05 de janeiro, de 2013 | 00:15

Prefeitura demite 72,7% dos funcionários e fecha as portas

Os serviços de saúde de município de 207 mil habitantes também foram suspensos. Prefeitura "quebrada" tem R$ 155 milhões em dívidas.

DA REDAÇÃO - A Prefeitura de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, fechou as portas e só reabre para atendimento ao público no dia 21 de janeiro. Os serviços de saúde do município de 207 mil habitantes também foram suspensos. "Só algum serviço mais emergencial, como um pedido de certidão negativa (CND, Certidão Negativa de Débito) para alguma empresa que ganhou alguma concorrência, vai ser atendido. O resto está tudo parado", afirmou o prefeito de Santa Luzia, Carlos Calixto (PSB).
Logo após a posse na terça-feira (1º), o prefeito assinou decreto exonerando 1.901 funcionários (1.700 contratados e 201 em cargos de confiança) e determinou a suspensão dos serviços externos e de atendimento ao público. "Estão funcionando sete unidades de saúde para atendimento emergencial, os outros postos tivemos de fechar também, mas vai dar para atender a população", acredita Carlos Calixto.
 
Ele afirmou que, dos 22 postos de saúde do município, dois na região do distrito São Benedito, que abriga uma população de 120 mil pessoas, e mais dois da região central da cidade, atenderão as emergências. "Também foram mantidos o funcionamento de duas unidades de pronto atendimento e o centro de saúde mental, que tem internos", disse o prefeito.
 
Segundo Carlos Calixto, ele não teve alternativa. "É radical, mas não tive outra saída. Precisamos estruturar a prefeitura", resumiu. Segundo ele, a administração de Santa Luzia tinha 5.500 funcionários, entre contratados e comissionados. Entre as eleições em outubro e sua posse, foram demitidos cerca de 2.000 funcionários, pelo ex-prefeito Gilberto Dorneles (PMDB).
 
"Somadas às demissões que fiz, o quadro de pessoal da Prefeitura passou de 5.500 para 1.500 funcionários", afirmou. Uma redução de 72,7% no pessoal. O prefeito disse também que, pelo que apurou nos últimos quatro dias, fechado em seu gabinete com quatro assessores, que ainda não foram nomeados, e alguns funcionários de carreira do município que lhes transmitem os dados, encontrou dívidas de R$ 155 milhões.
“Quebrada”
São R$ 101 milhões de dívidas com o INSS, R$ 44 milhões com fornecedores e R$ 10 milhões da folha salarial de dezembro da prefeitura, que não foi paga. O município, estima Calixto, deve receber, neste mês, algo em torno de R$ 20 milhões de repasses do Estado e da União. "A maior parte verba é carimbada (rubricada, ou seja, que já tem destino definido na aplicação)", explicou.
"Não tenho nem coragem de mandar as guias do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Quem vai pagar?", indagou Calixto. O prefeito afirmou que, historicamente, o município enfrenta uma inadimplência de 65% no pagamento do IPTU. "Nessas épocas, como agora, quando os serviços não funcionam, a inadimplência chega a 80%, 90%", encerrou. (Uol.com)

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