31 de agosto, de 2012 | 00:05
São Camilo começa a atender no sábado
Estado já anuncia ampliações e número de leitos para hospital de Fabriciano
FABRICIANO Em meio a protestos e tumultos, foi, na manhã dessa quinta-feira, a solenidade de reabertura do Hospital São Camilo, em Coronel Fabriciano. Os atendimentos serão iniciados a partir de sábado, 1º de setembro, com pronto-atendimento, UTI e internação. Todos os procedimentos serão feitos pelo SUS e não haverá consultas ou internações particulares.O antigo Hospital Siderúrgica, fundado há 76 anos, decretou falência e fechou as portas no dia 15 de julho do ano passado. Em dezembro de 2011, o governo estadual desapropriou o prédio e iniciou um processo de contratação do novo gestor. A Sociedade Beneficente São Camilo foi escolhida para administrar o novo hospital.
As obras de reforma, lançadas em maio último, duraram 64 dias úteis e resultaram em uma reconstrução parcial do prédio, com nova fachada e nova porta de entrada. A partir da meia-noite deste sábado (1º/09) o pronto atendimento, a UTI e a internação estarão disponíveis para o recebimento da população. Ao todo, serão 51 leitos, 41 internações, 10 de UTI e 12 de para observação.
O secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge, falou da sua satisfação em ver o hospital reaberto e que agora se transforma em uma nova unidade, totalmente confiável. Ele reafirmou que a situação do hospital era muito crítica, assim como o quadro da saúde básica no município. Nós temos aqui uma cobertura da atenção primária que é a pior em todo o estado de Minas Gerais, temos aqui uma ausência de investimentos federais”, criticou.
Antônio Jorge lembrou que o Estado teve dificuldade jurídica de intervir no hospital e a desapropriação foi uma decisão inédita, a fim de retornar a unidade para a sociedade. Então, nós criamos essa sinergia entre a unidade de Timóteo e Coronel Fabriciano onde ganham os dois hospitais em economia de escala e se complementam para prestar serviços que, antes, não eram prestados à sociedade da região”, ressaltou.
Atendimentos
Segundo a diretora administrativa do Hospital São Camilo, Érica Dias, não haverá atendimentos por meio de convênios e nem particular. Tudo será feito 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Precisamos, ainda, ajustar algumas questões como medicamentos pendentes devido à greve da Anvisa”, completou. Segundo ela, a unidade começa a funcionar com uma equipe de 140 funcionários e 30 médicos.
A assessoria de Comunicação da São Camilo disse que o valor total da obra está estimado em R$ 3,29 milhões. Nesta primeira fase, foram gastos R$ 1,6 milhão. A abertura de outros setores, como o bloco cirúrgico, conforme o cronograma de obras, deve ocorrer dentro de 60 dias úteis.
Repasses
De acordo com o secretário Antônio Jorge, o Hospital São Camilo terá um novo contrato de gestão. O Estado não pagará por atendimentos e, sim, por metas. Fizemos um orçamento de ação global e estamos passando um recurso que, na nossa visão, é suficiente, e será pago mediante o atendimento de metas do hospital”, citou. A São Camilo receberá do governo estadual um repasse mensal de R$ 750 mil para a manutenção do hospital.
Primeira ampliação é anunciada
Mesmo inaugurado parcialmente, pois o restante da reforma do prédio ainda será entregue com previsão de 60 dias, o secretário Antônio Jorge anunciou o projeto de ampliação do São Camilo. Vamos liberar, imediatamente, US$ 2 milhões em um projeto que já está aprovado na Anvisa, para ampliar mais 48 leitos aqui neste estabelecimento”, informou.
O secretário garante que as obras começarão assim que a legislação permitir o repasse. Se nós pudermos configurar um parecer de transferência de recurso no momento eleitoral, ele será feito agora, mas se isso não for possível, será a partir do dia 7 de outubro”, explicou.
A ampliação deve implicar na construção de novos andares, sendo 16 leitos por pavimento, além de posto de enfermagem, prescrição, farmácia, apoio administrativo e expurgo.
