30 de agosto, de 2012 | 00:04

“Sistema de saúde precisa ser repensado, remodelado e regulado”

Representantes avaliam que sistema da saúde no Vale do Aço está desorganizado

TIMÓTEO – Desorganização dos serviços de saúde no Vale do Aço, deficiência da saúde básica dos municípios e necessidade de regulação e integração do sistema. Essas foram às principais considerações feitas pelos participantes da reunião de Mediação Sanitária, realizada nessa quarta-feira (29), na Fundação Acesita Aperam, em Timóteo. O debate sobre a saúde no Vale do Aço deve ainda ser pauta de outras reuniões.
A mediação sanitária foi convocada pelo Ministério Público Estadual, devido a antigos problemas, agravados com a superlotação dos hospitais da região, e a insatisfação do corpo clínico. A mediação foi organizada pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde de Minas Gerais.
O mediador da reunião, coordenador da Promotoria de Justiça da Saúde do MP de Minas Gerais, Gilmar de Assis, explica que a reunião buscou congregar todos os atores que atuam indiretamente na área da saúde. “Nosso objetivo é encontrar soluções para essa grande problemática da saúde no Vale do Aço, que passa pelos municípios de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo”, resume.
Outro grande foco do órgão é tentar organizar os serviços, os fluxos administrativos, o acesso aos usuários da saúde em todos os níveis de atenção. Para Gilmar de Assis, o caminho para isso é a contribuição de aportes orçamentários de recursos por parte de cada gestor para possibilitar o acesso integral da população às ações de serviço de saúde. “Hoje, infelizmente, isso não tem ocorrido exatamente por causa dessa organização do sistema, que precisa ser repensado, remodelado e regulado”, pontuou.
Silvia Miranda


Mauricio Botelho
Encaminhamentos

O subsecretário de Políticas e Ações de Saúde de Minas Gerais, Maurício Rodrigues Botelho, explicou que esteve no Vale do Aço há cerca de duas semanas e, desde então, foi feito um levantamento sobre a real situação nos municípios de Belo Oriente, Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo, que representa quase 90% da população atendida nos hospitais da região. Segundo ele, há uma enorme desigualdade em relação à qualidade do serviço de atendimento primário e ambulatorial nos municípios.
O subsecretário destacou ainda que, a partir de agora, as atenções devem ser voltadas à atenção primária e atenção especializada, que não é uma obrigação hospitalar. “Essa é uma obrigação muito mais municipal e, por isso, a parte que caberia o Estado intervir com mais eficiência e com mais diligência é a parte hospitalar que, agora, será feita com investimentos nos hospitais de Timóteo e Coronel Fabriciano” declarou.
Mas, ressalta o promotor Gilmar de Assis, às vezes a população não tem os pontos de atenção básica e, por isso, procura os hospitais. “De um modo geral, eu posso dizer que a atenção básica por parte de vários municípios dessa região está muito aquém das necessidades, razão pela qual a população tem procurado, de forma equivocada, esse ponto de retaguarda que é a unidade hospitalar” argumenta.
Pauta
Pela manhã, participaram da reunião de mediação os promotores das comarcas da região; o prefeito de Coronel Fabriciano, Francisco Simões (PT); o prefeito de Ipatinga, Robson Gomes (PPS); secretários de saúde de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo; o superintende regional de Saúde, Anchieta Poggiali; o diretor da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Luís Márcio; o superintendente do Hospital Márcio Cunha, Mauro Oscar Soares de Souza Lima; o assessor especial de Relações Institucionais da FSFX, José Carlos de Carvalho Gallinari; e demais representantes da região. À tarde, a organização do evento previa uma reunião fechada com prefeitos e secretários, com pauta específica de cada município.

Para procurador, quadro ainda é muito delicado
 
O procurador do Ministério Público Federal, Edmar Machado, lembrou que as intervenções jurídicas na situação da saúde no Vale do Aço foram iniciadas no ano passado, com o fechamento do antigo Hospital Siderúrgica.
Mesmo após várias audiências na Justiça Federal e o anúncio do retorno dos atendimentos do hospital de Fabriciano, o procurador destaca que o quadro ainda é muito delicado e o sistema está desorganizado. “É preciso questionar em quais condições esse hospital voltará a funcionar, pois o número de leitos é bem inferior ao número que foi fechado e houve um prejuízo para a região durante esse tempo”, argumentou.
Edmar Machado defende também uma continuação no trabalho de fiscalização do MP e um compromisso das autoridades e demais gestores responsáveis pelos setores de saúde.
Silvia Miranda


Edmar Machado

Plantões de forma integrada em Fabriciano e Timóteo
 
Com a abertura do Hospital São Camilo, em Coronel Fabriciano, nesta quinta-feira (30), o governo do Estado acredita que o problema da superlotação dos hospitais será amenizado. Para o subsecretário de Saúde, Maurício Botelho, não haverá, na Região Metropolitana do Vale do Aço, a demanda de um município sendo repassada para outro. “Obviamente, nós estamos em uma situação de distorção, estava faltando um hospital na região, mas agora nós temos que voltar à normalidade”, considera.
No entanto, Maurício Botelho adverte que a situação pode continuar caótica caso o sistema da saúde básica no Vale do Aço não seja readequado. “Se não mudar esse modelo de assistência ambulatorial e atenção primária dos municípios, esse hospital não vai mudar nada. Pronto socorro e hospital não foram feitos para tratar de casos de ambulatório”, criticou.
O governo do Estado afirma que serão abertos cinco plantões, divididos entre o hospital de Fabriciano e o Vital Brazil, em Timóteo. “Não é possível fazer cinco plantões em um hospital só, não existe número de médicos suficiente, não existe recurso, não existe escala”, justifica. As especialidades também funcionarão de forma integrada entre os dois hospitais.
Segundo informa o subsecretário, o serviço de Obstetrícia do Vital Brazil, que há alguns anos só existe em Timóteo, tem uma média de 35% de ocupação, chegando a 50% durante o período de crise. “Nós não podemos montar mais serviços subutilizados, pois não haverá recursos suficientes. Porque se eu abrir dois plantões de Pediatria, dois de cirurgia e de Ortopedia, não haverá médicos e não terá plantão 24 horas, como não existia anteriormente”, esclarece.
 
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