06 de janeiro, de 2013 | 00:00
Custo de vida elevado
Alimentação, habitação e transporte são os itens que mais pesam no orçamento
IPATINGA O ano que terminou dificilmente deixará saudades no que se refere ao custo de vida. Para o ipatinguense, o que mais pesou no bolso foi a alimentação, tanto nos itens da compra mensal, quanto no almoço em restaurantes. Habitação e transporte também estão na lista das reclamações das pessoas. Em alguns locais, o quilo da comida chegou a custar R$ 31,87 o quilo. Ao longo de 2012, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os alimentos subiram 9,84%, com destaque para farinha de mandioca (84,90%), arroz (37%) e feijão carioca (37,74%). Em Ipatinga, o DIÁRIO DO AÇO fez uma pesquisa de preços da alimentação e comparou com outros municípios.A dona de casa do bairro Bethânia, Lenir Silva, explica que a alimentação é a grande vilã de seu orçamento. Ela relata que, mensalmente, gasta R$ 700 com a compra, valor que chega a R$ 750 em alguns meses. Considero muito alto o que gastamos com alimentação porque se for comparar com vestuário, por exemplo, é possível parcelar isso em até 10 vezes. Lá em casa somos quatro pessoas e moramos de aluguel, o que nos custa R$ 620 em uma casa com dois quartos e uma suíte. Não é fácil, principalmente porque pretendo matricular minha filha na escola particular, o que representará mais R$ 390, em média”, explicou.
Em Ipatinga, no mês de novembro, o arroz Rei Arthur de 2 kg, por exemplo, custava R$ 4,79, valor que em dezembro passou para R$ 5,49; já o feijão Supang manteve o preço no comparativo entre os dois meses, permanecendo em R$ 4,59. A secretária Lúcia Maria, do bairro bom Jardim, também sente no bolso quando o assunto é alimentação. Em uma casa com cinco pessoas, o gasto mensal é de R$ 600, valor superior ao gato com vestuário e medicamentos. Quase nem gastamos com outras coisas porque o dinheiro não sobra. Nunca nem cheguei a pesquisar preço de mensalidade de um clube para lazer, por exemplo, já que o orçamento é praticamente para a alimentação”, pontuou.
Já Lenita Rosa da Silva relata que, ao lado da alimentação, a despesa com medicamentos também pesa no orçamento. Na verdade, não tem nada barato hoje em dia, mas eu faço uso de um medicamento que não pode ter intervalo e gasto R$ 44 por caixa. Já com alimentação costumo gastar R$ 250 para três pessoas. Não está fácil pra ninguém”, lamentou.
Habitação
Em termos de moradia, para os interessados em comprar um imóvel os valores variam. O preço de um apartamento no bairro Bom Jardim, por exemplo, pode custar R$ 350 mil, com três quartos uma suíte; já um imóvel com dois quartos simples pode ser encontrado no mesmo bairro por R$ 220 mil. Para locação, um imóvel no bairro Bethânia com três quartos sendo uma suíte varia de R$ 550 a R$ 800. No bairro Iguaçu, o aluguel de um apartamento com dois quartos simples, custa, em média, R$ 500, por mês.
Comparativo
Para comparar o custo de vida do ipatiguense, o DIÁRIO DO AÇO analisou o preço de alguns itens em outros municípios mineiros do mesmo porte ou maiores. Até o fim de dezembro, almoçar em Ipatinga variava de R$ 6,69 a 31,87, o quilo; em Timóteo varia de 19,43 a R$ 34,60; já em Fabriciano o valor pago pode ser entre R$ 6,45 a 29,43; em Ribeirão das Neves o cliente pode pagar R$ 6,50 em um restaurante mais modesto e R$ 30 em local mais caro; em Governador Valadares o quilo do almoço pode chegar a R$ 28,44; Belo Horizonte apresenta o valor mais alto, onde um almoço pode custar, em média, R$ 51,65 o quilo. Comparada a outras capitais, como São Paulo, o preço da refeição pode chegar a R$ 66,73, enquanto no Rio de Janeiro o custo chegar a R$ 55,58 o quilo.
Transporte também pesa no bolso
Além da alimentação, outro item de peso no orçamento do cidadão ipatinguense é o transporte. Quem se locomove de ônibus pagou (até o dia 27 de dezembro) R$ 2,60 pela passagem nos carros da concessionária do transporte público. O valor reajustado passou para R$ 2,85. O preço da passagem é o que mais me revolta. Acredito que esse valor é alto porque não há concorrência, só uma empresa circula nos bairros, além da Univale, que só passa por alguns, mas realizando transporte intermunicipal, e se for comparar, o preço (R$ 3) é bem mais em conta, porque você está se locomovendo entre municípios”, avaliou a estudante Júlia Silva.
A passagem de ônibus nos três principais municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço é de R$ 2,85, o mesmo em Uberaba, no Triângulo mineiro. Já em Juiz de Fora, andar de ônibus custa R$ 1,95. Em Belo Horizonte custa R$ 2,65.
Já para quem se locomove de carro próprio, quem mora em Uberaba e Montes Claros gasta mais que o ipatinguense. Nestes dois municípios, a gasolina custa, em média, R$ 2,92 o litro. Em Ipatinga custa, em média, R$ 2,79, Timóteo R$ 2,72, Fabriciano R$ 2,75, Valadares R$ 2,83 e Belo Horizonte R$ 2,76.
Alimentos registraram reajuste médio de 9,84%
No país, as despesas com alimentação e bebidas subiram: de 0,83% em novembro para 0,97% em dezembro. A aceleração ocorreu devido ao preço do frango, que subiu de 1,43% para 4,16%, do leite (de 1,39% para 2,03%) e de frutas (de 0,43% para 1,27%). No ano, os alimentos subiram 9,84%, com destaque para farinha de mandioca (84,90%), arroz (37%) e feijão carioca (37,74%).
As despesas com habitação subiram de 0,33% em novembro para 0,74%, em dezembro, com as maior incidência nas tarifas de energia elétrica (de 0,09% para 1,72%), aluguel residencial (8,98%) e de mão de obra para pequenos reparos (11,72%).
Seguiu o mesmo comportamento o grupo de gastos com transporte (de 0,47% para 0,71%), impulsionado pela variação de preços das passagens aéreas (de 11,8% para 17,08%). No ano, o grupo transporte ficou com 0,63% de reajuste, mas o destaque foi a desaceleração no preço de automóveis novos (-5,82%) e usados (-10,36%).
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