08 de dezembro, de 2012 | 00:00

Funcionários do Samu protocolam documento no Ministério Público

Administração entende ameaça de greve como “ilegal e arbitrária”

IPATINGA – Funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), protocolaram documento junto ao Ministério Público Federal, além de entregar cópia na prefeitura, onde cobram solução para a falta de funcionários, escala defasada, entre outros itens.
Os funcionários alegam que não há médicos na escala do fim de semana para receber as ligações e cumprir os protocolos de regulação para despachar as ambulâncias e ainda atender aos casos graves que exigem a presença do médico. Ainda conforme os funcionários, a compensação financeira paga a todos os médicos que trabalham no setor de urgência e emergência foi cortada, o benefício foi incorporado aos salários há seis anos e equivale a 50% do salário base.
Segundo o médico socorrista do Samu, Geraldo Martins, a equipe está aberta ao diálogo por querer o reestabelecimento do serviço. “Existe um déficit de funcionários, o que gera um atendimento que não é o adequado. E isso leva a não haver um atendimento adequado. A ambulância, que é uma UTI móvel, não pode ficar sem médico, quando isso ocorre nosso tipo de atendimento cai, segundo os protocolos. Entendemos que o momento é difícil, mas com diálogo podemos chegar a um entendimento”, avaliou.
 
Para Geraldo, a possível greve, que estaria marcada para o dia 10 dezembro, é um termo “muito forte”, pois o intuito é deixar a população a par do que vem ocorrendo. “Nós, médicos, prezamos pelo bem comum, nosso prêmio maior não é o salário e sim salvar a vida do munícipe. Esperamos que a administração tenha esse mesmo entendimento, somos pessoas sérias e que querem fazer o bem. Tudo tem que ser resolvido na base do diálogo. Se o serviço continuar a funcionar do jeito que está, poderá geral um caos ainda maior”, ponderou.
Gravidade
Para o também médico do Samu, Alberto Dias Campos, a situação é grave e necessita de atenção. “Vivemos um déficit muito grande, para falar a verdade, falta tudo, principalmente respeito às pessoas que necessitam do nosso serviço, e quando falamos de população, falamos de vida. Infelizmente, o rumo que tomou nosso serviço causa indignação, falta capacidade de atendimento adequado devido ao déficit de profissional. Perdemos em menos de seis meses cinco médicos e temos um grupo de cinco pessoas que estão determinadas a se desligar do serviço por completo na quarta-feira (12), prazo dado para a prefeitura resolver o problema. Desse grupo atual, são seis médicos concursados e nove que não são. Temos tentado cumprir a escala com déficit e manter o usuário atendido, mas infelizmente não tem sido a nossa realidade”, declarou.
Posicionamento
Procurada, a prefeitura de Ipatinga emitiu uma nota assinada pela Secretaria de Saúde com a seguinte íntegra: “O Serviço Móvel de Urgência foi notificado a cumprir a jornada de trabalho de 24 horas semanais em cumprimento da Lei 2.192 de 09/06/2006, para receber a compensação financeira pela jornada diferenciada de 50% sobre o vencimento do servidor. Entretanto os médicos continuaram a cumprir a carga horária de 20 horas, motivo pelo qual não fazem jus à referida gratificação, portanto não foi descontado valor indevido a nenhum dos médicos do SAMU. A PMI ressalta que já estão sendo tomadas medidas para reduzir o déficit de pessoal, dentre elas a “relotação” de dois servidores administrativos e ainda a contratação de 13 técnicos de enfermagem e oito condutores socorristas para cobrir o déficit na escala. A prefeitura informa, ainda, que já foi autorizada pela Secretaria de Saúde a aquisição de um sistema informatizado para atendimento das ocorrências. A administração entende que a ameaça de greve feita pelo SAMU a partir do dia 10 de dezembro se tornará ilegal e arbitrária se efetivada. Esta administração toma todas as providências jurídicas cabíveis para garantir o atendimento de urgência e emergência àqueles que necessitarem do serviço”. 
SOBRE O ASSUNTO:

Serviço de urgência funciona com restrições - 10/11/2012
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