12 de setembro, de 2012 | 00:00

Funcionários da Rondave recebem o aviso-prévio

Situação seria motivada por falta de pagamento da Prefeitura de Ipatinga

IPATINGA – Funcionários da empresa Rondave procuraram o DIÁRIO DO AÇO, nessa terça-feira (11), para relatar a situação vivida por cerca de 65 empregados, entre monitores e motoristas, colocados sob aviso-prévio. Tal situação, segundo informações, teria sido motivada pela falta de pagamento por parte da Prefeitura de Ipatinga. Confirmadas as demissões, o temor é que o serviço de transporte prestado pela Rondave seja suspenso.
A empresa atua com o transporte de alunos, que são levados a escolas como a Apae, situada no bairro Bela Vista, e ao Projeto Contato, voltado para pessoas com deficiência visual, desenvolvido no bairro Iguaçu. De acordo com Cecília Conceição de Souza Silva, uma das funcionárias sob aviso-prévio, em 30 dias, caso não seja efetuado o pagamento por parte da PMI, o transporte será suspenso, e os 65 empregados serão demitidos. “Nossa preocupação maior não é perder o emprego, mas sim por causa dos alunos, devido à dificuldade que eles têm de ir à aula. E também as mães não têm tempo para pegar ônibus de linha e fazer esse papel. Além da dificuldade financeira”, relata.
Os motoristas das ambulâncias que faziam transporte de pacientes do Serviço de Autorização Médica (SAM) para tratamento, em Belo Horizonte e Governador Valadares, foram demitidos recentemente. “Ninguém fez nada e, agora, mais essa situação. Pedimos que tenham mais amor e humanidade e pensem nos meninos. Estamos sentindo na pele o que é ficar sem esse transporte. A Rondave é para nós uma boa empresa. Esse era meu único emprego, mas a minha preocupação maior é com os deficientes, por saber da dificuldade desses pais em trazer as crianças”, explicou Cecília.
Bruna Lage


Jaquelina Damasceno
Jaquelina Damasceno e seu filho de cinco meses, portador de síndrome de Down, utilizam o transporte até a Apae. Caso o serviço seja suspenso, Jaquelina não terá como levar o filho à escola. “Simplesmente não terei como levar meu filho, porque não tenho como fazer isso todos os dias. Ele precisa de fonoaudiólogo, fisioterapeuta, e sem isso ele não vai se desenvolver. Eu sou mãe e vou correr atrás do que for necessário para manter esse serviço. Já não basta ter tirado as ambulâncias. Eu preciso ir a Belo Horizonte com meu filho, mas não tenho como. A culpa não é da Rondave e todos os motoristas são ótimos, nos tratam muito bem”, acrescentou.
Deficiente visual, Elessandra Maria Rodrigues, de 38 anos, utiliza o transporte há seis anos, desde quando a Rondave assumiu o serviço de transporte. Aluna do Projeto Contato, desenvolvido na Escola Altina Gonçalves, no bairro Iguaçu, Elessandra demonstra preocupação com a situação. “Nosso desespero é muito grande. Já passamos pela situação de ficar sem ônibus em outras ocasiões e é muito difícil. Espero que olhem por nós, e resolvam essa situação o quanto antes”, apelou.
 Posicionamento
Em nota, a Prefeitura de Ipatinga informou que nenhuma das secretarias (Administração, Saúde, Educação e Assistência Social) que mantêm contrato com a Rondave, até o presente momento, foi formalmente notificada sobre a demissão dos funcionários ou sobre qualquer tipo de interrupção dos serviços prestados.
Entretanto, há alguns meses, os contratos da administração municipal de Ipatinga, de forma geral, passam por revisão, redução e renegociação, em função da crise econômica e da queda de arrecadação de receita.
 
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