09 de dezembro, de 2012 | 00:00

ARMVA apresentada a empresários

Encontro promoveu debate sobre o desenvolvimento econômico regional

IPATINGA – O funcionamento da Agência Metropolitana do Vale do Aço (ARMVA), foi tema de uma reunião nesta semana, com as diretorias da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Ipatinga (Aciapi) e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), de Ipatinga. A apresentação faz parte de uma série de reuniões com entidades representativas da região, como a regional Vale do Aço da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), associações comerciais de Timóteo e Coronel Fabriciano e agências de desenvolvimento de Ipatinga e de Timóteo.
Antes de explicar a ARMVA para os empresários, o diretor geral, Thales Rezende Coelho Alves, conversou com a reportagem do DIÁRIO DO AÇO, quando explicou que o setor produtivo deverá ser envolvido nas discussões, pois o foco de todo o trabalho será justamente o desenvolvimento econômico regional. “Estamos tratando de garantir que o Estado volte seus olhos para o Vetor Leste de crescimento. Temos chamado o empresariado e oferecido nossos trabalhos para encaminhar demandas e soluções. Aqui, hoje, o nosso principal trabalho é apresentar o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI)”, enfatizou.
 
Depois, durante a apresentação, o diretor foi questionado pelos dirigentes empresariais em relação à configuração geopolítica do Vale do Aço que, em 2013, terá todos os quatro prefeitos da Região Metropolitana de um mesmo partido, e que faz oposição ao governo estadual. Para o diretor da Agência, o momento é de pensar de forma federativa. “O convencimento geral da região é que precisamos nos voltar para a mesma direção. Não adianta um ir contra o outro”, pontuou.
 
Sobre sua indicação para o cargo de diretor geral da ARMVA, Thales Rezende disse que tem uma vinculação muito grande com o governador Antonio Augusto Anastasia, de quem já foi aluno. “Poderia ter sido indicada para o cargo uma pessoa de Timóteo, Fabriciano ou Ipatinga, mas acredito que foi justamente para evitar quaisquer conotações bairristas que o governador optou por indicar um diretor de uma cidade do Colar Metropolitano”, enfatizou. Thales é formado em Direito e é natural de Inhapim.
Alex Ferreira


Presidente e Thales
Básico

Apesar do esforço na tentativa de chamar o empresariado, a ARMVA tem desafios básicos a vencer, pois mesmo entre alguns formadores de opinião falta a compreensão até do que seja de fato a Região Metropolitana do Vale do Aço (composta por quatro municípios: Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso), e o Colar Metropolitano, composto pelas cidades de Antônio Dias, Açucena, Braúnas, Bugre, Belo Oriente, Bom Jesus do Galho, Caratinga, Córrego Novo, Dom Cavati, Dionísio, Entre Folhas, Iapu, Jaguaraçu, Joanésia, Mesquita, Periquito, Naque, Sobrália, Ipaba, São João do Oriente, Vargem Alegre, Pingo D’Água, Marliéria e São José do Goiabal.
A RMVA foi criada pela Lei Complementar 51/98, de autoria do então deputado estadual Ivo José. Depois, recebeu mais três complementos, um dos mais recentes criou a Agência Metropolitana do Vale do Aço (ARMVA), e outro anexou os municípios de Caratinga e Bom Jesus do Galho ao Colar Metropolitano.
Estudo
O vice-diretor geral da Agência Metropolitana, Anfilófio Sales (ex-presidente da Fundação Acesita), explicou que o grande trabalho da agência, no momento, é o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, que dará oportunidade para um estudo da região, com uma visão metropolitana. O projeto deve ficar pronto dentro de 20 meses, desenvolvido por técnicos da região, ligados ao Centro Universitário de Minas Gerais (Unileste). “Este será um estudo técnico que pensa o Vale do Aço para 2030. Vai nos dar um direcionamento, com participação de toda a sociedade e dos prefeitos que assumem em 2013. A agência, sozinha, não fará nada”, alertou.
Para o presidente da CDL de Ipatinga, Márcio Penna, toda a região tem perdido muito com a demora na solução de gargalos na infraestrutura rodoviária e equipamentos básicos. “Todos aqui sabem que a falta de atendimento de algumas demandas tem impedido a região de se consolidar como referência estadual e nacional em termos de desenvolvimento. Ainda assim, vemos notícias recentes, que apontam Ipatinga em lugar de destaque para receber investimentos, como foi divulgado pelo Sebrae e pela Firjan”, observou.
 
