12 de dezembro, de 2012 | 00:15

"O que estão fazendo com a gente é uma coisa desumana"

Trabalhadores do Parques do Vale, indignados, buscam solução para pagamentos em atraso e acertos rescisórios que não foram feitos

IPABA - Eles vieram de diferentes estados e enfrentam um drama em comum: deixaram a terra natal para trabalhar nas obras do megaempreendimento imobiliário Parques do Vale, em Caratinga, mas foram demitidos, sem o acerto rescisório e sem a baixa na carteira de trabalho. São pedreiros, ajudantes e operadores de máquinas que, em sua maioria, deixaram o Nordeste com promessas de "fazer a vida" e oferecer melhores condições à família trabalhando em um projeto milionário no Leste de Minas Gerais. Sem dinheiro sequer para pagar as casas que alugaram em Ipaba, os trabalhadores de origem simples e sem estudo contam, com indignação, a realidade e os desafios para a viagem de volta.
O início das obras do condomínio Parques do Vale, empreendimento que está sob a responsabilidade da construtora Egesa, foi anunciado no ano passado. Localizado no município de Caratinga, o loteamento conta com cinco milhões de metros quadrados situados próximo à BR-458. Desde seu anúncio, o empreendimento trouxe expectativas, tanto para os setores comerciais e industriais, quanto para a mão de obra que iria erguer o complexo urbanístico, considerado uma nova cidade.
Contudo, já no decorrer da execução das obras do loteamento, a empresa responsável afirma passar por uma reestruturação interna, o que resultou no "reajuste de setores e procedimentos". Os trabalhadores protestam como podem: "O projeto é coisa grande, milionário - tem lote lá que custa até R$ 500 mil - mas demitiram a gente e não pagam o acerto, o Fundo de Garantia e não liberam a carteira", dispara Alan de Souza, 31 anos.
Wesley Rodrigues


Obras Parques do Vale 3

Alan, que trabalhava no empreendimento como operador de trator, foi demitido no último mês. Frustrado, ele conta que há cinco meses veio do Tocatins para trabalhar no projeto. "E eu vim, e não me deram a 'baixada' (liberação de um período para visitar a família) e pediram para eu trazer minha família para cá. Eu trouxe minha esposa, aluguei casa, comprei uns móveis, e depois de três dias me demitiram", narra, contendo a emoção.
Sem dinheiro para pagar o aluguel, Alan lembra que terá que sair da casa onde mora até essa sexta-feira (14). Em um restaurante em Ipaba, os trabalhadores demitidos podem retirar o marmitex por custeio da empresa. "Mas minha esposa não tem direito e não tenho dinheiro para nada. O marmitex que eu pego, que já é pouco, eu divido com ela. Queria o dinheiro para poder pelo menos voltar para a minha casa", lamenta, com esforço para não chorar.
Jovem
A história de Alan não é a única. Maicon Alves de Souza, 19 anos, deixou também o estado do Tocantins logo quando completou a maioridade para tentar o trabalho que prometia ser "dos melhores". Wilmar Francisco, 43, veio de Goiânia (GO); Aloizio Pereira, 53, do Maranhão. E a eles juntam-se Mauro Edson dos Santos, Mauro José Caetano, Felipe Ferreira, José Anastácio, José Pinheiro. Mas, ainda há outros, segundo eles, que não puderam se reunir para explicar a situação.
A maioria deles foi demitida em novembro. O acerto rescisório não foi feito, tampouco o encerramento das atividades contratadas na carteira de trabalho, o que impossibilita a procura por outro emprego. E há aqueles que ainda permanecem na empresa, mas sem o pagamento dos salários de novembro e as parcelas do 13º salário. "Se o emprego lá é bom, uma coisa eu te digo: é apenas para os engenheiros e a gente do alto escalão. Porque para nós não há nem assistência médica", reclama um dos trabalhadores.
Ainda segundo os trabalhadores, na próxima segunda-feira eles pretendem procurar, pela manhã, o Ministério Público do Trabalho, para formalizar a reclamação.

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Wesley Rodrigues


Obras Parques do Vale 1

Reestruturação
Procurada pelo DIÁRIO DO AÇO, a Egesa Engenharia explicou, por meio de sua assessoria de comunicação, que passa por uma reestruturação interna e por esse motivo está reajustando alguns setores. "Tais mudanças geram adaptações e podem provocar alguns transtornos, porém todas as medidas já foram adotadas e a situação está sendo regularizada. A Egesa está se reestruturando e trabalhando para que a situação volte a sua normalidade o mais breve possível", ressaltou o comunicado.
Os salários em atraso referente ao mês de novembro seria depositado ainda nesta terça-feira (11), conforme a empresa.
A assessoria também informa que, embora pertençam ao mesmo grupo (Egesur), a Egesa e a Parques do Vale são empresas distintas. A relação existente entre ambas é a de contratada e contratante, sendo a empreiteira Egesa a contratada para a execução das obras de infraestrutura para a loteadora Parques do Vale.
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