31 de agosto, de 2012 | 00:04

“Muita coisa ainda precisa ser feita”

Para promotor de Justiça, cenário da atenção primária à saúde no Vale do Aço é o mais crítico em todo o Estado

FABRICIANO - Com a desorganização e deficiência dos serviços de saúde pública no Vale do Aço, a região demanda conquistas além da inauguração do Hospital São Camilo Fabriciano. A necessidade de regulação e integração de um sistema entre os municípios que compõem o corpo clínico regional é iminente. “Muita coisa ainda precisa ser feita”, avalia o promotor de Justiça do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Saúde de Minas Gerais, Gilmar de Assis, presente à solenidade de apresentação do novo hospital, na manhã dessa quinta-feira (30).
Para o promotor, a situação da saúde regional continua deixando a desejar. “A inauguração do São Camilo é apenas um passo no processo de tentativa de organizar o serviço de saúde local. Todavia, muita coisa ainda precisa ser feita”, observa.
Gilmar de Assis lembra que a formação de uma comissão para diagnóstico das necessidades de saúde dos municípios do Vale do Aço foi deliberada na quarta-feira (29), na reunião de mediação sanitária realizada na Fundação Acesita Aperam. A comissão instituída irá se reunir no próximo dia 17, com o Ministério Público, no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, para traçar as estratégias e finalidades do levantamento das precariedades de saúde locais.
“Posteriormente, de posse do diagnóstico, preconizando todos os níveis de complexidade, ele será levado, durante reunião extraordinária, à Comissão Intergestores Bipartite (CIB). O Estado participará dessa reunião, juntamente com os secretários municipais de saúde da região. Após ser validada, essa reunião irá para uma última instância no cenário estadual. A partir desse ponto, com a aprovação do governo, serão feitos os investimentos necessários para a saúde”, detalha o representante do MP, em face dos procedimentos que precisam ser realizados.
Também presente à solenidade, a promotora de Justiça de Timóteo, Maria Regina Lages Perilli, acrescentou que o levantamento para um diagnóstico completo da situação é um processo que não é imediato. “A solução dos problemas da saúde do Vale do Aço não é possível da noite para o dia. É um processo que iniciamos, daremos sequência e temos a expectativa que com os atores envolvidos e dispostos a conversar e contribuir, com cada um fazendo sua parte, a gente chega lá”, comentou a promotora.
Cobrança
Gilmar pontua que, após a concretização de uma rede integrando os serviços de saúde nos municípios, o usuário saberá com clareza os pontos de atenção que precisa e onde os procurar. O promotor, todavia, é taxativo: “Mas não se organiza os serviços sem que possamos exigir que a base do SUS - a atenção primária à saúde - seja feita com qualidade. E, percebemos que o Vale do Aço é uma das regiões mais críticas de Minas Gerais com relação à atenção primária. Sem esse requisito, estamos em uma posição equivocada, pois permitimos que a população adoeça para tratar a doença, quando deveríamos cuidar da saúde de forma preventiva. O Ministério Público está atento a isto e iremos cobrar”, enfatizou Gilmar de Assis.
 
Choque de gestão pode ser a solução para Ipatinga
Conforme o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques, após se encerrarem as disputas eleitorais, o Hospital Municipal de Ipatinga (HMI) poderá passar por um choque de gestão, para organização funcional da instituição. “Nós já socorremos o hospital com recursos de custeio. O município está sacrificado por vícios de gestão”, observou o secretário.
De acordo com Antônio Jorge, serenados os ânimos eleitorais, o Estado irá apoiar financeiramente o HMI a fim de solucionar os impasses.
“Nós precisamos unir esforços para cumprir um choque de gestão clínica e organização desse hospital. E é preciso que a prefeitura entenda como um apoio e não como uma intervenção”, ponderou.
Segundo o representante do governo mineiro, é fundamental que o município disponibilize recursos para construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com capacidade para atender cerca de 500 pessoas por dia, e assim desafogar os dois pontos de atendimento médico do município. “Aqui em Fabriciano esse atendimento também precisa ser alargado e nós precisamos de mais ambulatórios especializados. Não podemos deixar que a demanda ambulatorial venha para o hospital”, reiterou.
Normalização de atendimento do HMC ainda deve demorar
O superintendente do Hospital Márcio Cunha, Mauro Oscar Soares de Souza Lima, espera que, após a reabertura do hospital São Camilo, em Coronel Fabriciano, ocorra a redistribuição do fluxo de atendimentos médicos na região, o que poderá desafogar a alta demanda recebida na instituição de Ipatinga. Todavia, a normalização do atendimento à população ainda não será restabelecida. “Estamos aguardando o funcionamento efetivo das instalações que estamos visitando (Hospital São Camilo) para retomar o funcionamento normal aos atendimentos do SUS, senão por casos de maior complexidade”, afirmou.
 

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