje se intitula julgador e salvador, junto com sua família, da cidade de Ipatinga”, enfatizou o secretário.

Histórico
Alexandre Silveira abriu a entrevista afirmando que o fato de sua entrevista ser dada no momento de uma campanha eleitoral, nada tinha de conotação partidária ou eleitoral. Disse que a decisão fora tomada após uma reflexão e uma decisão de falar o que pensa, no momento em que se sente alvo de uma campanha constante e profissionalizada de calúnia, difamação e injúria, que ele tinha evitado polemizar, até agora.
O secretário lembrou que há pouco mais de doze anos, a região tinha quatro deputados eleitos pela região, todos pelo Partido dos Trabalhadores.
Três dos quatro prefeitos da Região Metropolitana eram igualmente do PT, um quadro que mudou atualmente, pois dos quatro deputados eleitos em 2010, nenhum é do PT e entre os prefeitos, apenas Coronel Fabriciano manteve um político da legenda. O próprio Silveira é um dos quatro eleitos, licenciado para assumir a Segem. Por esses resultados nas eleições, o político entende que começou a sofrer ataques na desconstrução de sua imagem.
Apoios
Sobre alianças políticas nas disputas eleitorais, Silveira admitiu que, sempre assumiu posições fortes. Ainda como delegado da Polícia Civil apoiou, em 2000, ex-delegado regional, Inácio Gomes de Barros depois apoiou João Magno, em 2004, e Chico Ferramenta contra Quintão em 2008. “Entedia que era o projeto político menos pior para a cidade. Para minha surpresa e de outras milhares de pessoas, fomos surpreendidos com a impugnação do eleito”, afirmou.
Questionado sobre o fato que se divulgava a época sobre a possibilidade de Ferramenta não conseguir assumir, apesar de eleito, Alexandre Silveira disse que sempre questionava a elegibilidade e havia sempre a garantia, de Ferramenta, de que conseguiria reverter os pedidos de impugnação, o que não se efetivou.
Já em relação ao atual prefeito, Silveira disse que após a eleição extemporânea, em 2010, Robson Gomes decidiu “ser dono do seu próprio destino”. Segundo Silveira, nas poucas vezes em que o prefeito o ouviu, manifestou preocupação com a exoneração de pessoas que prestaram relevantes serviços no governo interino, citando nominalmente as ex-secretárias de Educação, Célia Pedrosa e de Assistência Social, Ângela Torres.
Crimes
“Pois se querem atribuir a mim as mazelas de um governo, que nos dois últimos anos frustrou a todos nós, que a candidata do PT, com apoio público do ex-prefeito Chico Ferramenta, também responda pelos crimes cometidos durante a gestão do marido dela”, afirmou.
Silveira ressalta que ficou surpreso com a declaração pública da outra candidata, Rosângela Reis (PV), que dispensou o seu apoio. Na avaliação do secretário, se a deputada entende que tem condições de enfrentar sua adversária sem a sua ajuda, ela o desonera e lhe dá tempo para cuidar das candidaturas em mais de 40 municípios que querem o apoio.
Ainda sobre o que chama de factoides (fato divulgado com sensacionalismo) criados em Ipatinga, Silveira afirma que já foram identificados profissionais contratados no Sul de Minas para disseminarem informações e formar opinião para atingir a sua imagem. “É por isso que eu questiono qual o critério que a sociedade vai usar para formar a opinião sobre as pessoas. Será o critério do boato, do ouviu dizer? Ou vai usar provas documentais como essas que eu acabo de entregar à imprensa, sobre uma pessoa, que é criminosa, foi condenada e está executada a devolver dinheiro aos cofres públicos?”, indagou.
Loteamento
Questionado sobre o empreendimento imobiliário Parques do Vale, apontado como um dos proprietários, Alexandre Silveira, disse que o loteamento é utilizado como instrumento por aqueles que querem ludibriar a opinião pública. Coincidentemente, o investimento foi iniciado justamente quando o município de Ipatinga teve um retrocesso no mercado da construção civil, com um Termo de Ajuste de Conduta que impôs restrições para novos alvarás de grandes obras. “E o TAC foi imposto justamente porque em 2002 o governo do então prefeito Chico Ferramenta cometeu uma improbidade administrativa e não levou adiante, como deveria, a elaboração do plano diretor da cidade e as leis complementares. Tanto que o Tribunal de Justiça já o condenou e a um ex-secretário a devolver os valores pagos pela consultoria contratada”, afirmou.
Quando aos investidores do Parque dos Vales, Alexandre Silveira disse que apenas os recebeu em seu gabinete, quando foi assegurado o apoio para que o projeto viesse para o município de Caratinga, em uma área próxima a Ipatinga”, concluiu.
Procurada pela redação do DIÁRIO DO AÇO no começo da noite de ontem, a assessoria do ex-prefeito Chico Ferramenta e da candidata Cecília Ferramenta emitiu a seguinte nota oficial, reproduzida na íntegra, abaixo:
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NOTA OFICIAL
A Coligação Pra Consertar de Novo reafirma sua disposição de manter a campanha eleitoral em alto nível, se preocupando em analisar o momento atual vivido pela cidade e apresentar suas propostas para recolocar Ipatinga nos trilhos do desenvolvimento. Cecília Ferramenta já teve seu registro deferido e não tem qualquer pendência que impeça sua candidatura.
As denúncias requentadas pelo secretário de Estado, apoiador e eleitor da deputada estadual, não trazem nada de novo. A cidade já tem conhecimento sobre os processos movidos pela oposição contra Chico Ferramenta. Não passam, na verdade, de perseguição política e Chico vem se defendendo de todas as acusações na Justiça.
Para finalizar, a coligação afirma que Cecília Ferramenta não vai debater qualquer assunto com apoiadores da candidata adversária. Nossas propostas vão continuar sendo apresentadas e debatidas com a população de nossa cidade, que é a verdadeira interessada nas soluções, pois vem sofrendo demais com o péssimo governo realizado pelo grupo apoiado pelo secretario e pela deputada estadual.
Atenciosamente,
Coligação pra Consertar de Novo
 
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