08 de dezembro, de 2012 | 00:00
Crimes assustam no Bom Retiro
Comerciantes e população protestam contra insegurança e crescimento do tráfico de drogas
IPATINGA - "A população do bairro Bom Retiro pede socorro. Estão roubando nossa paz". A frase em uma faixa colocada na avenida Pero Vaz de Caminha alcançou repercussão nas redes sociais nesta sexta-feira (7). Usuários do Facebook no Vale do Aço compartilhavam na Internet a imagem do protesto dos moradores e comerciantes de uma das principais áreas de bares do município reivindicando mais segurança. Segundo os moradores, uma onda de violência tomou conta do bairro, com assaltos, roubos e invasões a domicílios motivados pelo tráfico de drogas.Autor da faixa, o aposentado Amilton Loures, 68 anos, conta que mora no bairro Amaro Lanari, em Coronel Fabriciano, mas que na maior parte do tempo está no Bom Retiro, pelo fato de sua mãe residir no bairro. "Minha família é vítima desta realidade. Tenho dois irmãos que foram assaltados em plena luz do dia. O prédio onde minha mãe mora, inclusive, já foi invadido várias vezes", lembra.
O aumento das ocorrências de roubo, furto e assalto no entorno vem aumentando nos últimos cinco meses, segundo denuncia o comerciante Wemerson Ângelo, 34 anos. Conforme relata, "há um cenário de tráfico pesado no bairro". "Eu tenho medo, confesso. Há um muro de apavoramento que cercam os comerciantes e moradores daqui. E infelizmente não temos retorno da polícia. Essa faixa (foto) retrata o terror e a falta de segurança que enfrentamos", desabafa.
Wemerson destaca que existia antigamente um posto policial no bairro e oficiais realizavam patrulhas usando viaturas, cavalos ou bicicletas. "Hoje vemos uma viatura que passa no bairro durante o dia ou à noite, o que é pouco. Percebemos uma redução no contingente de policiais", reclama. Próximo do comerciante, o morador Wesley Pereira, 35 anos, completa: "E ligar no 190 não está resolvendo. Ninguém atende!".
Segurança
Por sua vez, o presidente da Associação de Moradores do Bairro Bom Retiro, Vitor Hugo Dornas, 65 anos, afirma faltar um serviço de inteligência na Polícia de Militar para atuar no tráfico de drogas que ocorre no município, com destaque para o bairro. "E falta boa vontade do poder público. A polícia sabe onde se localizam os traficantes, e parecem ignorar os adolescentes e jovens que utilizam drogas na orla dos bares. A verdade é que enquanto estamos debaixo dessa capa de 'não reaja' o marginal toma gosto pela coisa. Há mesmo segurança em não reagir?", questiona, com os ânimos exaltados.
Empenho
Comandante responsável pelo patrulhamento do bairro, tenente Cleudis, respaldou que há um empenho em ações e operações policiais principalmente neste período do ano, devido as festas de fim ano. "É evidente que ocorram alguns fatos que não temos como evitar, mas as ações da PM para combater e coibir os roubos, assaltos e outros delitos estão sendo adotadas, dentre elas o lançamento de um efetivo maior e alocação de setores, como a banda de música e a administração para coibir isto nesse período natalino", pontuou.
Sem maior disponibilidade nesta sexta-feira para se posicionar diante de todas as questões colocadas pelos moradores, o oficial, contudo, se dispôs a discutir o assunto mais afundo na próxima semana.
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