02 de outubro, de 2012 | 00:00
A responsabilidade na escolha do vereador
Uma grande parte do eleitorado sequer tem noção da rotina de trabalho do vereador”
FABRICIANO Devido ao elevado número de candidatos, apontar os prováveis ocupantes das vagas ao Legislativo é sempre uma incógnita.Muitos eleitores comparam a disputa para a Câmara Municipal a uma verdadeira loteria. Em meio a essa autêntica briga de foice”, os atuais eleitos, por dominarem com mais habilidade as artimanhas da política, levam vantagem na tentativa de garantir mais quatro anos de mandato.
Em Coronel Fabriciano, 197 candidatos concorrem às 17 vagas do Legislativo. Dos 11 vereadores atuais, apenas um deles, Francisco pereira Lemos, não busca a reeleição, haja vista que é o vice-prefeito na chapa de Celinho do Sinttrocel. O campeão de mandatos, Nivaldo Lagares Pinto (PDT), o Querubim, está no exercício do quarto mandato. Timóteo tem 188 concorrentes para suas 15 vagas no Legislativo. Em Ipatinga, são 286 candidatos sonhando com uma das 19 cadeiras. E dos 13 ocupantes nesse mandato, 11 disputam novamente o cargo.
Caso seja novamente vitorioso nas urnas, Nilton Manoel (PSD), assumirá seu sétimo mandato. Questionado sobre o porquê de permanecer no cargo por tanto tempo, ele diz que a Câmara necessita de pessoas experientes, acrescentando que, quem faz um trabalho com honestidade e responsabilidade, é reconhecido pela população”.
O professor universitário, sociólogo e doutor em Educação, Luiz Antônio da Silva, esclarece que a legislação permite ao cidadão oficializar candidatura às eleições por várias vezes, cabendo ao eleitor aprovar ou reprovar essa recondução ao exercício do mandato.
Mesmo com a necessidade de respeitar a soberania do eleitor, o professor considera o sistema muito viciado, de forma a favorecer uma prática clientelista. Uma distorção no sistema político eleitoral, onde uma parcela considerável de vereadores transforma o eleitorado numa espécie de clientela, e se relaciona com o eleitor como se ele fosse um cliente.
Eles agem como se fossem uma espécie de miniprefeito e se perpetuam no poder, reproduzindo uma rede de assistencialismo fazendo um favorzinho daqui e dali”, cita Luiz Antônio. Além de prejudicar o sistema, o professor avalia que isso acaba, de certa forma, prejudicando a imagem do Legislativo, desvirtuando-o do seu real papel de fiscalizar o Executivo e legislar.
Renovação
Luiz Antônio alerta que a renovação não deve ser entendida simplesmente como a troca de um nome pelo outro. Para ele, a questão é como introduzir uma ação política inovadora. As pessoas, muitas vezes, votam no vereador pensando que ele é o representante do bairro, como se ali ficasse mais fácil para ele atender aquela clientela” considerou.
A questão salarial, conforme o analista, é um dos pontos determinantes para a insistência de muitos vereadores na busca pelo poder. Luiz Antônio defende uma reforma política ampla, para aumentar o número de vereadores e racionalizar os salários. Para muitos, ser eleito vereador acaba se tornando um meio de vida. A pessoa coloca o nome dela não para não representar de fato e defender os interesses da comunidade, mas simplesmente para resolver a própria vida financeira”, critica. E isso se confirma porque os vencimentos das câmaras municipais na região são muito superiores ao salário de uma grande parte de profissionais altamente qualificados”, resume.
Representatividade
Entender a real função do vereador e o seu papel na sociedade é outra grande dificuldade da população. Na maioria dos casos, o comportamento dos representantes do Legislativo, durante os quatro anos de mandato, realmente reforça o conceito geral de que vereador não faz nada”.
Para o sociólogo, essa desmoralização do Legislativo é resultado de um desvio no tratamento do poder. Para mudar esse quadro, uma das alternativas seria uma prestação de contas obrigatória no decorrer do mandato. Uma grande parte do eleitorado sequer tem noção do que é o trabalho do vereador e, neste caso, fica uma imagem, talvez verdadeira ou falsa, de que o vereador ganha seus seis ou sete mil reais por mês, indo lá apenas duas ou três vezes por mês”, compara o analista.
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