29 de agosto, de 2012 | 20:14
O adeus ao músico Vinícius Maia
Agora você vai cantar para outras plateias. Adeus Vinicius”, desabafou seu irmão, Gustavo Maia
FABRICIANO Familiares e amigos se despediram e sepultaram os restos mortais do músico Vinicius Maia Carvalho, o Mainha, 28 anos, no fim da manhã de ontem (29), no Cemitério Senhor do Bonfim, em Coronel Fabriciano. Os restos mortais de Vinicius chegaram a Coronel Fabriciano por volta das 8h da manhã dessa quarta-feira. O sepultamento ocorreu às 10h30, no túmulo em que o avô dele, Waldemar Silveira Maia, foi sepultado, em 1975.Na Capela Velório Municipal Vale da Esperança, o irmão de Vinicius, Gustavo Maia Carvalho, agradeceu ao carinho dos presentes e disse algumas palavras de despedida para lembrar o tempo de convivência entre eles. Gratidão, gratidão, gratidão! Temos gratidão por Deus conceder a graça de ter vivido ao seu lado e aprender com você. Você é generoso, sensível e gentil. Queria que, no mundo, tivessem tantos Vinicius iguais a você. O corpo vai, mas Vinicius é eterno. Agora, você vai descansar e cantar para outras plateias. Adeus Vinicius”, ressaltou.
Gustavo Maia cantou a música Árvore”, de autoria de Edson Gomes, canção que Vinicius mais gostava, segundo a família. A prima de Mainha, Rogéria Carvalho, ressaltou que, várias vezes, familiares e amigos se reuniram na casa de Gustavo para rezar e destacou que Vinicius ensinou à família o sentido exato da palavra gratidão.
Várias vezes nos demos as mãos, rezamos e mandamos para Mainha muita energia e muita paz. E a gente falava, eu sou paz, eu sou união, solidariedade e, no fim, dizíamos três vezes a palavra gratidão. Foi um efeito Mainha, um efeito Vinicius, ele nos juntou e fez uma família imensa na junção de esforços e empenho em encontrá-lo”, relatou.
Após as palavras de Rogéria, cada familiar e amigo expressou o que Vinicius representava para cada um. Alegria, amor, perdão, gratidão, a música, paz, saudade, natureza, solidariedade, humildade, união, plenitude, energia, simplicidade, generosidade, sabedoria e luz foram algumas das citações. Em seguida, a família e os amigos rezaram a Oração do Pai Nosso.
Demora
O resultado do exame de DNA de uma ossada encontrada no ribeirão Mombaça, em Rio Casca, ficou pronto na sexta-feira (24), e confirmou que se tratava do músico procurado pela família desde janeiro passado. A ossada deu entrada no Instituto Médico Legal no dia 31 de julho, depois de ter sido encontrada por um vaqueiro no dia 29 de julho, na foz do Mombaça com o rio Doce, perto do município de Rio Casca. Ao fim do velório, Gustavo Maia explicou que a morte de Vinicius ainda é um mistério para a família.
É importante falarmos nisso agora, sobre a negligência e desconfiança do poder público frente aos fatos. O inquérito não está fechado, a causa da morte é indeterminada. O quebra-cabeça não foi montado, a gente sabe que isso não vai trazer o Vinicius de volta, mas é preciso de uma satisfação, prosseguir nas investigações e responsabilizar aqueles que se omitiram”, ressaltou.
Liberação
Conforme Gustavo, a família esbarrou na burocracia para conseguir a liberação dos restos mortais de Mainha, porque, segundo ele, o caso gerou um processo e houve a necessidade de uma sentença judicial.
Esperávamos fazer este sepultamento na terça-feira e foi mais um dia de angústia, como se não bastassem os sete meses e meio de espera e sofrimento. Enfim, agora é esperar os fatos desenrolarem e rezarmos para ele descansar em paz e um dia nos encontrarmos”, concluiu.
Para a família, faltou aparato
Conforme informou Gustavo, a família aguarda um laudo antropológico que pode determinar o período exato do falecimento e, talvez, elucidar os fatos. Os familiares e amigos fizeram o trabalho da polícia, principalmente nos primeiros dias de buscas. Se houvesse um aparato mais qualificado de rastreamento, cães farejadores, das equipes da Polícia e do Corpo de Bombeiros, talvez tivesse outro desfecho esta história”, afirmou.
Gustavo destacou, também, que a região onde seu irmão desapareceu abriga animais silvestres e selvagens, e possui um rio que passou por período de alagamento. Segundo ele, a família não sabe se havia alguma lesão, pois o Instituto Médico Legal de Belo Horizonte não apontou esse detalhe no laudo.
Gustavo Maia também agradeceu a todos os amigos que contribuíram nas buscas na tentativa de localizar o músico. Uma mobilização do país inteiro, um blog muito acessado, mensagens de apoio, uma corrente de amor, esta talvez seja a lição de que a humanidade pode ter um caminho bom se as pessoas do bem não se omitirem nas circunstâncias que a vida pede. O Vinicius é uma pessoa muito querida e vamos ficar na saudade”, agradeceu.
O irmão falou ainda sobre as coisas mais amadas por Mainha. A natureza é o que mais tocou Vinicius ao longo da vida. O amor pela música é o que mais fez ele feliz durante a sua existência, e como ele transmitiu a sua alegria de viver, por meio do reggae. Ele era um compositor que deixou uma pequena obra, mas, de muito valor e, infelizmente, só na sua ausência que ela pode ser notada”, resumiu.
Músicas no CD Dançando a Vida
Na entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, Gustavo Maia contou ainda que algumas músicas deixadas por Vinicius compõem o repertório da Banda Nem Secos, de Belo Horizonte, no CD Dançando a Vida”, que será lançado ainda este ano. O CD tinha sido gravado no fim do ano passado, em Belo Horizonte, estava pronto para ser lançado, e os shows prontos para ocorrerem. Trata-se de um CD de MPB com influências musicais do Tropicalismo, internacionais, dos Novos Baianos, Clube da Esquina, Milton Nascimento, jogadas em nossas músicas, na voz de Vinicius Maia Carvalho”, pontuou.
Entenda
O músico Vinícius Maia Carvalho desapareceu quando voltava de Guarapari (ES) para Belo Horizonte, com o pai, em janeiro de 2012, e pulou no rio Doce. Nadou até a margem oposta e embrenhou em uma mata.
Irmãos, outros familiares e amigos informaram que Vinícius teve um surto parecido, há oito anos. Moradores da cidade de Rio Casca, nas proximidades do local onde ocorreu o surto, teriam visto um rapaz parecido com o músico, molhado, andando pela mata e às margens da estrada, mas sem fazer contato com as pessoas.
Desde então, a família mantinha uma busca intensa e uma campanha nas redes sociais na tentativa de encontrá-lo com vida.
O QUE JÁ FOI PUBLICADO:
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