09 de janeiro, de 2013 | 00:00
Espera por indenização dura seis anos
Famílias que perderam casas por causa de obra da Copasa ainda moram em hotel
FABRICIANO Nunca vamos recuperar esse tempo que passamos aqui, isso acabou com a nossa família, é uma cicatriz deixada que dinheiro nenhum vai apagar. Meu marido anda muito aborrecido e meus filhos não têm mais alegria, mas sair daqui por conta própria nós não vamos sair de maneira alguma, só quando todos os nossos direitos estiverem garantidos e tudo for resolvido”. O desabafo é da artesã Inês Oliveira Coutinho, de 48 anos.Depois de perder a casa onde moravam, ela, o marido e os três filhos foram levado para um hotel, no centro de Coronel Fabriciano, e lá esperam há seis anos por uma indenização, que se arrasta por causa da morosidade da Justiça.
Era janeiro de 2007, quando cinco famílias foram surpreendidas por um deslizamento de terra, provocado pelo corte de barranco, realizado por uma empreiteira da Copasa no fundo das residências para a passagem de uma rede coletora de esgoto. As casas foram condenadas pela Defesa Civil, e as famílias levadas para um hotel. A moradia deveria ser provisória e durar no máximo três semanas, mas a situação já perdura há seis anos.
Atualmente, três das cinco famílias continuam abrigadas no hotel, as outras duas saíram por conta própria e custeiam o aluguel. Antes de serem acomodadas na hospedagem os fabricianenses moravam na rua Paracatu, bairro Morada do Vale. Durante todos esses anos os imóveis permaneceram fechados, sem receber nenhuma intervenção e continuam interditados pela Defesa Civil.
A artesã Inês Oliveira Coutinho, reclama que a cada ano que passa a situação piora. Os quartos do hotel são apertados, não há como receber visitas, comemorar datas festivas ou viver o cotidiano de uma família comum. Inconformados com a situação, os filhos e o marido apresentam sinais de depressão.
Durante todos esses anos não houve avanço nas negociações, segundo Inês e, recentemente, a Copasa propões pagar R$ 35 mil para uma das famílias. Esse valor dá para comprar uma casa, dá? Nós não aceitamos e agora não vamos aceitar qualquer proposta porque são seis anos de sofrimento. E nós só vamos sair daqui com todos os nossos direitos na mão”, disse.
Resposta
Por meio de nota, a Assessoria de Imprensa da Copasa, em Belo Horizonte, responde que o processo sobre a obra da Copasa no bairro Morada do Vale, em Coronel Fabriciano, ainda está sob análise pela justiça. A Copasa aguarda a decisão judicial para se pronunciar”, conclui a nota.
Abandonados sonham em voltar para casa
A família hospedada no hotel no Centro de Coronel Fabriciano reclama que não recebe nenhum tipo de atendimento social. Segundo Inês Oliveira uma única visita de um agente do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município, foi feita há cerca de 60 dias, mas não houve nenhum retorno. Nós não temos assistência nenhuma aqui, estamos abandonados como se fôssemos lixo, sem assistência de nada” reclama.
Dona Inês conta que desde que suas casas foram abandonadas, nenhuma intervenção foi feita e há riscos de mais desmoronamentos. Tivemos que deixar tudo para trás e nossas coisas ficaram lá apodrecendo. Outro dia eu desci lá pra ver. As paredes estão caindo. Não dá para morar mais lá, pois o lugar está condenado” relata.
Mesmo passados tantos anos, Inês Oliveira ainda tem esperanças em ver uma solução definitiva por parte da Justiça e ter um novo lar. Eu espero que a Justiça olhe por nós e que resolva essa situação e que a Copasa nos pague nossos direitos. Queremos ter uma casa de novo, onde a gente possa dormir sossegada e acordar sabendo que aquele realmente é o nosso lar”, cobrou.
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