09 de dezembro, de 2012 | 23:21

Fim do IPI em contagem regressiva

Redução no imposto, que favoreceu mercado em 2012, deve ser encerrada em dezembro

IPATINGA – O ano de 2012, marcado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ajudou a aquecer as vendas do setor automotivo. Para 2013, o desafio é manter a média, em um ano que promete ser desafiador para o setor. Apesar do fim do desconto – que deve ocorrer no fim do mês, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega -, gerentes de vendas em Ipatinga estimam crescimento para o próximo ano.
Segundo o diretor comercial da Brasauto, revenda Ford em Ipatinga, Jarbas Moreira, o segmento de carros em que a Ford é líder de mercado, corresponde à faixa de R$ 50 mil. Em tais carros, o impacto do IPI não é tão alto quanto nos veículos 1.0. “Quem tem seu mix de vendas voltado para essas unidades, sentirão realmente perda de crescimento durante o período 2013, nós também vamos sentir, como no caso do Ford Ka e do Fiesta. Mas os nossos lançamentos para 2013 vão ser todos no segmento Premium, o mais alto, com motorização 2.0 ou acima, como a nova Ranger, o novo Fusion. Então, estamos com expectativa de continuar crescendo em 2013”, declarou Jarbas.
 
O diretor comercial pontua que, do mês outubro até dezembro, foi registrada certa acomodação em relação à questão do IPI, no mercado como um todo. “As pessoas se acomodaram, acreditando que o IPI seria sempre prorrogado novamente. Notamos que o Brasil não está tendo um crescimento e a tendência é que, em 2013, o governo tenha que tomar uma decisão em relação ao imposto, como tem feito com máquinas e equipamentos, reduzindo a carga tributária para a construção civil”, comparou.
 
A Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), prevê encerramento de 2012 com expansão nas vendas de 4% a 5% no acumulado do ano ante o mesmo período de 2011. Além disso, projeta a venda de mais 669,3 mil veículos até dezembro, totalizando 3,8 milhões no ano. Atualmente, o estoque de veículos está em 316 mil unidades, número considerado razoável para abastecimento regular do mercado.
Para 2013, entretanto, apesar da estimativa de crescimento, ainda não há previsão quantificada. Para 2013, os fabricantes e revendedores de veículos não contarão mais com a desoneração e continuarão operando em um mercado com crédito mais restrito do que na época da primeira redução do IPI, em 2009. Esse fator contribuiu para mudar o perfil de quem adquire veículos, já que as financeiras fazem mais exigências.
Bruna Lage


Jarbas Moreira
Agregado

De acordo com o gerente de vendas da Dinauto, concessionária Fiat, Kléber Firmino, é esperado crescimento nas vendas, assim como tem sido anunciado 4% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). “Esperamos crescer da mesma forma. Em 2012, vendemos menos em relação ao ano passado, mas se não fosse a redução do IPI, o ano teria ficado muito pior. Um carro 1.0, por exemplo, onde o IPI era de 7%, a fábrica entrou com mais 3%, então o carro teve 10% de desconto. Assim, se o seu valor era de R$ 30 mil, caiu para R$ 27 mil, sendo metade das vendas financiadas”, relatou.
Na linha Ford, Jarbas Moreira explica que o carro 1.0 teve uma redução de R$ 2 mil a R$ 3 mil, variando de acordo com o que o veículo tem agregado, como acessórios. No caso de modelos como o Fiesta e o Ford Ka, não existem unidades para pronta entrega há mais de cinco meses. “As vendas foram boas e poderia ser melhor se tivéssemos mais automóveis. Mas podemos considerar que foi uma venda excelente, o preço do carro ficou muito bom, principalmente o que veio com airbag e freio ABS, além do modelo que vem de fabrica com ar, direção hidráulica, vidro elétrico, trava elétrica e alarme. Esse carro é o mais procurado na região. Estamos recebendo na fábrica e entregando para o cliente, temos fila de espera”, observou.
Bruna Lage


Kleber Firmino
Demissões

As demissões efetuadas pela Usiminas nos últimos anos afetaram as vendas das concessionárias na região, conforme explicam os gerentes. “Nós emplacávamos em torno de 700, 800 carros por ano, mas com as demissões da Usiminas, esse funcionário que permanece na empresa está inseguro de fazer uma prestação, sendo que mais de 80% das vendas são financiadas. Então, eu digo que nós sentimos muito com isso aqui na região, ao contrário de outras praças onde temos lojas, como Guanhães, Governador Valadares, que estão com pequeno crescimento, mas crescendo. Aqui, no Vale do Aço, sempre foi aquecido, mas por causa dessas demissões, tenho percebido que o emplacamento tem diminuído, de um tempo pra cá, mas espero que melhore”, avaliou o gerente da Brasauto.
Kléber Firmino reitera o discurso e pontua que “as demissões têm afetado as vendas nesses dois últimos anos, situação que levou a concessionária a ficar estagnada no mesmo volume de vendas de veículos nesse período”. “A perspectiva é buscar novos mercados e, para virar o jogo, estamos fazendo visitas a outras cidades onde não tínhamos foco, para continuar crescendo”, disse o gerente de vendas da Dinauto.
Mudança
Para o gerente da Brasauto, o público brasileiro mudou, e as grandes marcas estão trabalhando com queda de volume, mas com aumento na qualidade de venda em relação aos valores dos carros. “Estamos vendendo carros mais caros, para esse público que vem crescendo financeiramente. Espero 2013 com um valor agregado mais alto, com um volume mais baixo, tendo uma venda de maior qualidade, que contemple a lucratividade das montadoras e das concessionárias”, concluiu Jarbas Moreira.
 

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