O dirigente colocou a sede das entidades representativas do comércio à disposição e manifestou a vontade de somar forças e encontrar soluções. O presidente da Aciapi, Gustavo de Souza, por sua vez, afirmou que a apresentação da agência mostra que, finalmente, a proposta sai do papel, depois de 14 anos. “O setor privado não pode se afastar da discussão das políticas públicas. Por isso, reunimos nossos diretores para que todos fossem informados do andamento da efetivação da Agência Metropolitana. O que precisamos é de um órgão que aproxime o governo do Estado com o desenvolvimento econômico da região”, explicou Gustavo de Souza.
 
 
Wôlmer Ezequiel


feira ipatingão

Empreendedores reivindicam participação nas deliberações
 
 
Falta de estrutura logística e de um centro de abastecimento, antiga reivindicação regional, encarece produtos e serviços
 
Conselheiro fiscal da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Ipatinga, Adalton Toledo de Lima afirma que um dos assuntos que mais chamaram a atenção na apresentação foi o questionamento sobre demandas antigas do Vale do Aço, como a instalação de uma Central de Abastecimento (Ceasa). Segundo o comerciante do setor supermercadista, a viagem à Ceasa, em Belo Horizonte, para buscar os produtos, poderia ser evitada.
“O jiló sai do Vale do Aço, passa em Ipatinga e vai para a capital. O mamão vem da Bahia, passa aqui amassando na viagem e vai para a Ceasa. Temos que ir lá e trazer de volta. São exemplos claros de falha estrutural de logística que seria resolvido se aqui existisse uma central de abastecimento. Se não é a viagem perigosa e cara, é a feira debaixo de sol, chuva e poeira no estacionamento do Ipatingão, para comprarmos os alimentos e abastecer o comércio”, reclamou.
Alex Ferreira


Carlos, Adalton e Nathaniel
Outro lojista, José Carlos de Alvarenga, afirmou, ao fim da apresentação do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado que se for colocado em prática, será um grande avanço para a região. “Porém, precisamos colocar em prática, porque de papel estamos cheios e isso já vem de muito tempo. Mas é verdade que devemos confiar, mais uma vez”, concluiu.
O contabilista e administrador Nathaniel José Vieira afirmou que a iniciativa é interessante. No seu entendimento, falou-se muito em planejamento, mas em nenhum momento houve provas de que as diretrizes deliberadas foram construídas em conjunto com outros municípios, os secretários de desenvolvimento e representantes da sociedade civil.
“Da nossa parte, posso afirmar que o empresariado é fundamental para o apontamento do que realmente é necessário para se fazer e desenvolver políticas públicas que vão proporcionar o desenvolvimento local ou regional”, assinalou.

Ainda segundo Nathaniel Vieira, é possível acreditar numa agência, mas a partir do momento em que ela trabalhe de forma conjunta com os municípios, entidades de classe, de uma forma propositiva. “Não de forma impositiva, onde isoladamente identificam os caminhos que devem ser seguidos e apresentam as conclusões sem que haja uma discussão maior, com todos os interessados”, pontuou.
 
 
Alex Ferreira


carlos eduardo

“A região perde recursos e o Vale do Aço não pode mais esperar”
 
 
O arquiteto e urbanista Carlos Eduardo aproveitou a reunião para explicar que, há 42 anos, mora em Ipatinga, e observa que, ao longo dos últimos anos, muitas famílias foram embora do Vale do Aço, num caminho inverso ao de uma década atrás. “Perdemos valores, empreendedores, geradores de impostos e recursos. Foram embora porque a região deixou de oferecer oportunidades”, enfatizou.
O governo do Estado tem força e poder para gerir projetos de desenvolvimento. Força, inclusive, para resolver questões emergenciais, como recuperar uma ponte fechada há mais de um mês entre Timóteo e Coronel Fabriciano, sem previsão de reabertura. “E o mais incrível é que, às vezes, conversamos com pessoas tanto de lá quanto de cá, e tem gente que ainda não sabe do problema na ponte, embora o assunto esteja divulgado amplamente na mídia. Acho que o planejamento da ARMVA é importante, mas é preciso imprimir nele a velocidade necessária para a resolução dos problemas que são realmente urgentes”, destacou.
 
Para Carlos Eduardo, há excessos inexplicáveis, como é o caso da BR-381, que corta Ipatinga. Segundo afirmou, quando há uma demanda, por mais banal que seja, como o alargamento da alça em frente à estação ferroviária Intendente Câmara, que vai acabar com o gargalo no trânsito para quem vem no sentido Centro e quer retornar para o Ferroviários ou Horto, essa alça quem tem que fazer é o Dnit. Na hora de fiscalizar, é a Polícia Rodoviária Estadual, na hora de licenciar a obra de expansão do shopping quem se manifesta sobre os impactos na rodovia é a prefeitura. “E cada órgão deste tem os seus prazos para responder e resolver as coisas. Prazos que a retomada do desenvolvimento do Vale do Aço não pode mais esperar”, observou.
 
 
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