04 de novembro, de 2012 | 00:00
Um artista que marcou história em Timóteo
João Pinto Filho, ex-projetista da antiga Acesita, falece em Belo Horizonte próximo de completar 85 anos
BELO HORIZONTE O município de Timóteo perdeu nesta semana um importante personagem do início da sua história. Mas a arte de João Pinto Filho, a sua trajetória e as heranças deixadas para o município, ainda serão conhecidas por muitas gerações. João Pinto foi funcionário da antiga Companhia Aços Especiais Itabira (Acesita) por mais de 40 anos, criador da bandeira e do brasão oficiais do município e autor da pintura dos azulejos da Igreja Matriz de São Sebastião, em Timóteo.Natural de Itabira, nascido em 1917, o artista faria 85 anos na próxima terça-feira (6). Mas complicações respiratórias debilitaram a sua saúde no último ano, culminado em seu falecimento na madrugada da última sexta-feira (2). João Pinto foi enterrado em Belo Horizonte, no fim da tarde do mesmo dia.
Aos 18 anos, o pioneiro chegou ao Vale do Aço para trabalhar na antiga Acesita onde permaneceu por quase quatro décadas. Pai de quatro filhos, sete netos e sete bisnetos, João Pinto foi casado por 62 anos com Nair Ruiz Pinto, 78, e residia na capital mineira desde que foi transferido de Timóteo para o escritório da empresa em Belo Horizonte.
Personalidade
Em entrevista por telefone, Nádia Maria Ruiz Pinto, a única filha mulher de João Pinto, relata que o pai era bem humorado e feliz até seus últimos dias de vida. Ele era um paizão, maridão, querido por todos e não só pela família. Até o fim da vida ele estava muito lúcido”, contou.
Sobre o tempo em que morou na região, Nádia Maria afirma que ele foi muito feliz, tendo muitos amigos e lembranças boas para contar dos tempos da companhia. Foi responsável também pela fundação da Loja Maçônica de Timóteo e de inúmeras decorações dos famosos carnavais timoteenses.
Criações
João Pinto atuava como projetista na Acesita quando, por meio de um concurso municipal, foi responsável pela criação da Bandeira e o Brasão de Timóteo, instituídos pela Lei nº 179 de 22 de janeiro de 1968. Na escadaria da Igreja São Sebastião de Timóteo, os azulejos pintados ajudam a contar a saga dos pioneiros e da empresa âncora que ajudou no desenvolvimento do Vale do Aço.
Mais de 40 anos depois, a obra é ainda uma importante referência cultural para os moradores do município. Aos poucos a arte deixada por ele sofre o desgaste do tempo e de ações de vandalismo. O patrimônio necessita de um trabalho de restauração, pois algumas peças de azulejos foram arrancadas.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]















