30 de janeiro, de 2013 | 00:00

Arrombamentos trazem transtornos e muitos prejuízos para lojistas

Falta de segurança e ação reiterada de bandidos, sobretudo de menores de idade, tira o sono de comerciantes, que não sabem mais o que fazer

FABRICIANO – “Do jeito que as coisas estão caminhando, não vou ficar surpreso se eu for a próxima vítima”. A declaração é de um comerciante instalado há 50 anos na rua Coronel Silvino Pereira (antigo Calçadão) no Centro de Coronel Fabriciano. Conforme revela o empresário, pelo menos cinco lojas foram arrombadas na via nos últimos 30 dias.
“Temos muito pouco policiamento nas ruas do Centro, principalmente à noite, e alguém tem que dar fim a essa intranquilidade. Pagamos impostos e temos os nossos direitos”, reclama o lojista, que teme retaliações por parte de criminosos e pediu para não ser identificado. Ele ainda listou os estabelecimentos comerciais da rua Coronel Silvino Pereira que foram roubados pelos bandidos nas últimas semanas: Casa Quintão, Loja Diretório, Loja Visual Modas, Joalheria Carlos e Point Jeans.
 
O Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Bens e Serviços (Sindcomércio), Vale do Aço tem recebido com frequência reclamações de comerciantes fabricianenses que se sentem amedrontados com a falta de segurança na cidade.
 
O presidente da entidade, José Maria Facundes, vai buscar soluções para o problema junto aos chefes de polícia do município. “Nossa intenção é unir forças para dar fim a essa onda de furtos e arrombamentos. O início do ano já é muito pesado para o lojista, uma vez que recai sobre ele uma elevada carga tributária. Agora teremos mais custos com o vandalismo de criminosos em nossas lojas? Temos que achar uma saída”, reivindica José Maria Facundes.
Emmanuel Franco


Marco Túlio Lamounier_comerciante Fabri
Madrugada

Um dos estabelecimentos comerciais arrombados pelos bandidos foi a joalheria Carlos, na rua Coronel Silvino Pereira, na madrugada da última sexta-feira (25). “Mantenho o meu negócio há 32 anos no mesmo ponto e também já fui assaltado à mão armada. Falta segurança e o policiamento no Centro poderia aumentar. A Big Joalheria (também no Centro de Fabriciano) pertence à minha irmã e também foi assaltada recentemente”, conta José Carlos de Sousa, proprietário da Joalheria Carlos. “Em plena sexta-feira, quando o movimento é grande, fui surpreendido com esse arrombamento e só pude abrir minha loja depois das 10h30”, complementou.
Quatro vezes
No comércio há três décadas, Marco Túlio Lamounier Alves é proprietário de lojas de calçados. Ele é mais um lojista que tem sofrido com a ação de marginais. “Tenho uma loja na rua Maria Matos, no Centro, que foi arrombada no último dia 18, quando tivemos uma festa aqui na cidade. Outra loja minha na avenida Geraldo Inácio, no distrito de Melo Viana, foi alvo da ação de marginais quatro vezes só em dezembro”, lamenta Marco Túlio.
Para ele, não há segurança para o comércio em Fabriciano e o policiamento precisa melhorar. “O problema é a lei, que não dá condições para a polícia trabalhar. Todas as ocorrências de furto e arrombamento nas minhas lojas têm adolescentes envolvidos. A polícia prende o menor, mas não tem para onde levá-lo. Então, ele volta para as ruas e novamente arromba nossas lojas. Nós (empresários), e os policiais ficamos com cara de bobo diante desta situação”, analisa Marco Túlio.
Solução imediata
Não existe no Vale do Aço um local para internação de adolescentes infratores. A maioria dos menores apreendidos por cometer assaltos, furtos ou arrombamentos em lojas presta depoimento na delegacia e é liberada. “A polícia sabe quem são os arrombadores, mas nada pode fazer. Como é um problema sem solução imediata, em busca de segurança eu decidi trocar a beleza das vitrines iluminadas por portas de aço e alarme, além de vigias, pois do jeito que está não dá pra continuar”, afirma Marco Túlio.
“Prainha”
Outros Comerciantes revelaram que a “vadiagem da ‘Prainha’” tem sido a responsável pelos arrombamentos nas lojas do Centro. A chamada “Prainha” corresponde à área dos bairros Manoel Domingos e Dom Helvécio e concentra, na avaliação dos comerciantes que não quiseram se identificar, grande parte dos criminosos que tem agido no Centro. Tentando evitar mais arrombamentos, boa parte dos empresários instalou placas de aço com cadeados nas portas das lojas. “A fachada fica mais feia, mas pelo menos nos sentimos mais seguros”, disse um comerciante. (ACS Sindcomércio)
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