30 de dezembro, de 2012 | 00:10
Fizemos tudo que gostaríamos de fazer? Não. Mas fizemos tudo o que foi possível”
Robson Gomes relata governo conturbado por fatores como queda de receita e perseguição”
IPATINGA Três anos e nove meses após ter assumido a Prefeitura de Ipatinga, Robson Gomes (PPS) se despede do posto de prefeito de Ipatinga amanhã. Ex-presidente da Câmara de Vereadores, Robson se tornou chefe do Executivo em função da impugnação do registro da candidatura de Francisco Carlos Delfino, Chico Ferramenta (PT), seguida da cassação do prefeito eleito e Sebastião Quintão (PMDB) e após a eleição extemporânea, no ano de 2010. Fechando uma séria de entrevistas com os prefeitos dos municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço, Robson avalia em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO os anos à frente da PMI e se diz tranquilo com suas ações.DIÁRIO DO AÇO - O senhor acredita que o cenário político em sua posse era desfavorável?
ROBSON GOMES - Na verdade, o nosso mandato foi marcado por vários fatores que contribuíram para dificultar as nossas ações. A própria composição de mandato, foram dois meses de Sebastião Quintão, 14 meses de governo interino, onde tinha julgamento toda terça-feira e quinta-feira. Sofríamos ameaça de sair e não tinha como planejar a médio e longo prazos. Depois veio a queda de receita, sendo R$ 2 milhões a menos de ICMS; R$ 1 milhão da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fator importante para o cálculo do repasse de Fundo de Participação de Municípios (FPM); a crise que a principal empresa de nossa cidade enfrentou, tendo dificuldade de colocar o que se produz no mercado, e como não se vende, não se gera impostos para a cidade.
DA Os problemas com a Saúde, Educação, Limpeza Urbana e outros, podem ser debitados na sua conta?
ROBSON GOMES - Na verdade, convivemos com problemas que se arrastam há mais de 20 anos, como no caso de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que nos fez demitir 1.100 servidores de função pública e contrato, que foram contratados em governos anteriores e vieram estourar exatamente em nosso governo. Posso citar também o Plano Diretor, que vem se arrastando há muito tempo e agora foi enviado à Câmara para votação.
DA O senhor acredita que tudo que era possível foi feito por Ipatinga?
ROBSON GOMES Deixamos o governo com a consciência do dever cumprido. Fizemos tudo que gostaríamos de fazer? Não, mas fizemos tudo que foi possível fazer. Poderíamos ter feito mais se tivéssemos uma Câmara contribuindo com governo, uma economia estável e se tivéssemos um governo onde pudéssemos planejar a médio e longo prazo. E nosso governo não foi assim, foi alternado. Tivemos denúncias, perseguição contra nosso governo, mas tivemos as contas do exercício de 2009, 2010, 2011 aprovadas pelo Tribunal de Contas sem nenhuma ressalva, o que não é muito comum em nosso país, parecer referendado pela Câmara, numa demonstração de que nós usamos os recursos, o dinheiro público com muita clareza.
DA O secretário de Estado de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira, e sua equipe interferiram no governo?
ROBSON - Na verdade chegamos ao governo sem nenhuma experiência de gestão e lógico que procuramos na troca de experiência com todos, com a Associação Comercial, com os conselhos municipais e também com um conselho que construímos, além do próprio deputado Alexandre Silveira. E foi isso que nos deu a condição de sair do governo com o sentimento de dever cumprido e com realizações importantes.
DA Alguém de sua equipe jogou contra” ao longo desses anos, atrapalhando o andamento de projetos, por exemplo?
ROBSON GOMES - Herdamos alguns projetos com erros de equipes de governos anteriores e procuramos consertar, tivemos zelo por parte de nossa equipe, que nos ajudou a contribuir com a qualidade de vida da população. Com a experiência que tenho hoje, teríamos uma equipe totalmente diferente da que termina o governo. Parte dela contribuiu, outros atrapalharam, mas essa experiência nos faz afirmar que em uma nova oportunidade iremos construir um governo muito mais sólido.
DA Ipatinga permanece no posto de cidade polo na opinião do senhor?
ROBSON GOMES - Continuamos sim, somos cidade polo e referência não só para o Estado como para a economia do Brasil. Temos de criar novas formas de geração de emprego e renda após essa crise da siderurgia, como no turismo, por exemplo, para que possamos gerar o necessário para se ter uma cidade cada vez melhor para se viver.
DA Como o senhor entrega as finanças de Ipatinga?
ROBSON GOMES - A saúde financeira está bem, porque quando aqui chegamos encontramos a prefeitura fechada e agora vamos passar as chaves e o cargo para Cecília Ferramenta e Alfredo Ramalho com obras em andamento e com alguns recursos em caixa e é lógico que ela (Cecília) vai ter muito menos problema que tivemos. Pegamos a cidade no meio do lixo, ela pegará uma cidade limpinha, com as coisas andando, com muitas realizações. Estamos deixando uma economia de R$ 6 milhões ao ano com a Vital Engenharia, por exemplo, foram quatro meses de negociação para que o contrato fosse adequado. Não tem como passar sem dívidas, mas com valores que não vão dificultar as ações do próximo governo.
DA Qual seu futuro político?
ROBSON GOMES - Pretendo descansar em janeiro, mas sou presidente de um partido, o PPS, que tem dois vereadores eleitos e vamos ter que continuar contribuindo com a nossa cidade, não vamos perder o vínculo. E é lógico que no que puder contribuir, estaremos abertos, sou ipatinguense, tenho minha família aqui e desejo que a cidade continue avançando, melhorando e para isso temos que estar dispostos a dar nossa contribuição. O futuro será fruto de uma discussão madura para que possamos continuar a ser instrumento de transformação.
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