25 de novembro, de 2012 | 00:00

Problemas que se repetem a cada ano

Para analista da Defesa Civil Estadual o grande problema das áreas de risco é cultural

TIMÓTEO – Em passagem pelo Vale do Aço, o analista técnico da Defesa Civil Estadual, Claudenir Miguel falou ao DIÁRIO DO AÇO sobre as ações preventivas necessárias para o período chuvoso, como forma de evitar problemas principalmente à população que reside em locais considerados de risco. Além do alerta máximo nesta época do ano, o analista considera o papel do município junto aos moradores fundamental como forma de prestar orientações. O Vale do Aço, segundo ele, é uma das regiões que preocupam, pois todos os anos os problemas se repetem.
DIÁRIO DO AÇO - Há uma grande dificuldade de convencer as pessoas a sair do local de risco. Como é feito o trabalho para quebrar essa resistência?
CLAUDENIR MIGUEL - A gente faz um trabalho de alerta à população, com divulgação em cartazes, por meio da mídia, alertando para período onde os problemas mais graves ocorrem em áreas sujeitas a inundações. Então é um trabalho complexo que deve ser feito diariamente e o município onde esses problemas ocorrem devem ter esse trabalho também. Mas a população de áreas de risco precisa tomar algumas medidas de segurança, para não colocar sua vida em risco. Mas o nosso grande problema hoje é cultural, as pessoas não acreditarem que podem acontecer com elas qualquer tipo de dano, então nós estamos tentando trabalhar essa mudança cultural.
DA – Como são os sinais de riscos?
CLAUDENIR MIGUEL - Isso depende muito da região onde as pessoas vivem. Se é uma região onde o problema é inundação, enchente no curso d’água, a população deve ficar alerta quanto ao nível do rio. O município de Caratinga é um exemplo, por ter criado um sistema de alerta na cidade com sirenes e instalação de réguas ao longo do rio. Existe também um canal de TV que no período de chuva fica com uma câmera ligada no rio e as pessoas podem acompanhar o nível do rio. A população precisa ficar atenta a esses sinais, se for uma área onde há problema de desmoronamento o solo encharcado ou pequenos deslizamentos de terra são indicativos de problemas maiores.
DA- E para aqueles que não podem acompanhar o nível do rio ou outros sinais, que recursos eles podem buscar?
CLAUDENIR MIGUEL - Cada município tem um telefone da Defesa Civil para que a população possa fazer esse contato e os governos municipais precisam fazer essa divulgação ao cidadão, sobre os números de emergência ou criar outros sistemas por meio de rádio, sinos de igrejas, sirenes. São várias ferramentas a serem utilizadas para alertar a população.
DA – Qual a orientação para quem tem uma residência ameaçada?
CLAUDENIR MIGUEL - A primeira coisa a fazer é deixar o local, o grande problema é que as pessoas querem tentar salvar os seus bens e ai, perdem a vida. Então, a primeira coisa é procurar um parente ou amigo que mora em local seguro e lá permanecer até que a situação passe. O outro papel importante é do município em fazer o mapeamento da área de risco e saber quais os locais onde há possibilidade de sofrer algum problema e aquela população ser alertada e saber para onde deve ir, mas, isso deve ser feito com planejamento da Defesa Civil municipal junto à população.
DA – Como é o trabalho preventivo da Defesa Civil Estadual?
CLAUDENIR MIGUEL – Temos uma escola para capacitação de agentes municipais para que eles possam, no período de normalidade, fazer o mapeamento, o plano de contingência, alertar e fazer campanhas mesmo antes do período crítico. O trabalho deve ser feito todo dia, o ano todo e não esperar apenas pelo período chuvoso.
DA – Já existe algum município em alerta ou com sérios riscos em função da chuva deste ano?
CLAUDENIR MIGUEL - Tivemos alguns problemas com chuvas, sim, mas ainda não foram aqueles eventos de nível 3 ou 4 que significam emergência. Mas temos um trabalho de alerta onde são emitidos avisos meteorológicos para os municípios quando há uma previsão de chuva forte.
DA – O Vale do Aço é considerado uma área de risco constante?
CLAUDENIR MIGUEL – O Vale do Aço, a região do Rio Doce, a Zona da Mata são regiões do estado que nos preocupam com problemas referentes à chuva. Os problemas são recorrentes e os municípios já sabem o que vai acontecer porque, sempre acontece. Mas o trabalho é muito grande, muita coisa tem sido feita, mas infelizmente grande parte da população não tem essa percepção de risco.
 

Ações preventivas da Defesa Civil
 
O coordenador da Defesa Civil de Timóteo, Max Valgas, conta que a partir desta semana as assistentes sociais do órgão visitarão as áreas de risco do município para orientar as famílias sobre os perigos e necessidade de sair do local em caso de fortes chuvas. “Os locais são os mesmos atingidos em 2011, onde as famílias já têm consciência do perigo do local onde construíram suas casas”, considera.
Em Fabriciano, Irnac Valadares conta que vários projetos estão em andamento nas áreas de riscos. E que no mês de fevereiro deste ano houve uma equipe de geógrafos fazendo um mapeamento e agora é possível saber a que tipos de eventos o município está sujeito. “Mas é claro que não estamos livres dos riscos, mas é importante que os moradores respeitem esse movimento das águas no período chuvoso” ressaltou.
Em Ipatinga, o coordenador da Defesa Civil Noé Pedro afirma que desde o mês de agosto o departamento tem feito um trabalho preventivo, monitorando todo o município e também a Ilha do Rio Doce, em Caratinga. “Temos esse ano uma campanha preventiva também nas escolas para orientar sobre os desastres mostrando situações reais que aconteceram em Ipatinga” complementou.
 
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