18 de outubro, de 2012 | 00:11
Drama em tratamento contra Hepatite C
Timoteense luta na Justiça para fornecimento de remédio de R$ 10,5 mil, suspenso pelo Estado
TIMÓTEO Depois de mais de 40 anos, Creusa Rosa Soares do Carmo Souza descobriu que tinha Hepatite C. Uma transfusão de sangue, feita aos seis anos de idade, resultou na contaminação pelo vírus, mas só no ano passado a doença se desenvolveu. Somado ao drama da doença, a escritora timoteense, hoje com 50 anos, trava uma luta para receber um medicamento essencial no tratamento, mas cujo custo é de R$ 10,5 mil a caixa, contendo 336 comprimidos, suficie9ntes para um mês de medicação.Em agosto do ano passado, Creusa Rosa teve uma reação alérgica na pele, causada por um produto de cabelo. Ao procurar uma dermatologista, foi apontado que ela poderia ter um problema no fígado. Submetida a um exame de sangue chamado HVC, hou8ve a constatação da Hepatite C.
A descoberta desse tipo raro de vírus causou desespero e mudou a rotina na vida de Creusa Rosa. Em outras consultas, foram exigidos novos exames para saber o quantitativo e o qualitativo do vírus, indicando 41.958 UI/ML em seu sangue. O médico determinou, então, o início imediato do tratamento, sendo um único método existente atualmente no combate a esse tipo de hepatite.
Segundo relatório médico, Creusa é portadora de hepatite viral crônica e seu tratamento deve ser com terapia tripla com Interferon Peguilado, Ribavirina e Boceprevir para alcançar um resultado satisfatório. O terceiro medicamento, no entanto, o Boceprevir, só foi incluído no tratamento em janeiro deste ano, depois que a paciente já utilizava dos dois primeiros.
No início, quando usava apenas os dois remédios, ela relata que sofreu fortes efeitos colaterais, tão agressivos como o de uma quimioterapia. Além de alergia ao medicamento, que a obrigou a interromper o tratamento, Creusa Rosa também teve hemorragias, enjoos, baixa resistência imunológica e queda de cabelo. Foi preciso raspar a cabeça e tudo isso provocou sérios impactos emocionais e sociais para ela e o marido.
Um diagnóstico de cirrose hepática também foi confirmado e, atualmente, seu fígado funciona com apenas 60% da capacidade. Em janeiro deste ano, Creusa teve a prescrição do terceiro medicamento: o Boceprevir não está incluindo no sistema do SUS, e também não é encontrado em farmácias, pois custa R$ 10,5 mil.
A dosagem de 12 comprimidos por dia reduz o tratamento normal de 48 semanas para 28 semanas, sendo mais eficaz e controla os efeitos colaterais. Salientamos que o esquema terapêutico com a inclusão do Boceprevir apresenta eficácia terapêutica, cientificamente comprovada, superior à alternativa terapêutica oferecida pelo SUS (Interferon Peguilado e Ribavirina)”, reforça o laudo médico.
Processo
Por decisão judicial, a timoteense teve direito ao fornecimento gratuito do remédio pelo governo estadual, durante dois meses. Ao tentar buscar a terceira caixa, Creusa Rosa teve uma triste surpresa. O Estado foi vitorioso em segunda instância, após um recurso interposto no processo, seguindo-se a suspensão do fornecimento do remédio.
Cada caixa contém 336 comprimidos, suficientes para o uso de 28 dias, mas desde a última segunda-feira (15) ela não toma o Boceprevir. De acordo com o marido da paciente, Geraldo Hilário de Souza, 53, no recurso o Estado alega que a eficácia do remédio não foi comprovada. Mas nós temos exames dela feitos neste ano que provam o grande avanço no tratamento após o uso do Boceprevir”, contesta.
A família entrou com novas documentações, inclusive exames médicos para comprovar a redução da presença do vírus. O marido teme que a suspensão do tratamento retarde todo o avanço conquistado nos últimos meses.
Luta
A luta de Creusa Rosa não se restringe ao fornecimento do remédio, agora ela quer divulgar os efeitos e riscos da doença. Com um vídeo postado na internet, ela espera ajudar outras pessoas com o mesmo problema, mas muitas vezes com pouco conhecimento. Essa luta não é só pra mim, há outras pessoas nesse drama. A rede pública tem esse remédio e o dinheiro é nosso também. Por que interromper um tratamento que já estava trazendo resultados?”, questiona.
Mesmo depois de sofrer as dores dos efeitos dos remédios, Creusa tem esperanças de continuar seu tratamento e ter chances de eliminar a presença do vírus em seu organismo, voltando a ter uma vida normal. O meu caso é grave, mas essa é a minha chance. Tem os efeitos e as dores, no entanto, os exames comprovam que vale a pena”, conclui Creusa Rosa.
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