18 de outubro, de 2012 | 00:10

Censo apresenta nova realidade familiar

Novo cenário confirma o protagonismo cada vez maior da mulher como chefe de família

DA REDAÇÃO - Dados do Censo 2010, divulgados nessa quarta-feira (17), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram um aumento significativo das famílias brasileiras sob a responsabilidade exclusiva das mulheres. O percentual passou de 22,2%, há doze anos, para 37,3% para 2010, o ano em que foi realizado o recenseamento. O levantamento ilustra um novo cenário para uma estrutura familiar que rompe paradigmas tradicionais, em face de um crescimento cada vez maior da participação da mulher na sociedade contemporânea.
Nos dez anos do comparativo dos dados apurados, houve aumento de famílias chefiadas por mulheres inclusive na presença do cônjuge (de 19,5% para 46,4%), contra o decréscimo de 77,8% para 62,7% no caso de homem responsável pelo grupo familiar. Os motivos podem ser creditados a uma mudança de valores relativos ao papel da mulher na sociedade e a elementos como o ingresso maciço no mercado de trabalho bem como o aumento da escolaridade em nível superior, combinados com a redução da fecundidade, segundo detalha a publicação do instituto.
 
Nas concentrações urbanas, o tipo mais frequente dentre as famílias que moram na mesma unidade doméstica é o das monoparentais femininas (53,5%) – mulheres que comandam a família sem a presença do cônjuge. O número de casais sem filhos também registrou aumentou expressivo. Mudanças na estrutura da família, maior participação da mulher no mercado de trabalho, baixas taxas de fecundidade e envelhecimento da população, conforme apontado pelo IBGE, influenciaram no aumento da proporção da categoria entre 2000 e 2010, que passou de 14,9% para 20,2% do total.
Vale do Aço
Os dados também se refletem no Vale do Aço, com especificações do predomínio de grupos familiares reduzidos, além de famílias lideradas por mulheres sem a presença de um marido ou união consensual.
Em Ipatinga, os dados do Censo Demográfico de 2010 apresentam um número maior de famílias com menos componentes. Registrou-se 22.448 famílias residentes em domicílios particulares com apenas três pessoas com parentesco entre si. Quanto à classificação familiar por rendimento mensal, o destaque é para famílias gerenciadas por mulheres com filhos, porém, sem a presença do cônjuge: são 740 grupos familiares com renda de até meio salário mínimo por pessoa.
 
No município de Coronel Fabriciano, por sua vez, o número de famílias com três componentes lidera os demais grupos, com 9.372 famílias. Quanto à renda per capita familiar, com categorias como casais com e sem filhos e mulher sem companheiro com filhos, lideram os grupos familiares gerenciados por mulheres e com filhos, mas sem rendimento financeiro declarado.
 
Por fim, o número de grupos familiares com três integrantes também é maior em Timóteo (7.247). Para os grupos classificados por rendimento mensal, as famílias comandadas por mulheres lideram na cidade com melhor IDH do leste mineiro, com rendimento pouco mais otimista que os demais municípios do Vale do Aço. São 255 famílias monoparentais, que vivem com renda de até um salário mínimo por pessoa.

 
“Mudança de paradigma”
 
Para o professor de Sociologia e Direito do trabalho da Faculdade de Direito de Ipatinga (Fadipa), João Carlos Duarte, a ascensão das mulheres com maiores oportunidades nos diversos setores sociais, como o trabalho, política e justiça, pode ser associado “a uma mudança no paradigma democrático inaugurado com a Constituição de 1988”.
Contudo, sem desmerecer conquistas, o professor critica o que entende ser uma suposta “libertação” das mulheres, traçando um paralelo a períodos históricos.
“No âmbito histórico, a poderosa Inglaterra – gigante no tráfico de escravos por três séculos - passou a defender o fim do trafico e o fim da escravidão no fim do século XIX, quando percebeu que o escravo não era consumidor. A pseudolibertação era condizente com as novas engrenagens econômicas. Não se pode negar que o atual estágio de um capitalismo globalizado e sem fronteiras, ávido por um maior mercado consumidor, tenha contribuído em muito para o acesso de maiores oportunidades para as mulheres contemporâneas”, discursou.
 
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