08 de outubro, de 2012 | 00:00
Uma lição de cidadania
Aos 95 anos, eleitor que testemunhou o Massacre de Ipatinga faz questão de votar
IPATINGA Registrado como eleitor desde 1936, ano em que Getúlio Vargas promoveu um golpe de Estado no país e as eleições foram canceladas, o aposentado Francisco Mário de Oliveira, morador do bairro Bom Retiro, vai completar 95 anos de vida no próximo dia 22. E mesmo não sendo obrigado a votar, não abre mão de exercer o seu direito de cidadão.Na manhã de ontem, acompanhado pela filha caçula Maria Emília Oliveira, ele compareceu à 75ª Seção, na 348ª Zona Eleitoral, instalada na Escola Municipal Padre Cícero de Castro. Teve alguma dificuldade para subir as escadas para chegar à seção em que vota, no segundo andar do prédio. Rapidamente, apresentou o título eleitoral ao presidente da mesa e, na cabine, sentou-se para escolher seus candidatos aos cargos de vereador e prefeito de Ipatinga.
Em todos estes ano em que sou eleitor, eu me lembro de que não votei apenas em 1960, porque não consegui uma licença na empresa em que trabalhava para viajar à minha cidade e votar. Depois disso, transferi meu título para cá. Não sei se esta será a última eleição da qual participo, mas se Deus me der forças, na próxima eu estarei aqui de novo”, afirmou, de forma jovial, Francisco Mário.
Oriundo de Guaraciaba, na região do Vale do Piranga, próximo a Ponte Nova, Francisco mora no Vale do Aço desde 1959. Trabalhou na Usiminas até se aposentar, e foi um dos sobreviventes do episódio conhecido como Massacre do Sete de Outubro”, que completou 49 anos exatamente ontem, dia da eleição municipal. Todos estes por aí que contam histórias sobre aquele fato passam longe da verdade. Eu lembro muito bem que, para não morrer, me atirei dentro de um bueiro numa vala aberta, e só ouvia os tiros passando no alto”, lembra-se a testemunha ocular da história.
Sujeira
Francisco Mário teve 14 filhos com uma das pioneiras na área do ensino em Ipatinga, a professora Natércia de Oliveira e Souza. E mesmo aos 95 anos, continua trabalhando como voluntário em obras sociais no bairro onde mora.
Ele lamentou apenas que os candidatos promovam tanta sujeira em frente aos locais de votação e ruas adjacentes. Se a gente não tiver cuidado ao passar, acaba escorregando em tanto papel jogado à toa no chão. Eles esquecem que os pés não votam, que a gente vota com a consciência e o coração, procurando escolher sempre os melhores candidatos, que sejam pessoas de bem”, concluiu o aposentado.
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