11 de janeiro, de 2013 | 00:00
Estou transferindo a dívida que herdei”
Ex-prefeito de Mesquita afirma que problemas não foram gerados em sua administração
MESQUITA O ex-prefeito de Mesquita, José Euller (PPS), afirmou que as dívidas encontradas pela atual administração são fruto de outros governos, que foram herdadas e agora transferidas”. José Euller procurou o DIÁRIO DO AÇO nesta quinta-feira (10), para afirmar que não existe caos no município, débitos relativos a folha de pagamento e sucateamento da máquina administrativa. A entrevista foi concedida para rebater matéria veiculada na edição de quarta-feira na qual foram apresentados vários problemas enfrentados pelo novo prefeito do município, João Fábio de Oliveira Gonçalves (PDT).Segundo José Euller, tudo estava funcionando normalmente no município até dezembro, inclusive a Saúde, Educação e setor social, que são, conforme explicou, pontos de referência em toda a região”. Não sei a que caos se referem, se houve caos foi um corte de energia na prefeitura, feito no fim do governo, quando não podíamos mais fazer empenho para esse pagamento. Se o caos for isso, é fácil resolver, porque a situação ocorreu só na prefeitura, nos outros locais estava tudo certo”, justificou.
O ex-prefeito afirmou que quando assumiu o poder Executivo em 2005 a mesma situação ocorreu, onde a energia foi cortada por falta de pagamento, o que o levou a Belo Horizonte em busca de uma ordem de religamento, com a condição de que pagasse o débito. O valor da dívida com a Cemig era gigantesco, e os outros prefeitos não pagaram e tive de parcelar o débito, mas ultimamente não foi possível pagar, porque com as dívidas ocasionadas pela queda do Fundo de Participação de Municípios (FPM), os municípios estão todos inadimplentes”, alegou.
Sobre dívida municipal, calculada pela atual gestão em R$ 8 milhões, José Euller ponderou que o valor corresponde à realidade, mas em partes. Conforme ele, quando assumiu a prefeitura em 2005, havia um débito previdenciário de R$ 1,6 milhão, que foi parcelado, valor que devido aos juros, aumentou gradativamente e hoje corresponde a mais de R$ 4 milhões. Deixei a dívida e assim aconteceu com a Cemig; a dívida era enorme. Não posso dizer que essas dívidas são institucionais, todo o Brasil deve, vira uma bola de neve. Deixei dívida de mais de R$ 5 milhões, mas dívidas que encontrei”, reiterou.
Convênios
Sobre convênios firmados com os governos estadual e federal, José Euller citou que no dia 28 de dezembro foi creditado na conta do convênio Travessia”, no valor de R$ 550 mil para a construção de um poço artesiano na sede de Mesquita para resolver o problema da água, porém, a liberação chegou em cima da hora e não foi possível viabilizar o empreendimento. A única coisa que sobraria seria o problema do lixo, que uma boa parcela de culpa tem de ser credita a Câmara de Vereadores, que não votou projetos de criação da taxa de consumo de água, de esgoto e de limpeza. Por isso que os serviços são deficitários”, analisou.
Quanto à biblioteca pública, José Euller relatou que o prédio é antigo e, desde 2006, solicitou verba junto ao Estado para a reforma, mas por azar do destino, o teto caiu”. E como a maior parte da biblioteca havia sido transferida para a escola municipal, deixei o restante cair, como ia reformar um prédio daqueles? Não tem como. Projeto para pedir reconstrução eu fiz, mas não consegui”, lamentou.
Processos
Questionado se encerrou a sua gestão com registros de processos administrativos ou de improbidade, Euller revela que tem cerca de 50 processos. Para ser franco, o prefeito que falar que não tem processo administrativo está mentindo, eu devo ter mais de 20, ou talvez até 50. Hoje você não sabe mais quem é prefeito nesses municípios pequenos, se é o Ministério Público, se é o meio ambiente, todos eles querem mandar na administração municipal e conseguem processos administrativos contra o prefeito, mas nunca houve uma condenação”, acrescentou.
Quanto às denúncias de dívida e sucateamento, Euller classificou como infundadas e que estas seriam, inclusive, motivo para uma representação na Justiça. Mas não vou fazer para não divulgar o nome de ninguém. Desminto tais dados, que são eleitoreiros, não precisava disso. Nunca deixei de pagar salários, o que ficou para trás foi a folha de dezembro, mas que seria paga no mês subsequente, que é janeiro. Quando entrei na prefeitura, Mesquita não tinha um parafuso e foi arrasada por uma tromba dágua e hoje tudo funciona e bem. Mas se há caos, foi causado pela queda de arrecadação, todos sentimos essa queda”, concluiu José Euller.
O QUE JÁ FOI PUBLICADO:
Dívidas deixam prefeitura sem energia e população sem água - 09/01/2013
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