14 de dezembro, de 2012 | 00:00

Usiminas com sotaque portenho

Somente neste ano, direção do grupo contratou 23 argentinos para cargos de comando

DA REDAÇÃO - O espanhol virou a língua estrangeira mais falada na Usiminas. A empresa contratou, neste ano, 23 argentinos para ocupar cargos de comando. São gerentes, gerentes gerais e diretores. A maior parte chegou até meados do ano, os últimos há pouco mais de um mês. Eles foram trazidos pelo atual diretor presidente do grupo, o também argentino Julián Alberto Eguren, que assumiu o comando da empresa em janeiro após a entrada da Ternium, da gigante ítalo-argentina Techint, como sócia da companhia mineira.
Os argentinos se tornaram o grupo de estrangeiros mais numeroso da empresa, embora eles e outros não representem mais do que 10% do total de profissionais em cargos de gestão. A interação entre argentinos e os funcionários brasileiros, de acordo com a empresa, tem sido muito proveitosa. Mas quem conhece iniciativas de "importação" de profissionais para comandar equipes no exterior, assegura que desgastes e desajustes são inevitáveis.
Os 23 argentinos vieram todos da Ternium e firmaram contrato para ficar no Brasil por três anos. Alguns já haviam atuado diretamente com Eguren que, antes de se mudar para o Brasil, trabalhou no México. O grupo foi distribuído entre Ipatinga, Belo Horizonte, São Paulo e Cubatão (SP). A maioria está em cargos novos, como diretoria de Supply Chain (gestão de cadeia logística), ou em vagas que haviam sido congeladas, diz Vanderlei Schiller, vice-presidente de Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional da Usiminas.
Mas por que tantos argentinos em cargos de comando? Não haveria na empresa gente com experiência e conhecimento suficientes para as posições? Essas e outras dúvidas provavelmente vêm martelando na cabeça dos funcionários da Usiminas, que passaram a lidar diretamente com os recém-chegados estrangeiros. "Foi uma opção para tornar o corpo gerencial da Usiminas mais qualificado", resume Schiller. "É uma questão de experiência. A maioria desses executivos já passou por outros países e viveu desafios semelhantes aos que a organização enfrenta atualmente", completa.
Estilos
Schiller nota diferenças na forma como os brasileiros e os argentinos atuam nestes primeiros meses de convivência. Até que ponto isso tem a ver com as culturas de cada uma das empresas - Usiminas e Ternium - ou com a nacionalidade é algo difícil de avaliar. "No lado brasileiro, há mais flexibilidade e voluntariedade. No outro, um estilo um pouco mais disciplinado e focado", compara o vice-presidente. Mas não são, acrescenta ele, diferenças gritantes. Além disso, a junção da experiência internacional com a vivência local tem começado a produzir resultados positivos, em um momento em que o setor siderúrgico patina em todo o mundo, pontua.
Relatório recente do Deutsche Bank elogia muito a empresa, dizendo que as mudanças no perfil do comando darão resultado satisfatório.
Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), Luiz Carlos Miranda, é mais cético: "Se eles vieram para cá para mudar a cultura da empresa, principalmente em Ipatinga, vão dar com os burros n'água", afirma. (Marcos de Moura e Souza, do Valor Econômico - Reproduzido do portal Mundo Positivo).
 

 
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