Claque com secretários da PMCF tenta tumultuar inauguração
Logo no início do evento, manifestantes políticos se empenharam em tentar tumultuar a inauguração do Hospital São Camilo. A presença dos representantes do Estado foi fortemente criticada com vaias e acusações de corrupção. A fala das autoridades se tornou uma verdadeira disputa com os insultos dos manifestantes. Representantes do primeiro escalão da Prefeitura de Coronel Fabriciano, ligada ao PT, inflamavam os presentes a protestar e tentar abafar os discursos. A Polícia Militar foi convocada a reforçar a segurança na entrada do hospital.
Sem condições para discursar, o secretário Antônio Jorge avaliou a inusitada manifestação. Eu tenho 25 anos de vida pública e saio daqui hoje lamentando muito. É próprio da democracia a manifestação e o livre direito à opinião, mas o que nós assistimos aqui hoje foi uma provocação armada da claque profissional (conforme o dicionário Hoauiss: grupo de pessoas pagas para aplaudir), uma coisa deselegante. Eu vi secretários municipais hostilizando e xingando o governo do Estado, no momento em que se entrega uma obra do Estado, por mera mediocridade política” definiu.
Para Antônio Jorge, a população de Fabriciano tem que elevar o espírito e pensar sobre os muitos desafios que o município ainda possui para melhorar a saúde, pois o SUS é de responsabilidade dos três entes da federação: município, Estado e União.
Essas manifestações armadas, o xingamento, a hostilidade, eu acho que isso justifica porque o sistema de saúde aqui esteja assim. As preocupações de ordem político-partidária, as preocupações panfletárias, estão à frente de outras coisas”, alega.
Sobre a distribuição de panfletos afirmando que o Estado gastou R$ 63 milhões e foi obrigado, pela Justiça, a reabrir o hospital, conforme o secretário, é mais uma alegação mentirosa. O hospital reaberto é importante também para a prefeitura, é importante para todos, não precisa ninguém ficar buscando exploração política nisso. O que há é uma decisão judicial dizendo que colocava os três entes de governo responsáveis por essa situação, isso sim é verdade”, pontuou.
Armação
Ainda segundo o secretário Antônio Jorge, o hospital irá oferecer serviços nunca antes prestados à comunidade. Leitos de UTI, plantões de três médicos simultâneos, pediatria, plantão de pediatria. Quero, acima de tudo, resgatar a verdade e dizer que nós não viemos aqui buscar frutos políticos, nós viemos aqui cumprir uma obrigação com a população” finalizou o secretário de Estado de Saúde.
Para o secretário de Estado de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira, depois de tanto sofrimento por um fechamento que nunca deveria ter ocorrido, a festa deveria ser da democracia, com a comemoração pela população. Diante das manifestações, Silveira preferiu falar apenas com a impressa e suspendeu seu discurso no evento.
Foi possível perceber que foi algo completamente armado. Compreende-se que, em processo eleitoral, os ânimos ficam mais acirrados, mas quando percebemos que há uma série de gente remunerada envolvidas em manifestações agressivas, eu preferi me manifestar diretamente à imprensa”, justificou.
O secretário alega que o município de Fabriciano possui uma situação atípica no Estado, onde a administração se fecha ao diálogo com entes federados. Tanto falta diálogo e projetos em Coronel Fabriciano que a gente não percebe nenhuma conquista de governo. Tanto é que o hospital foi fechado por falta de recursos de custeio”, argumenta. Alexandre Silveira destaca que o Estado não está fazendo nenhum favor, mas foi sensível em fazer uma intervenção na saúde pública do município, porque percebeu que este não estava cumprindo a sua missão.
Resposta
Em resposta à acusação de armar as manifestações políticas, o prefeito de Coronel Fabriciano, Francisco Simões (PT), respondeu que tais queixas são levianas. Segundo ele, o governo estadual deveria ter uma consideração mais séria com a saúde do município, principalmente com a reabertura do hospital. Quero inocentar o governador do Estado com quem eu tenho um relacionamento amigável, mas se o hospital estava em um estado deplorável como disseram, porque a sua recuperação durou apenas 60 dias?”, questionou.
Sobre a presença de secretários no meio dos manifestantes, o prefeito rebateu dizendo que os representantes são cidadãos comuns com direito a expressão. Do mesmo jeito que eu fui muito aplaudido eu fui vaiado, o que eu vejo que aquilo traduziu um sentimento de sofrimento de tantos anos da população porque políticos têm usado a saúde como trampolim,” rebateu.
O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE O ASSUNTO
Hospital São Camilo será reaberto na quinta - 28/08/2012
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